Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu112909
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cardiologia Pediátrica
A seguinte imagem de angiotomografia evidencia qual cardiopatia congênita?Dado: VCS = veia cava superior.(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)
ADrenagem anômala total de veias pulmonares infradiafragmática.
BDrenagem anômala total de veias pulmonares supracardíaca.
CDrenagem anômala de veia cava inferior em veia cava superior.
DFístula arteriovenosa pulmonar.
ESíndrome da cimitarra.
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GabaritoB — Drenagem anômala total de veias pulmonares supracardíaca.
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Drenagem Anômala Total das Veias Pulmonares (DATVP)
Gabarito: letra B. A imagem de angiotomografia evidencia uma drenagem anômala total das veias pulmonares supracardíaca, caracterizada pela drenagem de todas as veias pulmonares em uma veia vertical anômala à esquerda, que desemboca na veia braquiocefálica esquerda e, consequentemente, na veia cava superior (VCS). O diagnóstico diferencial com as demais alternativas se baseia na anatomia do trajeto venoso anômalo, sendo a classificação da DATVP (supracardíaca, cardíaca, infracardíaca ou mista) determinada pelo local de drenagem.
A drenagem anômala total das veias pulmonares (DATVP) é uma cardiopatia congênita cianótica rara, na qual todas as veias pulmonares drenam para o átrio direito, direta ou indiretamente, em vez de drenarem para o átrio esquerdo. Para a sobrevivência, é obrigatória a presença de um shunt direito-esquerdo, geralmente um forame oval patente ou uma comunicação interatrial, que permita a passagem de sangue oxigenado para a circulação sistêmica. A classificação da DATVP é feita de acordo com o local de drenagem das veias pulmonares: supracardíaca (drenagem para veia braquiocefálica, veia cava superior ou ázigos), cardíaca (drenagem para seio coronário ou átrio direito), infracardíaca (drenagem para veia porta, ducto venoso ou veia cava inferior) e mista (combinação de dois ou mais locais).
Na forma supracardíaca, a mais comum, as veias pulmonares convergem para um coletor comum retrocardíaco, do qual emerge uma veia vertical anômala à esquerda, que ascende e drena na veia braquiocefálica esquerda, desaguando na VCS. Na angiotomografia, esse achado é clássico: a veia vertical à esquerda da aorta e a dilatação da VCS, formando o sinal da "ampulheta" ou "figura de oito" na radiografia de tórax. A imagem descrita, com a VCS proeminente e a presença de uma veia vertical anômala, é patognomônica dessa variante.
A distinção entre as formas supracardíaca e infracardíaca é crucial, pois a infracardíaca, também chamada de infradiafragmática, é uma emergência neonatal, com drenagem das veias pulmonares para abaixo do diafragma, geralmente na veia porta ou no ducto venoso, cursando com obstrução venosa pulmonar e grave cianose. Na imagem, a drenagem infradiafragmática não apresenta a veia vertical ascendente para a VCS, mas sim um coletor que desce em direção ao abdome. A alternativa A, portanto, descreve uma entidade distinta, com apresentação clínica e anatômica diferentes.
A banca explora a confusão entre as classificações da DATVP e outras anomalias vasculares. É fundamental reconhecer que a DATVP envolve a drenagem de TODAS as veias pulmonares, enquanto a drenagem anômala parcial (DAPVP) envolve apenas algumas. A síndrome da cimitarra, por exemplo, é uma forma de DAPVP em que a veia pulmonar direita drena para a veia cava inferior, associada a hipoplasia pulmonar direita e dextroposição cardíaca, com imagem radiológica em forma de "cimitarra". A fístula arteriovenosa pulmonar, por sua vez, é uma comunicação anormal entre artéria e veia pulmonar, sem relação com a drenagem das veias pulmonares. A alternativa C, que menciona drenagem anômala da veia cava inferior em veia cava superior, não é uma entidade clássica e não corresponde ao padrão de DATVP.
Guarde o critério decisivo: na DATVP, TODAS as veias pulmonares drenam para o átrio direito; a classificação depende do local de drenagem (supracardíaca, cardíaca, infracardíaca ou mista). Na imagem, a presença da veia vertical ascendente à esquerda, drenando para a VCS, define a forma supracardíaca. É exatamente essa anatomia que separa a alternativa correta das demais.
DATVP (todas as veias pulmonares → AD)
1Supracardíaca (mais comum)
Coletor comum retrocardíaco
Veia vertical ascendente → VCS
2Cardíaca
Seio coronário ou AD
3Infracardíaca (emergência neonatal)
Coletor desce → veia porta/ducto venoso
Obstrução venosa + cianose grave
4Mista
Combinação de 2+ locais
5Diagnóstico diferencial
DAPVP (parcial)
Síndrome da cimitarra: veia pulmonar direita → VCI
Fístula AV pulmonar
Comunicação artéria-veia, sem relação com drenagem
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A drenagem anômala total de veias pulmonares infradiafragmática (ou infracardíaca) é uma variante em que as veias pulmonares drenam para abaixo do diafragma, tipicamente na veia porta ou no ducto venoso, cursando com obstrução venosa pulmonar e grave cianose neonatal. Na imagem, a drenagem é supracardíaca, com veia vertical ascendente para a VCS, não infradiafragmática. A banca troca a localização da drenagem, confundindo a classificação anatômica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A imagem mostra a drenagem anômala total das veias pulmonares supracardíaca, com todas as veias pulmonares convergindo para um coletor comum que drena, via veia vertical anômala à esquerda, para a veia braquiocefálica esquerda e, então, para a veia cava superior. Esse é o padrão clássico da forma supracardíaca, a mais comum da DATVP.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa descreve uma drenagem anômala da veia cava inferior em veia cava superior, o que não é uma entidade clínica clássica e não corresponde ao padrão de DATVP. A DATVP envolve a drenagem anômala das veias pulmonares, não da veia cava inferior. A imagem evidencia a drenagem das veias pulmonares para a VCS, não da VCI.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A fístula arteriovenosa pulmonar é uma comunicação anormal entre uma artéria e uma veia pulmonar, resultando em shunt direito-esquerdo e hipoxemia. Não há relação com a drenagem anômala das veias pulmonares. A imagem não demonstra uma comunicação arteriovenosa, mas sim um trajeto venoso anômalo das veias pulmonares.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A síndrome da cimitarra é uma forma de drenagem anômala parcial das veias pulmonares, em que a veia pulmonar direita drena para a veia cava inferior, associada a hipoplasia pulmonar direita e dextroposição cardíaca. A imagem mostra drenagem anômala TOTAL das veias pulmonares para a VCS, não parcial para a VCI, e não há os achados típicos da síndrome da cimitarra.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as classificações da DATVP (supracardíaca, cardíaca, infracardíaca e mista) e outras anomalias vasculares. O candidato pode confundir a forma supracardíaca com a infracardíaca, ou ainda com a síndrome da cimitarra, que é uma drenagem anômala parcial. A chave é identificar na imagem o local de drenagem das veias pulmonares: na supracardíaca, há uma veia vertical ascendente para a VCS; na infracardíaca, o coletor desce para o abdome; na cimitarra, a veia pulmonar direita drena para a VCI. Com treino, você reconhece esses padrões de longe 💪