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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112877
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Geral
Homem, 52 anos, com histórico de cardiomiopatia hipertrófica e flutter atrial comparece em consulta ambulatorial de rotina. Nega qualquer histórico pessoal ou familiar de síncope ou morte súbita cardíaca. Um ecocardiograma recente mostrou espessura do septo de 32 mm, fração de ejeção (FE) do ventrículo esquerdo de 70%, insuficiência mitral leve e gradiente de via de saída do ventrículo esquerdo (VSVE) de 20 mmHg em repouso, sem aumento com Valsalva. Um ecocardiograma de estresse demonstra extrassístoles ventriculares isoladas, resposta hipertensiva, gradiente de 30 mmHg na VSVE com exercício e ausência de isquemia.Com base no exposto, assinale a alternativa que apresenta o dado histórico desse paciente que confere o maior risco de morte súbita cardíaca.
  1. AEspessura da parede do ventrículo esquerdo de 32 mm.
  2. BHistórico de flutter atrial.
  3. CResposta hipertensiva no teste de esforço.
  4. DGradiente da via de saída do VE de 20 mmHg.
  5. EFunção hiperdinâmica do ventrículo esquerdo.
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GabaritoA — Espessura da parede do ventrículo esquerdo de 32 mm.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cardiomiopatia hipertrófica: estratificação de risco de morte súbita

Gabarito: letra A. Na cardiomiopatia hipertrófica (CMH), a espessura máxima da parede do ventrículo esquerdo ≥ 30 mm é um dos principais fatores de risco independentes para morte súbita cardíaca (MSC), sendo um dos critérios que indicam a necessidade de cardioversor-desfibrilador implantável (CDI). Os demais achados apresentados (flutter atrial, resposta hipertensiva ao esforço, gradiente de VSVE de 20 mmHg e função hiperdinâmica) não são, isoladamente, preditores de risco tão fortes quanto a hipertrofia severa.

A cardiomiopatia hipertrófica é a doença genética do músculo cardíaco mais comum, caracterizada por hipertrofia ventricular esquerda (HVE) sem causa aparente (como hipertensão ou estenose aórtica). A apresentação clínica é variável: muitos pacientes são assintomáticos, enquanto outros apresentam dispneia, dor torácica, palpitações e síncope. A complicação mais temida é a morte súbita cardíaca, que pode ser a primeira manifestação da doença, especialmente em jovens. Por isso, a estratificação de risco é fundamental para decidir quem se beneficia do implante de CDI.

A avaliação do risco de MSC na CMH é baseada em um conjunto de fatores, e não em um único achado. Os principais fatores de risco clássicos, reconhecidos pelas diretrizes, incluem: parada cardíaca prévia ou taquicardia ventricular sustentada, história familiar de morte súbita, síncope inexplicada, espessura máxima da parede do VE ≥ 30 mm, e resposta anormal da pressão arterial ao exercício (geralmente definida como falha em aumentar ou queda da PA durante o esforço). Além desses, a presença de taquicardia ventricular não sustentada (TVNS) no Holter também é considerada um fator de risco. A presença de múltiplos fatores aumenta progressivamente o risco.

No caso apresentado, o paciente tem espessura septal de 32 mm, o que é um marcador de risco muito forte e isoladamente já justifica a consideração de CDI, mesmo sem outros fatores. Os demais achados — flutter atrial, resposta hipertensiva ao exercício (que é o oposto da resposta anormal de PA, que seria hipotensão), gradiente de VSVE de 20 mmHg (que é leve, pois obstrução significativa é > 30 mmHg) e função hiperdinâmica (FE 70%) — não são fatores de risco maiores para MSC. O flutter atrial aumenta o risco de AVC e pode causar sintomas, mas não é um preditor independente de MSC na CMH. A resposta hipertensiva ao exercício é considerada um achado de melhor prognóstico, ao contrário da resposta hipotensiva. O gradiente de VSVE de 20 mmHg em repouso é considerado leve e não é um fator de risco para MSC, embora gradientes mais altos (> 50 mmHg) possam causar sintomas. A função hiperdinâmica é comum na CMH e não confere risco adicional de MSC.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora todos os achados sejam relevantes na avaliação da CMH, apenas a espessura da parede ≥ 30 mm é um fator de risco maior e independente para morte súbita. A banca explora a confusão entre fatores de risco para MSC e outros marcadores de gravidade ou sintomas da doença. O candidato deve lembrar que, na estratificação de risco de MSC na CMH, a hipertrofia severa (≥ 30 mm) é um dos critérios mais importantes e isoladamente indica alto risco.

