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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112886
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Geral
Mulher, 55 anos, com histórico de prolapso da valva mitral, apresenta dispneia progressiva aos esforços nos últimos 6 meses. Ela não consegue mais subir um lance de escada em sua casa sem parar, devido à dispneia. A ecocardiografia revela fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 50%, diâmetro sistólico final do VE de 4,8 cm e regurgitação mitral grave. Cateterismo cardíaco com doença difusa, leve e não obstrutiva.Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada.
  1. AReparo cirúrgico da valva mitral.
  2. BReparo percutâneo da valva mitral.
  3. CValvoplastia mitral por balão.
  4. DTroca valvar cirúrgica por prótese mecânica.
  5. ETroca valvar cirúrgica por bioprótese.
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GabaritoA — Reparo cirúrgico da valva mitral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regurgitação mitral grave: indicação cirúrgica e escolha da técnica

Gabarito: letra A. Paciente com regurgitação mitral primária grave (prolapso valvar), sintomática (dispneia progressiva aos esforços), com FEVE de 50% e DSFVE de 4,8 cm — preenche critérios de indicação cirúrgica. Como a regurgitação é primária e degenerativa, o reparo cirúrgico da valva mitral é a conduta preferencial, com excelente resultado e menor morbidade que a troca valvar. As demais opções (reparo percutâneo, valvoplastia por balão, troca por prótese mecânica ou bioprótese) não se aplicam a este cenário, conforme as diretrizes de valvopatias.

A regurgitação mitral (RM) é o refluxo de sangue do ventrículo esquerdo (VE) para o átrio esquerdo durante a sístole, por falha de coaptação dos folhetos valvares. Ela se divide em dois grandes grupos: primária (orgânica), quando a própria valva é anormal — como no prolapso valvar mitral, degeneração mixomatosa, endocardite ou doença reumática — e secundária (funcional), quando a valva é estruturalmente normal, mas o VE dilatado ou disfuncionante distorce o aparelho subvalvar, impedindo a coaptação. Essa distinção é o ponto de partida de toda decisão terapêutica.

A paciente do caso tem prolapso da valva mitral, portanto RM primária degenerativa. Ela está sintomática (dispneia aos esforços, classe funcional II–III), com FEVE de 50% e DSFVE de 4,8 cm — ambos limítrofes, mas dentro da faixa que indica cirurgia. O cateterismo mostrou doença coronariana difusa, leve e não obstrutiva, o que afasta cardiopatia isquêmica como causa da RM e confirma que a lesão é valvar primária.

A indicação de intervenção na RM crônica grave segue critérios bem definidos. Para pacientes sintomáticos com RM grave, a cirurgia valvar é recomendada independentemente da função ventricular. Para pacientes assintomáticos, a cirurgia é indicada quando há disfunção ventricular incipiente: FEVE entre 30% e 60% ou DSFVE ≥ 40 mm, ou aumento progressivo desses parâmetros. A paciente se encaixa nos dois critérios: é sintomática e tem FEVE de 50% com DSFVE de 4,8 cm.

Uma vez indicada a cirurgia, a escolha entre reparo e troca valvar é crucial. Na RM primária, o reparo é sempre preferível quando tecnicamente possível, pois preserva o aparelho valvar nativo, mantém a função ventricular, evita anticoagulação crônica e tem menor mortalidade operatória e melhor sobrevida em longo prazo. No prolapso valvar, especialmente com envolvimento do folheto posterior, a taxa de sucesso do reparo é superior a 95% em centros experientes. A troca valvar fica reservada para casos em que o reparo não é viável (calcificação extensa, destruição valvar por endocardite, anatomia desfavorável).

O reparo percutâneo (transcateter) com clip mitral (MitraClip) é opção para pacientes com risco cirúrgico proibitivo, RM primária moderada a grave, sintomas classe III–IV da NYHA apesar de terapia clínica otimizada, anatomia favorável e expectativa de vida ≥ 2 anos. Não é a primeira escolha para uma paciente com risco cirúrgico aceitável, como a do caso. A valvoplastia mitral por balão é procedimento para estenose mitral, não para regurgitação — em RM, o balão não corrige a falha de coaptação e pode até piorar o refluxo. As próteses mecânica e biológica são opções de troca valvar, indicadas quando o reparo não é possível; a mecânica exige anticoagulação vitalícia e a biológica tem durabilidade limitada, sendo ambas inferiores ao reparo quando este é factível.

A pegadinha da questão está em distinguir o cenário de RM primária com indicação cirúrgica clássica (reparo) das situações em que se consideram alternativas percutâneas ou troca valvar. A banca oferece opções que seriam corretas em outros contextos: o reparo percutâneo para paciente inoperável, a valvoplastia para estenose, e as próteses para quando o reparo falha. O critério decisivo é: RM primária grave + sintomas + função ventricular limítrofe = reparo cirúrgico da valva mitral.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente tem RM primária grave por prolapso valvar, está sintomática (dispneia aos esforços) e apresenta FEVE de 50% com DSFVE de 4,8 cm — critérios de indicação cirúrgica. Na RM primária, o reparo cirúrgico é a técnica de escolha quando possível, pois preserva a valva nativa, evita anticoagulação e tem melhores resultados em longo prazo. O prolapso de folheto posterior tem altíssima taxa de reparabilidade, o que torna o reparo a conduta mais apropriada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O reparo percutâneo (MitraClip) é reservado para pacientes com risco cirúrgico proibitivo, RM primária moderada a grave, sintomas classe III–IV da NYHA apesar de terapia clínica otimizada, anatomia favorável e expectativa de vida ≥ 2 anos. A paciente não é inoperável — não há contraindicação cirúrgica descrita — e o reparo cirúrgico é preferível por ser mais duradouro e definitivo. A banca oferece essa opção para testar se o candidato sabe que a via percutânea é alternativa apenas para quem não pode operar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A valvoplastia mitral por balão é procedimento indicado para estenose mitral, não para regurgitação. Na RM, o balão não corrige a falha de coaptação dos folhetos e pode até agravar o refluxo. A paciente tem regurgitação grave, não estenose — a banca troca o mecanismo da lesão para confundir. O tratamento da RM é cirúrgico (reparo ou troca), nunca por valvoplastia percutânea com balão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A troca valvar por prótese mecânica é opção quando o reparo não é viável, mas não é a primeira escolha na RM primária. A prótese mecânica exige anticoagulação oral vitalícia com risco de sangramento e eventos tromboembólicos, e tem mortalidade operatória maior que o reparo. Como a valva é reparável (prolapso de folheto posterior), o reparo é claramente superior. A banca oferece a troca para testar se o candidato sabe que o reparo é preferível quando possível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A troca valvar por bioprótese também é reservada para casos em que o reparo não é possível. A bioprótese tem durabilidade limitada (10–15 anos) e risco de degeneração estrutural, exigindo reintervenção. Em paciente de 55 anos, a bioprótese seria ainda menos atraente pela necessidade de futuras reoperações. Como o reparo é factível e preferível, a troca — seja mecânica ou biológica — não é a conduta mais apropriada.

Gabarito: letra A — reparo cirúrgico da valva mitral, por ser RM primária grave sintomática com função ventricular limítrofe e valva reparável.

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