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Questão de Medicina — Queimaduras — VUNESP 2025

MedicinaQueimaduras
Código
vu112925
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia Geral
Um homem de 38 anos é admitido no pronto-socorro após um incêndio em sua residência. Ele apresenta queimaduras de segundo e terceiro graus envolvendo 40% da superfície corporal total (SCT), incluindo face, tronco anterior e membros superiores. No exame inicial, o paciente está consciente, com frequência respiratória de 32 incursões/min, saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente e queixa de rouquidão. Na inspeção, há fuligem em cavidade oral e narinas, além de edema facial progressivo. Após estabelecimento das vias aéreas com intubação orotraqueal, o paciente é transferido para o centro de queimados. Considerando o manejo inicial e a fisiopatologia das queimaduras, qual é a conduta prioritária correta para o caso?
  1. AAdministração de cristaloides usando a fórmula de Parkland, calculando o volume total para as primeiras 24 horas e iniciando imediatamente a metade do volume nas primeiras 12 horas.
  2. BAdministração de oxigênio suplementar a 100% e avaliação de carboxiemoglobina para confirmar intoxicação por monóxido de carbono.
  3. CRealização de gasometria arterial e oximetria de pulso, obrigatórias e essenciais para avaliar lesão inalatória e guiar a terapia.
  4. DAplicação de broncodilatadores e corticosteroides para prevenção de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).
  5. ERealização de escarotomias imediatas em todos os segmentos queimados para prevenir síndrome compartimental.
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GabaritoB — Administração de oxigênio suplementar a 100% e avaliação de carboxiemoglobina para confirmar intoxicação por monóxido de carbono.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queimaduras: manejo inicial e lesão inalatória

Gabarito: letra B. No paciente queimado em ambiente fechado com sinais de lesão inalatória (rouquidão, fuligem em cavidade oral, edema facial progressivo) e saturação de 88%, a conduta prioritária após o controle das vias aéreas é a administração de oxigênio suplementar a 100% e a avaliação da carboxiemoglobina para confirmar intoxicação por monóxido de carbono (CO). A oximetria de pulso é pouco confiável nesse cenário, pois não distingue a carboxiemoglobina da oxiemoglobina, podendo superestimar a saturação real — por isso a alternativa B é a correta.

A lesão inalatória é uma das principais causas de morbimortalidade no grande queimado, e a intoxicação por monóxido de carbono é uma das suas complicações mais imediatas e letais. O CO, produzido pela combustão incompleta, liga-se à hemoglobina com afinidade cerca de 250 vezes maior que o oxigênio, formando a carboxiemoglobina (HbCO), que compromete a entrega de oxigênio aos tecidos. O paciente do enunciado apresenta todos os sinais clássicos de exposição: incêndio em ambiente fechado, rouquidão, fuligem em narinas e cavidade oral, edema facial progressivo e saturação de 88% em ar ambiente — um quadro que exige pronta intervenção.

O tratamento da intoxicação por CO consiste na administração de oxigênio a 100%, medida capaz de reduzir a meia-vida da carboxiemoglobina de 4 a 6 horas para 40 a 80 minutos. A confirmação diagnóstica é feita pela dosagem de HbCO, obtida por co-oximetria ou gasometria arterial. A oximetria de pulso convencional não é confiável nesse contexto, pois a maioria dos oxímetros não consegue distinguir oxiemoglobina de carboxiemoglobina — o que explica por que pacientes intoxicados podem apresentar saturações aparentemente normais, sem refletir a verdadeira oxigenação tecidual.

A prioridade no atendimento inicial do grande queimado segue a sequência: segurança da cena, interrupção do processo de queimadura, avaliação de vias aéreas com proteção cervical, respiração e circulação. No caso descrito, a intubação orotraqueal já foi realizada — o que é fortemente recomendado diante de rouquidão, escarro carbonáceo e queimaduras faciais extensas. Após o estabelecimento da via aérea definitiva, o próximo passo crítico é a oxigenação e a investigação de intoxicação por CO, que pode coexistir com a lesão térmica das vias aéreas.

