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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112892
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Geral
Mulher, 52 anos, é internada com desconforto no peito. Ela refere episódios de desconforto no peito, à noite, que duram entre 4 e 5 min. A paciente tem histórico de hipertensão arterial sistêmica e Fenômeno de Raynaud. Encontra-se em uso de valsartana 160 mg e sildenafila 20 mg, diariamente. É tabagista, tendo fumado um maço de cigarros por dia durante os últimos 20 anos. Na admissão, exame físico: PA: 130 x 80 mmHg e FC: 88 bpm. Durante sua primeira noite no hospital, apresentou desconforto torácico espontâneo com elevação transitória de ST observada nas derivações inferiores. Foi realizado cateterismo cardíaco que evidenciou artérias coronárias saudáveis.Além da cessação do tabagismo, qual das seguintes opções seria a mais apropriada para o tratamento dessa paciente?
  1. AMononitrato de isossorbida 40 mg/dia.
  2. BAAS 81 mg/dia.
  3. CPropranolol 20 mg 8/8 horas.
  4. DDiltiazem 240 mg/dia.
  5. ETrimetazidina 35 mg/dia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Diltiazem 240 mg/dia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Angina variante (Prinzmetal) e o papel dos bloqueadores de canal de cálcio

Gabarito: letra D. A paciente apresenta angina variante (de Prinzmetal), caracterizada por dor torácica em repouso com elevação transitória do segmento ST e coronárias angiograficamente normais, sendo o tratamento de escolha os bloqueadores de canal de cálcio, como o diltiazem. A alternativa D é a única que contempla essa classe terapêutica, indicada para prevenir o espasmo coronariano.

A angina variante, também chamada de angina de Prinzmetal ou angina vasoespástica, é uma forma de angina que ocorre tipicamente em repouso, frequentemente à noite, e é causada por espasmo de uma artéria coronária, e não por obstrução fixa por aterosclerose. O diagnóstico é sugerido pela tríade clássica: dor em repouso, elevação transitória do segmento ST durante o episódio e artérias coronárias sem lesões obstrutivas significativas ao cateterismo. No caso apresentado, a paciente tem todos esses elementos: desconforto noturno, elevação de ST nas derivações inferiores e coronárias saudáveis. Além disso, o fenômeno de Raynaud e o tabagismo são fatores associados ao vasoespasmo, reforçando o diagnóstico.

O mecanismo fisiopatológico central é o espasmo coronariano, que reduz abruptamente o fluxo sanguíneo, causando isquemia miocárdica transitória. O tratamento visa prevenir o espasmo, e os bloqueadores de canal de cálcio são a primeira linha, pois promovem vasodilatação coronariana. Os nitratos também são úteis, mas os bloqueadores de canal de cálcio são considerados a terapia de manutenção preferencial. Os betabloqueadores, como o propranolol, podem ser prejudiciais, pois podem agravar o vasoespasmo ao deixar a vasoconstrição alfa-adrenérgica sem oposição. A trimetazidina é um agente anti-isquêmico citoprotetor, mas não trata diretamente o espasmo. O AAS é usado na prevenção de eventos aterotrombóticos, mas não é a terapia específica para o vasoespasmo.

A distinção crucial é entre angina estável (causada por placa aterosclerótica fixa, desencadeada por esforço) e angina variante (causada por espasmo, em repouso). Enquanto a angina estável responde a nitratos e betabloqueadores, a angina variante tem como pilar os bloqueadores de canal de cálcio. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar em tratamento de síndrome coronariana aguda ou angina estável, mas o quadro clínico aponta claramente para vasoespasmo.

Guarde a fronteira entre angina estável e angina variante: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de elevação transitória de ST com coronárias normais é a chave para identificar o espasmo e escolher o bloqueador de canal de cálcio.

1Tríade clássica
Dor em repouso
Elevação transitória de ST
Coronárias normais
2Mecanismo
Espasmo coronariano
3Tratamento
Bloqueador de canal de cálcio (diltiazem)
Nitratos (alívio agudo)
Betabloqueador (piora o espasmo)
AAS (não trata espasmo)
Trimetazidina (não trata espasmo)
Angina variante (Prinzmetal)
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Angina variante (Prinzmetal): Tríade clássica (Dor em repouso, Elevação transitória de ST, Coronárias normais); Mecanismo (Espasmo coronariano); Tratamento (Bloqueador de canal de cálcio (diltiazem), Nitratos (alívio agudo), Betabloqueador (piora o espasmo), AAS (não trata espasmo), Trimetazidina (não trata espasmo))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O mononitrato de isossorbida é um nitrato de ação prolongada, útil na angina estável e também pode ser usado na angina variante, mas não é a primeira escolha isolada. Os nitratos aliviam o espasmo agudo, mas os bloqueadores de canal de cálcio são preferidos para prevenção de longo prazo. Além disso, o uso crônico de nitratos pode levar a tolerância, e a alternativa D é mais apropriada como terapia de manutenção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O AAS é antiagregante plaquetário, indicado na prevenção de eventos aterotrombóticos em doença arterial coronariana aterosclerótica. Na angina variante, o mecanismo é vasoespasmo, não trombose sobre placa, portanto o AAS não é a terapia específica. Embora possa ser usado como prevenção secundária, não trata o espasmo coronariano.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O propranolol é um betabloqueador não seletivo. Na angina variante, os betabloqueadores podem ser prejudiciais, pois ao bloquear os receptores beta, deixam a vasoconstrição mediada por receptores alfa sem oposição, podendo piorar o vasoespasmo. Portanto, é contraindicado nesse cenário.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O diltiazem é um bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico, que promove vasodilatação coronariana e é a primeira linha no tratamento da angina variante. Ele previne o espasmo coronariano, reduzindo a frequência e a gravidade dos episódios. A dose de 240 mg/dia é uma dose de manutenção adequada. Além disso, o diltiazem pode ser benéfico por reduzir a frequência cardíaca, o que é favorável em paciente com FC de 88 bpm.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A trimetazidina é um agente anti-isquêmico que atua na citoproteção miocárdica, otimizando o metabolismo energético do coração. Ela é usada como terapia adjuvante na angina estável, mas não tem efeito direto sobre o espasmo coronariano, não sendo a escolha apropriada para angina variante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre angina estável e angina variante. O candidato pode ser levado a escolher nitrato (A) ou betabloqueador (C), que são opções para angina estável, mas o quadro de dor em repouso com elevação de ST e coronárias normais aponta para vasoespasmo, cujo tratamento é bloqueador de canal de cálcio. Fique atento a essa tríade clássica.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar na prova, lembre-se: angina variante = dor em repouso + elevação de ST + coronárias normais → tratar com bloqueador de canal de cálcio. Angina estável = dor aos esforços + infradesnivelamento de ST + coronárias com placa → tratar com nitratos e betabloqueadores.

Gabarito: letra D

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