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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112906
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Pediátrica
Descrição cirúrgica de recém-nascido de 11 dias de vida e sexo masculino: esternotomia mediana; abertura por planos; timo muito grande; timectomia; dissecção de tronco braquiocefálico; tronco fino com 3 mm de diâmetro; dissecção da artéria pulmonar direita, fina, com 3 mm; instalada circulação extracorpórea com canulação de aorta e átrio direito; deixado em normotermia; realizada anastomose de PTFe de 3 mm em tronco braquiocefálico; realizada anastomose de PTFe em artéria pulmonar direita; saída de circulação extracorpórea em ritmo sinusal; saturação de saída igual a 83%; hemostasia rigorosa; fechamento apenas de pele; deixado dreno pleural mediastinal (tórax direito para mediastino) e fio de marca-passo em ventrículo direito.Tal descrição cirúrgica refere-se a qual operação?
  1. ABlalock-Taussig modificado.
  2. BNorwood modificado.
  3. CIstmoplastia aórtica.
  4. DCorreção de divertículo de Kommerel.
  5. EArterioplastia pulmonar.
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GabaritoA — Blalock-Taussig modificado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Blalock-Taussig modificado: a fístula sistêmico-pulmonar clássica

Gabarito: letra A. A descrição cirúrgica — anastomose de um tubo de PTFE de 3 mm entre o tronco braquiocefálico e a artéria pulmonar direita, em recém-nascido com saturação de saída de 83% — corresponde ao Blalock-Taussig modificado, uma fístula sistêmico-pulmonar que cria um shunt para aumentar o fluxo sanguíneo pulmonar em cardiopatias congênitas cianóticas. O procedimento é uma técnica consagrada da cirurgia cardiovascular pediátrica, e a identificação se dá pelos elementos anatômicos e pelo material protético descritos.

O Blalock-Taussig (BT) é uma operação paliativa que estabelece uma comunicação entre a circulação sistêmica e a pulmonar, desviando parte do sangue para os pulmões. Na versão modificada, essa comunicação é feita com um tubo de politetrafluoretileno expandido (PTFE), também chamado de Gore-Tex, interposto entre um vaso sistêmico — geralmente a artéria subclávia, mas também o tronco braquiocefálico — e a artéria pulmonar. A versão original, descrita por Blalock e Taussig em 1945, utilizava a anastomose direta da artéria subclávia na artéria pulmonar, sem interposição de prótese.

O objetivo do procedimento é aumentar o fluxo sanguíneo pulmonar em pacientes com cardiopatias congênitas cianóticas, como a tetralogia de Fallot, a atresia pulmonar e a atresia tricúspide. Nesses casos, o fluxo pulmonar é insuficiente, resultando em hipoxemia. Ao criar um shunt sistêmico-pulmonar, o BT modificado melhora a oxigenação e permite o crescimento das artérias pulmonares, preparando o paciente para uma correção definitiva futura.

A descrição cirúrgica apresentada é rica em detalhes que confirmam o diagnóstico. A timectomia é realizada para melhor exposição dos grandes vasos. A dissecção do tronco braquiocefálico e da artéria pulmonar direita identifica os vasos que serão anastomosados. A canulação da aorta e do átrio direito estabelece a circulação extracorpórea, que pode ser utilizada para estabilidade hemodinâmica durante o procedimento. A anastomose de PTFE de 3 mm entre esses vasos é o passo central da operação. A saturação de saída de 83% reflete a melhora da oxigenação após a criação do shunt, embora ainda abaixo do normal, o que é esperado em um paciente com cardiopatia cianótica. O fechamento apenas de pele e a colocação de dreno mediastinal e fio de marca-passo são condutas pós-operatórias comuns.

A distinção entre o BT modificado e outras operações é crucial. O Norwood é um procedimento complexo para o tratamento da síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, que envolve a reconstrução do arco aórtico e a criação de uma nova aorta. A istmoplastia é uma correção da coarctação da aorta, um estreitamento do arco aórtico. O divertículo de Kommerell é uma anomalia do arco aórtico que pode comprimir o esôfago e a traqueia. A arterioplastia pulmonar é um procedimento para alargar artérias pulmonares estreitadas. Nenhuma dessas operações envolve a criação de uma fístula sistêmico-pulmonar com PTFE, que é a marca registrada do BT modificado.

A pegadinha da banca está em exigir o reconhecimento do procedimento a partir da descrição cirúrgica, sem mencionar o nome da operação. O candidato precisa identificar os elementos-chave: o uso de PTFE, a anastomose entre um vaso sistêmico e a artéria pulmonar, e o contexto de um recém-nascido com hipoxemia. A presença do tronco braquiocefálico como vaso sistêmico é uma variação anatômica, mas o princípio do shunt é o mesmo. Guarde a essência: BT modificado = tubo de PTFE entre vaso sistêmico e artéria pulmonar.

  1. 1Timectomia (exposição)
  2. 2Dissecção dos vasos
  3. 3CEC (canulação)
  4. 4Anastomose PTFE 3mm
  5. 5Shunt sistêmico-pulmonar
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A descrição cirúrgica corresponde exatamente ao Blalock-Taussig modificado. A anastomose de um tubo de PTFE de 3 mm entre o tronco braquiocefálico (vaso sistêmico) e a artéria pulmonar direita (vaso pulmonar) é a técnica clássica para criar um shunt sistêmico-pulmonar. O contexto de recém-nascido com saturação de 83% reforça o objetivo de aumentar o fluxo pulmonar em uma cardiopatia cianótica. A timectomia, a canulação para circulação extracorpórea e o fechamento apenas de pele são detalhes compatíveis com o procedimento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O Norwood modificado é um procedimento paliativo para a síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, que envolve a reconstrução do arco aórtico, a criação de uma neoaorta e a implantação de um shunt sistêmico-pulmonar (geralmente um BT modificado). No entanto, a descrição não menciona a reconstrução do arco aórtico, a atriosseptectomia ou a anastomose da aorta com o tronco pulmonar, que são etapas essenciais do Norwood. A descrição é muito mais simples e focada na criação de um shunt, sem os passos complexos do Norwood.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A istmoplastia aórtica é uma correção cirúrgica da coarctação da aorta, um estreitamento do arco aórtico. O procedimento envolve a ressecção do segmento estreitado e a anastomose término-terminal ou o alargamento com um remendo. A descrição não menciona a aorta, a coarctação ou a anastomose aórtica. Em vez disso, foca na criação de um shunt entre o tronco braquiocefálico e a artéria pulmonar, o que não faz parte da istmoplastia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O divertículo de Kommerell é uma anomalia do arco aórtico em que há um divertículo na origem de uma artéria subclávia aberrante, que pode comprimir o esôfago e a traqueia. A correção cirúrgica envolve a ressecção do divertículo e a reimplantação da artéria subclávia. A descrição não menciona o divertículo, a artéria subclávia aberrante ou a compressão de estruturas mediastinais. O procedimento descrito é um shunt sistêmico-pulmonar, não uma correção de anomalia do arco aórtico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A arterioplastia pulmonar é um procedimento para alargar artérias pulmonares estreitadas, geralmente com o uso de um remendo de pericárdio ou material sintético. A descrição menciona a dissecção da artéria pulmonar direita, mas o objetivo não é alargá-la, e sim anastomosá-la a um vaso sistêmico através de um tubo de PTFE. A arterioplastia não envolve a criação de um shunt sistêmico-pulmonar, que é o elemento central da descrição.

Gabarito: letra A

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