Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112895
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Pediátrica
Considere a imagem a seguir.(Arquivo pessoal; imagens usadas com autorização)Essa é uma angiocoronariografia realizada por um paciente. Assinale a alternativa que indica, corretamente, qual é o diagnóstico etiológico e qual é o tratamento que deveria ser instituído na suspeita diagnóstica.
ADoença de Kawasaki e ácido acetilsalicílico.
BArterite de Takayasu e enoxaparina.
CFistula coronário-cavitária e oclusão percutânea.
DOrigem anômala de artéria coronária esquerda de artéria pulmonar e cirurgia de by-pass com a artéria torácica interna esquerda.
EDoença de Kawasaki e imunoglobulina humana.
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GabaritoE — Doença de Kawasaki e imunoglobulina humana.
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Doença de Kawasaki: diagnóstico angiográfico e tratamento
Gabarito: letra E. A imagem mostra aneurismas coronarianos, achado clássico da fase crônica da doença de Kawasaki, e o tratamento na suspeita diagnóstica é a imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) associada a ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses. A alternativa E é a única que combina corretamente o diagnóstico etiológico com a terapêutica de primeira linha.
A doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda, de etiologia desconhecida, que acomete predominantemente crianças menores de 5 anos. Seu principal alvo são as artérias coronárias, podendo levar à formação de aneurismas, que são a complicação mais temida e a principal causa de cardiopatia adquirida na infância em países desenvolvidos. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em febre persistente por mais de 5 dias associada a pelo menos 4 dos 5 critérios clínicos principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações em mucosas (lábios, cavidade oral), alterações em extremidades (eritema, edema, descamação), exantema polimorfo e linfonodomegalia cervical. Na fase crônica, quando a criança já não apresenta os sintomas agudos, a angiocoronariografia pode revelar os aneurismas coronarianos, que são a sequela da vasculite. O tratamento na fase aguda, que é o que se institui na suspeita diagnóstica, consiste na administração de imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) em dose única de 2 g/kg, associada a ácido acetilsalicílico (AAS) em dose anti-inflamatória (80-100 mg/kg/dia) durante a fase febril, e posteriormente em dose antiagregante (3-5 mg/kg/dia) por pelo menos 6-8 semanas se não houver aneurismas, ou indefinidamente se houver. A IGIV reduz a incidência de aneurismas coronarianos de cerca de 25% para menos de 5% quando administrada precocemente. O AAS isolado, sem IGIV, não é o tratamento padrão na suspeita diagnóstica, pois não reduz a formação de aneurismas. A alternativa A, que propõe apenas AAS, está incorreta por omitir a IGIV, que é o pilar do tratamento. A alternativa B, arterite de Takayasu, é uma vasculite de grandes vasos que acomete a aorta e seus ramos, mais comum em mulheres jovens, e o tratamento com enoxaparina não é específico. A alternativa C, fístula coronário-cavitária, é uma comunicação anômala entre uma artéria coronária e uma câmara cardíaca ou vaso, e o tratamento pode ser cirúrgico ou percutâneo, mas não é o caso da imagem. A alternativa D, origem anômala de artéria coronária esquerda de artéria pulmonar, é uma cardiopatia congênita grave que pode causar isquemia miocárdica e morte súbita, e o tratamento é cirúrgico, mas não é o caso da imagem. A imagem mostra aneurismas coronarianos, que são a marca registrada da doença de Kawasaki na fase crônica. Portanto, a alternativa E é a correta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A doença de Kawasaki é o diagnóstico correto, mas o tratamento com apenas ácido acetilsalicílico (AAS) está incompleto e incorreto. O AAS é usado, mas sempre em associação com a imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) na fase aguda. O AAS isolado não reduz a incidência de aneurismas coronarianos, que é o principal objetivo do tratamento. A IGIV é o pilar do tratamento, e o AAS é um adjuvante. Portanto, a alternativa A erra ao omitir a IGIV.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A arterite de Takayasu é uma vasculite de grandes vasos que acomete a aorta e seus ramos, mais comum em mulheres jovens, e não causa aneurismas coronarianos isolados como na imagem. O tratamento com enoxaparina não é específico para essa condição, que é tratada com corticosteroides e imunossupressores. A imagem mostra aneurismas coronarianos, que são típicos da doença de Kawasaki, não da arterite de Takayasu.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A fístula coronário-cavitária é uma comunicação anômala entre uma artéria coronária e uma câmara cardíaca ou vaso, que pode ser diagnosticada por angiografia, mas a imagem mostra aneurismas coronarianos, não uma fístula. O tratamento da fístula pode ser cirúrgico ou percutâneo, mas não é o caso da imagem. A alternativa C erra ao diagnosticar uma fístula onde há aneurismas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A origem anômala de artéria coronária esquerda de artéria pulmonar é uma cardiopatia congênita grave que pode causar isquemia miocárdica e morte súbita, e o tratamento é cirúrgico, mas a imagem mostra aneurismas coronarianos, não uma origem anômala. A alternativa D erra ao diagnosticar uma origem anômala onde há aneurismas.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A imagem mostra aneurismas coronarianos, que são a marca registrada da doença de Kawasaki na fase crônica. O tratamento na suspeita diagnóstica é a imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) em dose única de 2 g/kg, associada a ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses. A IGIV reduz a incidência de aneurismas coronarianos de cerca de 25% para menos de 5% quando administrada precocemente. A alternativa E é a única que combina corretamente o diagnóstico etiológico com a terapêutica de primeira linha.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a imagem mostrar aneurismas coronarianos em uma criança, pense imediatamente em doença de Kawasaki. O tratamento é IGIV + AAS, nunca AAS isolado. Lembre-se: a IGIV é o pilar do tratamento, e o AAS é adjuvante.