Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
vu112867
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Anestesiologia
Uma paciente de 35 anos, saudável, foi submetida a uma anestesia peridural para uma cesariana eletiva. A paciente não faz uso de anticoagulantes e não possui comorbidades associadas. A complicação que está mais frequentemente associada a esse tipo de anestesia é:
Ahematoma epidural.
Bperfuração dural acidental.
Chipertensão intracraniana.
Dhipertermia maligna.
Ebradicardia reflexa.
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GabaritoB — perfuração dural acidental.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Anestesia peridural: complicações mais frequentes
Gabarito: letra B. A complicação mais frequentemente associada à anestesia peridural é a perfuração dural acidental, que ocorre quando a agulha atravessa a dura-máter durante a punção, podendo levar à cefaleia pós-punção. Essa é uma complicação relativamente comum e bem reconhecida na prática anestésica, especialmente em pacientes obstétricas, como a do caso descrito.
A anestesia peridural (ou epidural) é uma técnica de anestesia regional na qual um anestésico local é injetado no espaço epidural, localizado entre a dura-máter e o ligamento amarelo. Diferentemente da raquianestesia (subaracnóidea), a agulha não atravessa a dura-máter intencionalmente. No entanto, a punção acidental da dura-máter é uma complicação conhecida, com incidência que varia conforme a experiência do anestesiologista e as características do paciente. Em obstetrícia, a incidência é um pouco maior devido a fatores como a dificuldade de posicionamento e a anatomia da gestante.
A perfuração dural acidental pode resultar em cefaleia pós-punção dural, que ocorre pela perda de líquido cefalorraquidiano (LCR) pelo orifício da punção, levando a uma diminuição da pressão intracraniana e tração de estruturas sensíveis à dor. O tratamento inicial é conservador, com hidratação, repouso e analgésicos; em casos refratários, pode ser necessário o tampão sanguíneo epidural (blood patch).
É importante distinguir a perfuração dural acidental de outras complicações mais graves, como o hematoma epidural, que é raro, mas potencialmente devastador, especialmente em pacientes com coagulopatia ou em uso de anticoagulantes. No caso descrito, a paciente não faz uso de anticoagulantes e não possui comorbidades, o que reduz o risco de hematoma epidural, mas não elimina o risco de perfuração dural, que é uma complicação mecânica da punção.
A banca explora a confusão entre complicações raras e graves (hematoma epidural) e complicações mais frequentes e menos graves (perfuração dural). O candidato deve lembrar que, em uma paciente saudável, sem fatores de risco, a complicação mais comum é a perfuração dural acidental, e não o hematoma epidural, que é uma complicação rara, mas grave.
Complicações da anestesia peridural
1Perfuração dural acidental
Mais frequente (0,5%–2,5% em obstetrícia)
Cefaleia pós-punção (perda de LCR)
Tratamento: conservador → blood patch
2Hematoma epidural
Raro (1:150.000–220.000)
Fatores de risco: anticoagulantes, coagulopatia
3Hipertensão intracraniana
Não é complicação — é contraindicação
4Hipertermia maligna
Não relacionada à peridural
halogenados/succinilcolina
5Bradicardia reflexa
Mais comum na raquianestesia
Bloqueio simpático alto (T1–T4)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O hematoma epidural é uma complicação rara, mas grave, da anestesia peridural. Sua incidência é muito baixa, estimada em cerca de 1 em 150.000 a 220.000 punções. O risco aumenta em pacientes com coagulopatia, em uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, ou com alterações anatômicas da coluna. Como a paciente do enunciado não faz uso de anticoagulantes e não possui comorbidades, o risco de hematoma epidural é ainda menor. Portanto, não é a complicação mais frequentemente associada a esse tipo de anestesia.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A perfuração dural acidental é a complicação mais comum da anestesia peridural. Ela ocorre quando a agulha de Tuohy atravessa a dura-máter inadvertidamente, permitindo a passagem do anestésico para o espaço subaracnóideo ou causando vazamento de LCR. A incidência varia de 0,5% a 2,5% em pacientes obstétricas, sendo uma complicação bem mais frequente que o hematoma epidural. A consequência mais temida é a cefaleia pós-punção dural, que pode ser debilitante, mas geralmente é autolimitada e tratável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hipertensão intracraniana não é uma complicação da anestesia peridural. Na verdade, a peridural é contraindicada em pacientes com hipertensão intracraniana, pois a injeção de volume no espaço epidural pode aumentar ainda mais a pressão intracraniana. A hipertensão intracraniana é uma contraindicação relativa ou absoluta para a realização de bloqueios neuroaxiais, e não uma complicação esperada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipertermia maligna é uma complicação rara e potencialmente fatal associada ao uso de anestésicos inalatórios halogenados (como halotano, sevoflurano, desflurano) e ao succinilcolina, um bloqueador neuromuscular despolarizante. Não está relacionada à anestesia peridural, que utiliza anestésicos locais e opioides, sem esses agentes desencadeantes. Além disso, a paciente não apresenta fatores de risco para hipertermia maligna (história familiar ou pessoal).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A bradicardia reflexa pode ocorrer durante a anestesia peridural, especialmente em bloqueios altos que atingem a inervação simpática cardíaca (T1-T4), mas não é a complicação mais frequente. Ela é mais comum na raquianestesia, devido ao bloqueio simpático mais extenso e rápido. Na peridural, a instalação do bloqueio é mais gradual, e a bradicardia é menos frequente. Além disso, a bradicardia reflexa é uma resposta fisiológica esperada em alguns casos, e não uma complicação propriamente dita.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher o hematoma epidural (alternativa A), que é uma complicação grave e muito comentada, mas rara. A pegadinha está em confundir "complicação mais frequente" com "complicação mais grave". A perfuração dural acidental é a mais comum, enquanto o hematoma epidural é a mais temida, mas rara. Lembre-se: em paciente saudável, sem anticoagulantes, o risco de hematoma é baixo, e a complicação mais provável é a perfuração dural.