Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112902
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Pediátrica
Paciente de 1 ano e 1 mês veio encaminhada, via CROSS, por cardiopatia congênita. A avó refere que a criança, desde os 2 meses de idade, fica com a boca roxa quando chora. Lembra de ter levado a uma UPA, sendo auscultado um sopro na ocasião e aferida saturação periférica de oxigênio em ar ambiente de 98%. Avó refere, também, sudorese importante e cansaço às mamadas com dificuldade de ganho pondo-estatural, além de infecções respiratórias frequentes.(Arquivo pessoal; imagens usadas com autorização)Diante do exposto, o diagnóstico correto é:
Atronco arterial comum.
Bcomunicação interatrial e valva aórtica bicúspide.
Cestenose valvar pulmonar com valva pulmonar bicúspide.
Dcomunicação interventricular e valva aórtica bicúspide.
Einterrupção do arco aórtico.
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GabaritoD — comunicação interventricular e valva aórtica bicúspide.
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Cardiopatias congênitas: CIV e valva aórtica bicúspide
Gabarito: letra D. O quadro clínico — cianose apenas ao choro (saturação normal em repouso), sopro, sudorese e cansaço às mamadas, dificuldade de ganho pondero-estatural e infecções respiratórias de repetição — é clássico de comunicação interventricular (CIV) com hiperfluxo pulmonar, e a associação com valva aórtica bicúspide é uma combinação bem descrita na literatura de cardiopatias congênitas. A comunicação interventricular é o defeito cardíaco congênito mais comum. Caracteriza-se por um orifício no septo interventricular que permite a passagem de sangue do ventrículo esquerdo (maior pressão) para o ventrículo direito. O achado auscultatório típico é um sopro holossistólico, intenso e rude, com frêmito, na borda esternal esquerda, irradiando para axila e dorso. Nos primeiros dias de vida, o sopro pode estar ausente devido às altas pressões pulmonares, mas com a queda da resistência vascular pulmonar, o shunt esquerda-direita se estabelece e o sopro aparece — o que explica o início dos sintomas por volta dos 2 meses de idade, como no caso. A valva aórtica bicúspide é a malformação cardíaca congênita mais comum, ocorrendo em 1 a 2% da população, com predomínio no sexo masculino. Embora seja tipicamente uma lesão isolada, pode estar associada a outros defeitos, como coarctação da aorta e CIV — exatamente a associação presente na alternativa correta. A valva bicúspide predispõe a estenose aórtica e regurgitação aórtica ao longo da vida, além de dilatação da aorta ascendente. A cianose apenas ao choro é um dado semiológico importante. Na CIV isolada, o shunt é predominantemente esquerda-direita, e a cianose não é esperada em repouso. Durante o choro, o aumento da pressão intratorácica e a manobra de Valsalva podem aumentar a pressão no ventrículo direito, favorecendo um shunt transitório direita-esquerda e causando cianose perioral. Esse achado contrasta com cardiopatias cianóticas fixas, como a tetralogia de Fallot, em que a cianose é constante ou ocorre em crises paroxísticas. A sudorese e o cansaço às mamadas são manifestações de insuficiência cardíaca congestiva na criança. O hiperfluxo pulmonar decorrente do shunt esquerda-direita aumenta o trabalho respiratório e cardíaco, levando à fadiga durante a alimentação, baixo ganho de peso e infecções respiratórias de repetição — o quadro exatamente descrito no enunciado. O edema é manifestação tardia em crianças, sendo precedido por taquipneia, taquicardia e hepatomegalia. A saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente é um dado crucial que praticamente exclui as cardiopatias cianóticas fixas (tronco arterial comum, tetralogia de Fallot, interrupção do arco aórtico com circulação dependente do canal). Na CIV isolada, a saturação é normal em repouso, pois o shunt é esquerda-direita. Esse dado, somado à ausência de sopro contínuo em maquinaria (que afastaria a persistência do canal arterial), direciona o diagnóstico para um defeito septal com hiperfluxo pulmonar. Guarde a fronteira entre cardiopatias acianóticas com hiperfluxo pulmonar (CIV, CIA, PCA) e cardiopatias cianóticas (tetralogia de Fallot, tronco arterial, atresia pulmonar): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
