Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112890
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Geral
Homem, 55 anos, com antecedentes de hipertensão e hipercolesterolemia comparece ao consultório para avaliação. Refere alguns episódios de dispneia aos esforços nos últimos 12 meses. Atualmente sedentário, está em uso de rosuvastatina 40 mg e valsartana 160 mg por dia. Seu exame físico é normal e seu eletrocardiograma encontra-se ilustrado a seguir. O ecocardiograma mostra função sistólica ventricular esquerda normal com leve remodelamento concêntrico, átrio esquerdo normal e ausência de valvopatias.Captura_de tela 2025-04-03 092344.png 597×376(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)Assinale a alternativa que apresenta a estratégia diagnóstica mais apropriada na condução desse paciente.
  1. ACateterismo cardíaco.
  2. BAngiotomografia de artérias pulmonares.
  3. CTeste ergométrico.
  4. DCintilografia do miocárdio com estresse farmacológico.
  5. ETomografia coronária para escore de cálcio.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Teste ergométrico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estratégia diagnóstica em dispneia aos esforços: teste ergométrico

Gabarito: letra C. O paciente tem 55 anos, hipertenso, dislipidêmico, sedentário, com dispneia aos esforços há 12 meses, ECG e ecocardiograma sem alterações significativas (função sistólica normal, leve remodelamento concêntrico, átrio esquerdo normal, sem valvopatias). Nesse cenário de probabilidade pré-teste intermediária de doença arterial coronariana (DAC), com ECG de repouso normal e capacidade de exercício preservada, o teste ergométrico é a estratégia diagnóstica inicial mais apropriada, conforme as diretrizes de cardiologia. O teste ergométrico é o método não invasivo de primeira linha para investigar isquemia miocárdica em pacientes com risco intermediário, ECG basal normal e que conseguem se exercitar.

A dispneia aos esforços é um sintoma que pode representar equivalente anginoso, especialmente em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular. O paciente em questão tem 55 anos (idade > 55 anos é fator de risco adicional), hipertensão arterial e dislipidemia, o que o coloca em risco cardiovascular intermediário. O ecocardiograma já foi realizado e mostrou função sistólica preservada, excluindo disfunção ventricular como causa da dispneia. O ECG de repouso é normal, sem critérios de sobrecarga de ventrículo esquerdo, bloqueios ou alterações de ST que contraindiquem o teste de esforço. Portanto, o próximo passo lógico é a investigação funcional de isquemia miocárdica.

O teste ergométrico (TE) é o exame de escolha nesse contexto por ser amplamente disponível, de baixo custo e com boa acurácia diagnóstica em pacientes com ECG basal normal e capacidade de exercício preservada. Ele avalia a resposta cardiovascular ao esforço, detectando alterações eletrocardiográficas (infradesnivelamento do segmento ST), sintomas, capacidade funcional e resposta pressórica e cronotrópica. A capacidade de atingir 85% da frequência cardíaca máxima prevista para a idade (FC máx = 220 – idade) é essencial para a validade do exame. Como o paciente é sedentário, mas sem contraindicações ao esforço, o TE é viável e informativo.

A escolha entre os métodos diagnósticos depende da probabilidade pré-teste de DAC, da capacidade de exercício e das alterações do ECG basal. O teste ergométrico é preferível quando o paciente consegue se exercitar e o ECG basal é normal. Já a cintilografia com estresse farmacológico é reservada para pacientes que não conseguem se exercitar ou que têm ECG basal com alterações que comprometem a análise do segmento ST (como bloqueio de ramo esquerdo, sobrecarga de ventrículo esquerdo, uso de digoxina, infra de ST > 1 mm no basal). A angiotomografia de coronárias é útil para excluir DAC em pacientes com risco baixo a intermediário, mas não avalia a repercussão funcional da lesão. O escore de cálcio coronário é um exame de rastreamento de aterosclerose, não indicado como primeira linha para investigar sintomas. O cateterismo cardíaco é invasivo e reservado para casos de alta probabilidade pré-teste ou após teste não invasivo positivo.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o paciente tem probabilidade pré-teste intermediária de DAC e que o teste ergométrico é o método inicial apropriado, mesmo com a disponibilidade de outros exames mais sofisticados. A banca explora a tendência de escolher exames de imagem (cintilografia, angiotomografia) por parecerem mais "modernos", mas a diretriz é clara: em pacientes com ECG normal e capacidade de exercício, o TE é a primeira escolha. O ecocardiograma já foi realizado e não mostrou alterações que justifiquem a dispneia, reforçando a hipótese de DAC como causa provável.

