Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112891
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Geral
Em relação às doenças cardiovasculares em pacientes idosos, é correto afirmar que
Aa hipertrofia ventricular esquerda é considerada de bom prognóstico para desfechos cardiovasculares adversos.
Bo tratamento da hipertensão sistólica não reduz a incidência de eventos cardiovasculares futuros.
Ca cardiomiopatia hipertrófica hipertensiva é mais comum em homens.
Da ocorrência de infarto do miocárdio é cerca de 5% maior em pacientes com idade acima de 75 anos, quando comparada com aqueles abaixo de 50 anos.
Eos betabloqueadores oferecem menor proteção contra acidente vascular cerebral do que os agentes anti-hipertensivos de primeira linha.
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GabaritoE — os betabloqueadores oferecem menor proteção contra acidente vascular cerebral do que os agentes anti-hipertensivos de primeira linha.
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Doenças cardiovasculares no idoso: hipertensão, HVE e tratamento
Gabarito: letra E. Os betabloqueadores, embora eficazes na redução da pressão arterial, oferecem menor proteção contra acidente vascular cerebral (AVC) quando comparados aos agentes anti-hipertensivos de primeira linha (diuréticos, IECA, BRA e bloqueadores de canal de cálcio), conforme evidências de metanálises e diretrizes de hipertensão. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou dados incorretos.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares no idoso, e seu tratamento visa reduzir desfechos como AVC, infarto do miocárdio (IAM), insuficiência cardíaca (IC) e mortalidade. A hipertrofia ventricular esquerda (HVE) é uma resposta adaptativa à sobrecarga pressórica crônica, mas, ao contrário do que afirma a alternativa A, ela é um marcador de mau prognóstico, associada a maior risco de IAM, AVC, IC e morte súbita. O tratamento da hipertensão sistólica isolada, comum no idoso, reduz significativamente a incidência de eventos cardiovasculares, contrariando a alternativa B. A cardiomiopatia hipertrófica hipertensiva, que se desenvolve como consequência da HAS crônica, é mais comum em mulheres, especialmente idosas, e não em homens, como afirma a alternativa C. Quanto à alternativa D, o aumento do risco de IAM em pacientes acima de 75 anos é muito maior do que 5% em relação aos abaixo de 50 anos — a incidência é várias vezes superior, refletindo o acúmulo de fatores de risco e a progressão da aterosclerose.
A alternativa E aborda uma diferença importante entre as classes de anti-hipertensivos: embora todas as cinco principais classes (diuréticos, BCC, IECA, BRA e betabloqueadores) reduzam a PA e os desfechos cardiovasculares, os betabloqueadores são menos eficazes na prevenção de AVC. Essa diferença é atribuída, em parte, a mecanismos hemodinâmicos e ao menor efeito sobre a pressão central e a rigidez arterial. Por isso, as diretrizes atuais não recomendam betabloqueadores como terapia de primeira linha para hipertensão não complicada, reservando-os para situações específicas como pós-IAM, angina e IC com fração de ejeção reduzida.
Para fixar o contraste entre as classes, veja a tabela:
Classe
Eficácia na redução de AVC
Indicação preferencial
Diuréticos, IECA, BRA, BCC
Alta (proteção robusta)
Primeira linha na HAS não complicada
Betabloqueadores
Menor (proteção inferior)
Pós-IAM, angina, IC com FE reduzida, controle de FC
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca apresenta a HVE como bom prognóstico (quando é mau), o tratamento como ineficaz (quando é eficaz), a epidemiologia da cardiomiopatia hipertrófica hipertensiva (mais comum em mulheres) e um percentual absurdo de 5% para o aumento do risco de IAM. A alternativa E, por sua vez, exige conhecimento específico sobre a diferença de proteção entre as classes de anti-hipertensivos.
Anti-hipertensivos e proteção contra AVC
1Primeira linha (proteção alta)
Diuréticos
IECA
BRA
Bloqueadores de canal de cálcio
2Betabloqueadores (proteção menor)
Não são 1ª linha na HAS não complicada
Indicações específicas
Pós-IAM
Angina
IC com FE reduzida
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hipertrofia ventricular esquerda é um marcador de mau prognóstico, não de bom. Ela reflete dano em órgão-alvo da HAS e está associada a maior risco de eventos cardiovasculares adversos, incluindo IAM, AVC, IC e morte súbita. A regressão da HVE com o tratamento é desejável e indica melhora prognóstica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tratamento da hipertensão sistólica isolada, especialmente no idoso, reduz significativamente a incidência de eventos cardiovasculares, incluindo AVC, IAM e IC. Estudos como o SHEP e o HYVET demonstraram benefício claro do tratamento anti-hipertensivo nessa população.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cardiomiopatia hipertrófica hipertensiva é mais comum em mulheres, particularmente idosas, e não em homens. A HAS crônica leva à HVE concêntrica, que é mais prevalente no sexo feminino, possivelmente por diferenças hormonais e de resposta ao estresse pressórico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O aumento do risco de IAM em pacientes acima de 75 anos é muito maior do que 5% em relação aos abaixo de 50 anos. A incidência de IAM aumenta exponencialmente com a idade, sendo várias vezes superior nos idosos, refletindo o acúmulo de fatores de risco e a progressão da doença aterosclerótica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os betabloqueadores oferecem menor proteção contra AVC do que os agentes anti-hipertensivos de primeira linha (diuréticos, IECA, BRA e BCC). Embora reduzam a PA, seu efeito na prevenção de AVC é inferior, o que os coloca como segunda linha na HAS não complicada, sendo preferidos em condições como pós-IAM, angina e IC com fração de ejeção reduzida.