sopro sistólico de ejeção, desdobramento fixo de B2
PCA (sopro contínuo em maquinaria)
2Cianóticas (saturação baixa em repouso)
Tetralogia de Fallot
Tronco arterial comum
Atresia pulmonar
Interrupção do arco aórtico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O tronco arterial comum é uma cardiopatia cianótica grave, em que um único tronco arterial emerge do coração, dando origem à aorta, à artéria pulmonar e às coronárias. Os pacientes apresentam cianose desde o nascimento ou nos primeiros dias de vida, frequentemente com insuficiência cardíaca precoce. A saturação de 98% em ar ambiente, como no caso, é incompatível com essa malformação, que cursa com mistura de sangue sistêmico e pulmonar e hipoxemia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A comunicação interatrial (CIA) é uma cardiopatia acianótica, mas geralmente assintomática na infância, com sopro sistólico de ejeção no foco pulmonar e desdobramento fixo de B2. Não costuma causar sudorese, cansaço às mamadas e infecções respiratórias de repetição na primeira infância, a menos que seja um defeito muito grande. A associação com valva aórtica bicúspide é possível, mas o quadro clínico de hiperfluxo pulmonar significativo com sintomas desde os 2 meses é muito mais típico de CIV.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A estenose valvar pulmonar é uma cardiopatia obstrutiva que pode cursar com sopro sistólico de ejeção rude no foco pulmonar, mas não causa hiperfluxo pulmonar nem infecções respiratórias de repetição. A cianose ao choro não é característica, a menos que haja forame oval patente com shunt direita-esquerda em estenose grave. A associação com valva pulmonar bicúspide é possível, mas o quadro clínico de insuficiência cardíaca com sudorese e cansaço às mamadas aponta para um defeito com shunt esquerda-direita, não para uma obstrução.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A comunicação interventricular (CIV) é o defeito cardíaco congênito mais comum e explica perfeitamente o quadro: sopro holossistólico na borda esternal esquerda, hiperfluxo pulmonar com sudorese e cansaço às mamadas, dificuldade de ganho pondero-estatural e infecções respiratórias de repetição. A valva aórtica bicúspide é uma associação bem descrita com a CIV, como mencionado na literatura. A saturação de 98% em repouso é compatível, pois o shunt é predominantemente esquerda-direita, e a cianose ao choro ocorre por aumento transitório da pressão no ventrículo direito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A interrupção do arco aórtico é uma cardiopatia grave e cianótica, geralmente com circulação sistêmica dependente do canal arterial. Os pacientes apresentam cianose diferencial (saturação normal nos membros superiores e baixa nos inferiores), pulsos femorais diminuídos ou ausentes e colapso cardiovascular nas primeiras semanas de vida, quando o canal arterial se fecha. A saturação de 98% em ar ambiente e a ausência de sinais de choque ou má perfusão sistêmica tornam esse diagnóstico improvável.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre cardiopatias acianóticas com hiperfluxo pulmonar (CIV, CIA, PCA) e cardiopatias cianóticas (tronco arterial, tetralogia de Fallot, interrupção do arco aórtico). O dado-chave é a saturação de 98% em repouso: isso praticamente exclui as cianóticas. A cianose ao choro é um achado que pode ocorrer na CIV por shunt transitório direita-esquerda, mas não indica cianose fixa. Fique atento: a banca adora trocar a CIV pela tetralogia de Fallot ou pelo tronco arterial, que cursam com cianose persistente. 💡 Dica: Para diferenciar as cardiopatias congênitas na prova, monte um fluxograma mental: (1) Cianose fixa? → tetralogia de Fallot, tronco arterial, atresia pulmonar, interrupção do arco aórtico. (2) Saturação normal em repouso + sopro + hiperfluxo pulmonar? → CIV, CIA, PCA. (3) Sopro contínuo em maquinaria? → PCA. (4) Sopro holossistólico na borda esternal esquerda? → CIV. (5) Sopro sistólico de ejeção no foco pulmonar com desdobramento fixo de B2? → CIA. Com esse esquema, você elimina as alternativas erradas rapidamente.
Gabarito: letra D — comunicação interventricular e valva aórtica bicúspide.