Guarde o critério decisivo: capacidade de exercício + ECG basal normal → teste ergométrico. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

  1. 1ECG normal + consegue exercitar
  2. 2Teste ergométrico
  3. 3ECG alterado ou não exercita
  4. 4Estresse farmacológico
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O cateterismo cardíaco é um exame invasivo, indicado quando há alta probabilidade pré-teste de DAC, sintomas refratários à terapia otimizada, ou após teste não invasivo positivo. Neste paciente, com probabilidade intermediária e sem evidência de isquemia em teste funcional, o cateterismo não é a primeira estratégia diagnóstica. Realizá-lo de imediato seria invasivo e desnecessário, expondo o paciente a riscos sem benefício comprovado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A angiotomografia de artérias pulmonares é indicada para investigar tromboembolismo pulmonar (TEP), não doença arterial coronariana. O paciente não apresenta quadro sugestivo de TEP (sem dor torácica pleurítica, sem hemoptise, sem fatores de risco agudos para tromboembolismo). A dispneia aos esforços, nesse contexto de fatores de risco cardiovascular, aponta para DAC, não para patologia pulmonar vascular. O exame é inadequado para a hipótese diagnóstica principal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O teste ergométrico é a estratégia diagnóstica mais apropriada. O paciente tem probabilidade pré-teste intermediária de DAC, ECG de repouso normal e capacidade de exercício preservada (não há contraindicações ao esforço). O TE avalia a presença de isquemia miocárdica induzida pelo exercício, fornecendo informações diagnósticas e prognósticas. É o método não invasivo de primeira linha nesse cenário, conforme as diretrizes de cardiologia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A cintilografia do miocárdio com estresse farmacológico é indicada quando o paciente não consegue se exercitar ou quando o ECG basal apresenta alterações que comprometem a análise do segmento ST (bloqueio de ramo esquerdo, sobrecarga de ventrículo esquerdo, uso de digoxina, infra de ST > 1 mm no basal). Neste caso, o ECG é normal e o paciente é sedentário, mas não há contraindicação ao exercício. Portanto, o estresse farmacológico não é a primeira escolha; o teste ergométrico é preferível por ser mais fisiológico e fornecer dados adicionais (capacidade funcional, resposta pressórica e cronotrópica).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A tomografia coronária para escore de cálcio é um exame de rastreamento de aterosclerose coronariana, que quantifica a calcificação das artérias. Não é indicado como primeira linha para investigar sintomas como dispneia aos esforços. O escore de cálcio é útil para estratificar risco cardiovascular em pacientes assintomáticos, mas não avalia a repercussão funcional de uma possível lesão obstrutiva. Para o diagnóstico de DAC sintomática, o teste funcional (teste ergométrico) é mais apropriado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a escolher exames de imagem (cintilografia, angiotomografia, escore de cálcio) por parecerem mais "modernos" ou "precisos". No entanto, a diretriz é clara: em paciente com probabilidade pré-teste intermediária, ECG basal normal e capacidade de exercício preservada, o teste ergométrico é a primeira escolha. O estresse farmacológico é reservado para quem não consegue se exercitar ou tem ECG basal alterado. Reconhecer essa indicação é o que separa o acerto do erro.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, identifique o cenário: (1) probabilidade pré-teste de DAC (baixa, intermediária, alta); (2) ECG basal (normal ou alterado); (3) capacidade de exercício (preservada ou não). Se ECG normal + consegue se exercitar → teste ergométrico. Se ECG alterado ou não consegue se exercitar → estresse farmacológico (cintilografia ou ecocardiograma com dobutamina). Se risco baixo e quer excluir DAC anatomicamente → angiotomografia de coronárias. Essa sequência resolve a maioria das questões de estratégia diagnóstica em cardiologia.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu112890