A pegadinha central desta questão está na hierarquia das condutas: enquanto a reposição volêmica pela fórmula de Parkland (alternativa A) é essencial no grande queimado, ela não é a conduta prioritária imediata diante de sinais de intoxicação por CO. A gasometria arterial (alternativa C) é um exame complementar útil, mas não é "obrigatória e essencial" como critério isolado — a co-oximetria é o método de escolha para dosar HbCO. Broncodilatadores e corticosteroides (alternativa D) não têm papel na prevenção de SDRA, e escarotomias (alternativa E) são indicadas apenas em queimaduras circunferenciais com comprometimento vascular, não em todos os segmentos queimados.

Guarde a sequência mental para o grande queimado com suspeita de lesão inalatória: via aérea definitiva → oxigênio a 100% → dosagem de HbCO → reposição volêmica. É exatamente nessa ordem que as alternativas se dividem.

  1. 1Via aérea definitiva
  2. 2Oxigênio a 100%
  3. 3Dosar HbCO (co-oximetria)
  4. 4Reposição volêmica (Parkland)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A fórmula de Parkland é fundamental no manejo do grande queimado, mas não é a conduta prioritária imediata no paciente com sinais de intoxicação por CO. A reposição volêmica deve ser iniciada após a estabilização da via aérea e da oxigenação. Além disso, a descrição da fórmula está incompleta: o volume total calculado (4 ml × peso × %SCQ) é administrado nas primeiras 24 horas, sendo metade nas primeiras 8 horas (não 12) e a outra metade nas 16 horas seguintes. O erro está tanto na prioridade quanto no detalhamento do esquema de infusão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A administração de oxigênio suplementar a 100% é a medida imediata mais importante para reduzir a meia-vida da carboxiemoglobina e melhorar a oxigenação tecidual. A avaliação da carboxiemoglobina por co-oximetria ou gasometria arterial confirma o diagnóstico de intoxicação por CO, que é altamente suspeita neste paciente (incêndio em ambiente fechado, rouquidão, fuligem, saturação de 88%). A alternativa espelha exatamente a conduta prioritária após o controle das vias aéreas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A gasometria arterial é um exame complementar útil, mas não é "obrigatória e essencial" para avaliar lesão inalatória. O método de escolha para confirmar intoxicação por CO é a co-oximetria, que mede diretamente a HbCO. A oximetria de pulso, isoladamente, é pouco confiável nesse cenário, pois não distingue HbCO de oxiemoglobina. A alternativa superestima o papel da gasometria e subestima a importância da co-oximetria.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Broncodilatadores podem ser úteis no broncoespasmo associado à lesão inalatória, mas corticosteroides não são indicados rotineiramente e não previnem a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). O uso de corticoides no grande queimado é controverso e não recomendado de forma rotineira. A prevenção da SDRA envolve principalmente suporte ventilatório adequado e controle da resposta inflamatória sistêmica, não o uso empírico de corticosteroides.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Escarotomias são indicadas apenas em queimaduras circunferenciais de extremidades ou tórax que comprometam a perfusão distal ou a ventilação — não em todos os segmentos queimados. A realização imediata e indiscriminada de escarotomias expõe o paciente a riscos desnecessários, como sangramento e infecção. A indicação é clínica, baseada em sinais de síndrome compartimental (dor, parestesia, palidez, ausência de pulso) ou restrição ventilatória por queimadura circunferencial de tórax.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a hierarquia das condutas no grande queimado. O candidato que memoriza a fórmula de Parkland como "a" conduta inicial acaba marcando a alternativa A, mas ela vem depois da oxigenação e da investigação de intoxicação por CO. Outra armadilha é a alternativa C: a gasometria é um exame útil, mas não é o método de escolha para confirmar intoxicação por CO — a co-oximetria é. Fique atento à ordem: via aérea → oxigênio 100% → HbCO → volume.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando o enunciado trouxer queimadura em ambiente fechado + rouquidão + fuligem + saturação baixa, pense imediatamente em intoxicação por CO. A oximetria de pulso pode estar falsamente normal — o "gap" entre a saturação do oxímetro e a gasometria sugere a presença de HbCO. Memorize a tríade: oxigênio a 100%, co-oximetria, e considerar câmara hiperbárica em casos graves ou gestantes.

Gabarito: letra B

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