Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112901
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Pediátrica
Considere a imagem a seguir.(Arquivo pessoal; imagens usadas com autorização)Essa radiografia de tórax diz respeito a qual cardiopatia congênita?
ACoarctação de aorta.
BEstenose valvar pulmonar.
CComunicação interatrial.
DInsuficiência mitral.
EEstenose de artéria pulmonar direita.
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GabaritoC — Comunicação interatrial.
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Radiografia de tórax em cardiopatias congênitas
Gabarito: letra C. A radiografia de tórax descrita — com aumento da área cardíaca, evidente dilatação do tronco da artéria pulmonar e diminuição da vasculatura pulmonar periférica — é o padrão clássico da comunicação interatrial (CIA), uma cardiopatia congênita acianótica com hiperfluxo pulmonar. O achado radiológico que decide a questão é a dilatação do tronco da artéria pulmonar com oligemia periférica, que aponta para o shunt esquerda-direita atrial, não para as demais alternativas.
A comunicação interatrial (CIA) é uma das cardiopatias congênitas mais comuns, correspondendo a 6–10% de todos os defeitos cardíacos congênitos, com prevalência de 1 a cada 1.500 nascidos vivos. O defeito permite a passagem de sangue do átrio esquerdo para o átrio direito (shunt esquerda-direita), aumentando o fluxo sanguíneo pulmonar. Esse hiperfluxo crônico leva a alterações radiológicas características: cardiomegalia (pelo aumento das câmaras direitas), dilatação do tronco da artéria pulmonar e, nos casos mais avançados, aumento da trama vascular pulmonar central com diminuição da vasculatura periférica — o chamado padrão de "hiperfluxo pulmonar".
Na radiografia de tórax, o que se observa na CIA é justamente o oposto do que ocorre nas cardiopatias com hipofluxo pulmonar (como a tetralogia de Fallot): enquanto estas mostram uma silhueta cardíaca em "bota" com campos pulmonares oligêmicos, a CIA apresenta coração aumentado, arco médio proeminente (pela dilatação do tronco pulmonar) e aumento da vascularização pulmonar. O achado de dilatação do tronco da artéria pulmonar é um marcador importante de hipertensão pulmonar ou de hiperfluxo, sendo típico de shunts esquerdos-direitos como CIA, comunicação interventricular (CIV) e persistência do canal arterial (PCA).
A distinção entre as cardiopatias que cursam com hiperfluxo pulmonar e as que cursam com hipofluxo é o ponto central da questão. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que decora apenas o nome das cardiopatias, sem associar o padrão radiológico, tende a errar. A CIA é a única alternativa que classicamente apresenta dilatação do tronco da artéria pulmonar com aumento da trama vascular pulmonar, enquanto a coarctação de aorta tem como marca o sinal do "3" e os entalhes costais, e a estenose valvar pulmonar cursa com hipofluxo pulmonar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o padrão radiológico da CIA (hiperfluxo pulmonar com dilatação do tronco da artéria pulmonar) pelo padrão de outras cardiopatias. A estenose valvar pulmonar, por exemplo, também pode dilatar o tronco pulmonar, mas cursa com diminuição da vasculatura pulmonar periférica (hipofluxo), não com aumento. Fique atento: na CIA, o que chama atenção é o aumento da trama vascular pulmonar, reflexo do shunt esquerda-direita.
Cardiopatias congênitas
1Hiperfluxo pulmonar (shunt E-D)
CIA
Cardiomegalia
Dilatação do tronco pulmonar
Aumento da trama vascular
CIV
PCA
2Hipofluxo pulmonar
Tetralogia de Fallot
Coração em "bota"
Campos oligêmicos
Estenose valvar pulmonar
Dilatação pós-estenótica
Diminuição da vasculatura periférica
3Coarctação de aorta
Sinal do "3"
Entalhes costais
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A coarctação de aorta tem como achado radiológico clássico o sinal do "3" (duplo contorno na região da aorta descendente) e os entalhes costais (erosões causadas pelas artérias colaterais intercostais dilatadas). O coração pode estar normal ou discretamente aumentado, mas não há dilatação do tronco da artéria pulmonar nem padrão de hiperfluxo pulmonar. A alternativa confunde o padrão radiológico da coarctação com o da CIA.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A estenose valvar pulmonar pode causar dilatação do tronco da artéria pulmonar (pós-estenótica), mas cursa com diminuição da vasculatura pulmonar periférica (hipofluxo), não com aumento. O achado de oligemia pulmonar periférica é o oposto do que se espera na CIA, que apresenta hiperfluxo. A alternativa troca o padrão de fluxo pulmonar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A comunicação interatrial (CIA) é a cardiopatia que melhor explica o conjunto de achados: aumento da área cardíaca (cardiomegalia por sobrecarga de volume das câmaras direitas), evidente dilatação do tronco da artéria pulmonar (pelo hiperfluxo pulmonar) e diminuição da vasculatura pulmonar periférica (nos casos avançados, com hipertensão pulmonar). O shunt esquerda-direita atrial aumenta o fluxo pulmonar, e a radiografia reflete exatamente esse padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A insuficiência mitral é uma valvopatia adquirida, não uma cardiopatia congênita. Na radiografia, cursa com aumento do átrio esquerdo e do ventrículo esquerdo, podendo haver sinais de congestão pulmonar (redistribuição vascular, linhas B de Kerley), mas não há dilatação do tronco da artéria pulmonar como achado dominante nem o padrão de hiperfluxo pulmonar da CIA. A alternativa foge do escopo de "cardiopatia congênita" e do padrão radiológico descrito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A estenose de artéria pulmonar direita é uma lesão rara e localizada, que não produz o padrão radiológico difuso descrito. Não causa dilatação do tronco da artéria pulmonar de forma proeminente nem o padrão de hiperfluxo pulmonar da CIA. A alternativa é um distrator anatômico, sem correlação com os achados da imagem.
Gabarito: letra C — a radiografia descrita é típica de comunicação interatrial, com cardiomegalia, dilatação do tronco da artéria pulmonar e diminuição da vasculatura pulmonar periférica.