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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu112929
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia Geral
Um paciente de 62 anos, com histórico de hipertensão e insuficiência renal crônica em hemodiálise, é submetido a uma laparotomia exploradora devido a um abdome agudo obstrutivo causado por uma brida. Durante o fechamento da laparotomia, a equipe cirúrgica enfrenta dificuldades para realizar o fechamento primário da aponeurose devido ao edema intestinal significativo. Após várias tentativas de aproximação das bordas, a tensão residual permanece elevada. Qual a melhor conduta técnica para o fechamento da parede abdominal nesse cenário?
  1. ARealizar fechamento primário sob alta tensão e observar o paciente clinicamente.
  2. BUtilizar um sistema de fechamento progressivo com técnica de tração gradual.
  3. CColocar uma tela sintética permanente para fechamento com baixa tensão.
  4. DOptar por fechamento temporário com aplicação de terapia por pressão negativa.
  5. EEmpregar técnica de separação de componentes para fechamento primário imediato.
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GabaritoD — Optar por fechamento temporário com aplicação de terapia por pressão negativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fechamento da parede abdominal em abdome aberto: terapia por pressão negativa

Gabarito: letra D. Em paciente com edema intestinal significativo e alta tensão residual após laparotomia, a conduta correta é o fechamento temporário da cavidade com terapia por pressão negativa (TPN), evitando o fechamento primário forçado que eleva a pressão intra-abdominal (PIA) e pode desencadear a síndrome compartimental abdominal (SCA). A alternativa D é a única que contempla o princípio de não fechar sob tensão e de permitir a descompressão e o manejo progressivo.

O cenário descrito é o clássico abdome aberto: após uma laparotomia por abdome agudo obstrutivo, o edema intestinal (agravado pela insuficiência renal crônica e pela hemodiálise, que cursam com sobrecarga volêmica) impede a aproximação das bordas da aponeurose sem tensão excessiva. Fechar a cavidade nessas condições é um erro grave, pois a tensão elevada comprime as vísceras e os grandes vasos, elevando a PIA. Quando a PIA ultrapassa valores críticos, instala-se a síndrome compartimental abdominal, com hipoperfusão visceral, oligúria, insuficiência respiratória e cardiovascular — um quadro potencialmente fatal. Por isso, a cirurgia moderna preconiza o fechamento temporário da cavidade, deixando a aponeurose aberta e protegendo as vísceras com um curativo que permita drenagem e controle do conteúdo abdominal.

A terapia por pressão negativa (TPN) é a técnica de escolha para o fechamento temporário. Ela consiste em aplicar um curativo oclusivo sobre as vísceras, conectado a um sistema de sucção que gera pressão negativa contínua ou intermitente. As vantagens são múltiplas: remove o excesso de líquido e exsudato, reduz o edema visceral e da parede, controla a contaminação, facilita a mobilização do paciente e, principalmente, evita a elevação da PIA. Além disso, a TPN permite o "fechamento progressivo" — a cada troca do curativo, as bordas da aponeurose vão sendo aproximadas gradualmente, até que seja possível o fechamento primário definitivo, geralmente em 5 a 7 dias. Esse é o conceito de "fechamento diferido" ou "fechamento progressivo", que a alternativa B menciona, mas de forma incompleta: a técnica de tração gradual é uma das formas de fechamento progressivo, mas não é a conduta imediata e principal — a TPN é o padrão-ouro inicial.

A alternativa C (tela sintética permanente) é um erro conceitual importante: em cavidade contaminada ou com edema importante, a colocação de tela permanente aumenta o risco de infecção do sítio cirúrgico, deiscência e fístulas enterocutâneas. Telas permanentes são indicadas em hérnias eletivas, com cavidade limpa e sem tensão. Em abdome aberto, quando se usa tela, ela deve ser temporária (reabsorvível ou biológica), nunca permanente. A alternativa E (separação de componentes) é uma técnica válida para fechamento de hérnias complexas, mas exige que o paciente esteja estável e que não haja edema importante — no cenário agudo, com edema intestinal, a dissecção ampla dos planos musculares aumenta a morbidade e não resolve o problema da PIA elevada. A alternativa A (fechamento primário sob alta tensão) é a conduta mais perigosa e está formalmente contraindicada, pois é o gatilho direto da SCA.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre o que é "fechamento definitivo" e o que é "fechamento temporário". O aluno que decora as técnicas de fechamento de hérnia (separação de componentes, tela) pode ser atraído pelas alternativas C e E, mas o contexto — abdome agudo, edema, alta tensão — aponta inequivocamente para a necessidade de não fechar a cavidade naquele momento. A palavra-chave é "temporário": a conduta imediata é proteger as vísceras e controlar a PIA, para depois, em um segundo tempo, realizar o fechamento definitivo. Guarde essa lógica: abdome aberto + edema = fechamento temporário com TPN; abdome limpo + sem tensão = fechamento primário; hérnia complexa eletiva = separação de componentes ou tela.

  1. 1Não fechar sob tensão
  2. 2Fechamento temporário com TPN
  3. 3Controle da PIA e edema
  4. 4Fechamento progressivo (5-7 dias)
  5. 5Fechamento primário definitivo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Fechar a aponeurose sob alta tensão é a conduta mais danosa. A tensão elevada comprime as vísceras e eleva a pressão intra-abdominal, podendo desencadear a síndrome compartimental abdominal (SCA), com hipoperfusão visceral, oligúria e disfunção respiratória. O enunciado é explícito: "a tensão residual permanece elevada" — fechar assim é contraindicado e pode levar à deiscência, necrose de bordas e SCA. A observação clínica não previne essas complicações.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A técnica de tração gradual (fechamento progressivo) é um conceito válido, mas não é a conduta inicial de escolha. O padrão-ouro para o fechamento temporário é a terapia por pressão negativa, que permite o controle da PIA e do edema. A tração gradual pode ser utilizada como complemento ou em associação à TPN, mas isoladamente, como primeira opção, não é a melhor conduta. A alternativa é incompleta e, portanto, incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Colocar tela sintética permanente em cavidade com edema importante e potencial contaminação (abdome agudo obstrutivo) é um erro grave. A tela permanente aumenta o risco de infecção do sítio cirúrgico, deiscência e fístulas enterocutâneas. Telas permanentes são indicadas em hérnias eletivas, com cavidade limpa e sem tensão. Em abdome aberto, quando se utiliza tela, ela deve ser temporária (reabsorvível ou biológica), nunca permanente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A terapia por pressão negativa (TPN) é a conduta de escolha para o fechamento temporário da cavidade abdominal em pacientes com edema intestinal e alta tensão. Ela remove o excesso de líquido, reduz o edema, controla a contaminação e, principalmente, evita a elevação da pressão intra-abdominal. Além disso, permite o fechamento progressivo da aponeurose em um segundo tempo, quando o edema regredir. É a técnica que melhor atende aos princípios de não fechar sob tensão e de prevenir a síndrome compartimental abdominal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A separação de componentes é uma técnica de fechamento definitivo para hérnias complexas, mas não é indicada no cenário agudo com edema intestinal. A dissecção ampla dos planos musculares aumenta a morbidade, o sangramento e o risco de complicações, e não resolve o problema da PIA elevada. No abdome aberto, o objetivo imediato é o fechamento temporário, não o definitivo.

Gabarito: letra D

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