Fatores de risco de MSC na CMH
  • 1Fatores maiores
    • Espessura de parede ≥ 30 mm
    • Parada cardíaca prévia/TV sustentada
    • História familiar de MSC
    • Síncope inexplicada
    • TVNS no Holter
    • Resposta hipotensiva ao exercício
  • 2Não são fatores maiores
    • Flutter atrial (risco de AVC)
    • Resposta hipertensiva ao exercício (melhor prognóstico)
    • Gradiente de VSVE leve (20 mmHg)
    • Função hiperdinâmica (FE 70%)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A espessura da parede do ventrículo esquerdo de 32 mm é um fator de risco maior e independente para morte súbita cardíaca na cardiomiopatia hipertrófica. O ponto de corte clássico é ≥ 30 mm, e valores acima disso conferem risco substancialmente aumentado, sendo uma das principais indicações para implante de CDI, mesmo na ausência de outros fatores de risco. Este é o dado que, isoladamente, mais eleva o risco de MSC no paciente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O histórico de flutter atrial é um achado relevante na CMH, pois aumenta o risco de eventos tromboembólicos (AVC) e pode causar sintomas como palpitações e dispneia. No entanto, não é considerado um fator de risco maior e independente para morte súbita cardíaca. A presença de fibrilação atrial pode estar associada a pior prognóstico em algumas cardiopatias, mas na estratificação de risco de MSC na CMH, ela não tem o mesmo peso que a hipertrofia severa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A resposta hipertensiva no teste de esforço é, na verdade, um achado de melhor prognóstico na CMH. O fator de risco clássico é a resposta hipotensiva (falha em aumentar ou queda da pressão arterial durante o exercício), que reflete obstrução dinâmica da VSVE e está associada a maior risco de MSC. A resposta hipertensiva indica boa reserva hemodinâmica e não confere risco aumentado de morte súbita.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O gradiente da via de saída do VE de 20 mmHg em repouso é considerado leve (obstrução significativa é geralmente definida como gradiente ≥ 30 mmHg em repouso ou ≥ 50 mmHg com provocação). Embora a obstrução da VSVE possa causar sintomas e esteja associada a pior prognóstico em alguns estudos, um gradiente de 20 mmHg não é um fator de risco maior para MSC. O risco aumentado de MSC está mais relacionado à hipertrofia severa e à arritmia ventricular do que ao gradiente em si.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A função hiperdinâmica do ventrículo esquerdo (FE de 70%) é um achado comum na CMH, refletindo o estado hipercontrátil do miocárdio. No entanto, não é um fator de risco para morte súbita cardíaca. A FE preservada ou aumentada não confere proteção nem risco adicional; o risco de MSC está mais relacionado à extensão da hipertrofia, à presença de arritmias e à história familiar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato confundir fatores de risco para MSC com outros marcadores de gravidade ou sintomas da CMH. O flutter atrial, o gradiente de VSVE e a função hiperdinâmica são achados que podem chamar atenção, mas não são preditores independentes de morte súbita. O que decide a questão é lembrar que a espessura da parede ≥ 30 mm é um dos critérios maiores e isoladamente indica alto risco, sendo uma das principais indicações de CDI. Fique atento: na CMH, a resposta hipotensiva ao exercício é que é fator de risco, não a hipertensiva.

Gabarito: letra A

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