Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu112937
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia Pediátrica
Recém-nascido com 25 dias de vida apresentou quadro súbito de abdome agudo inflamatório. Foi submetido à laparotomia exploradora que identificou apendicite aguda, tratada por apendicectomia e limpeza da cavidade abdominal.Associa-se à apendicite no período neonatal:
Adoença de Hirschsprung.
Bdoença de Crohn.
Cretocolite ulcerativa.
Dalergia à proteína do leite de vaca.
EAIDS.
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GabaritoA — doença de Hirschsprung.
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Apendicite neonatal: associação com doença de Hirschsprung
Gabarito: letra A. A apendicite no período neonatal está classicamente associada à doença de Hirschsprung, pois a aganglionose colônica distal predispõe à estase fecal, à supercrescimento bacteriano e à inflamação do apêndice. As demais alternativas (doença de Crohn, retocolite ulcerativa, alergia à proteína do leite de vaca e AIDS) não têm essa associação fisiopatológica estabelecida na literatura pediátrica.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo na criança, mas no recém-nascido é um evento raro, com apresentação clínica atípica. Enquanto na criança maior o quadro clássico é a dor periumbilical que migra para o quadrante inferior direito, no neonato predominam distensão abdominal, vômitos, hipotermia, dificuldade respiratória, massa abdominal palpável e celulite da parede abdominal. Essa apresentação inespecífica retarda o diagnóstico e aumenta a taxa de perfuração, que pode chegar a 80% nessa faixa etária.
A associação com a doença de Hirschsprung é um dado clássico da literatura. A doença de Hirschsprung é caracterizada pela ausência de células ganglionares nos plexos mioentérico e submucoso, mais comumente no reto e no cólon distal. Essa aganglionose impede o relaxamento do esfíncter interno e a propulsão fecal, gerando um megacólon funcional com estase de fezes. A estase fecal, por sua vez, favorece a obstrução do lúmen apendicular por fecalito, o supercrescimento bacteriano e a consequente inflamação — o que explica a maior incidência de apendicite nesses pacientes. Além disso, a própria manipulação cirúrgica do cólon agangliônico pode predispor à inflamação.
O mecanismo fisiopatológico é o mesmo que explica outras complicações da doença de Hirschsprung, como a enterocolite: a obstrução funcional cria um ambiente de estase e proliferação bacteriana que pode inflamar qualquer segmento do trato gastrointestinal, incluindo o apêndice. Por isso, diante de um recém-nascido com abdome agudo inflamatório, a doença de Hirschsprung deve estar no diagnóstico diferencial e, quando presente, o tratamento da apendicite deve ser acompanhado da abordagem da doença de base.
As demais alternativas não têm associação fisiopatológica direta com a apendicite neonatal. A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa são doenças inflamatórias intestinais crônicas, raras no período neonatal, e não predispõem à apendicite. A alergia à proteína do leite de vaca pode causar enterocolite e sintomas abdominais, mas não é fator de risco para apendicite. A AIDS, por sua vez, pode cursar com abdome agudo por diversas causas, mas não há associação específica com apendicite neonatal.
A pegadinha desta questão está em o candidato associar a apendicite neonatal a causas infecciosas ou inflamatórias mais comuns, quando o dado mais específico e cobrado pela literatura é a associação com a doença de Hirschsprung. Guarde essa associação: apendicite neonatal → pensar em doença de Hirschsprung.
Apendicite neonatal
1Associação clássica
Doença de Hirschsprung
Aganglionose distal
Estase fecal
Supercrescimento bacteriano
Inflamação do apêndice
2Sem associação
Doença de Crohn
Retocolite ulcerativa
Alergia à proteína do leite de vaca
AIDS
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença de Hirschsprung é a associação clássica com apendicite no período neonatal. A aganglionose distal causa estase fecal, obstrução funcional e supercrescimento bacteriano, que predispõem à inflamação do apêndice. É um dado consagrado na literatura de cirurgia pediátrica e gastroenterologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica, de etiologia autoimune, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, mas é extremamente rara no período neonatal e não tem associação fisiopatológica com apendicite. A confusão pode ocorrer porque ambas são doenças inflamatórias do intestino, mas a doença de Crohn não predispõe à apendicite.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A retocolite ulcerativa é outra doença inflamatória intestinal crônica, que acomete a mucosa do cólon, mas também é rara no período neonatal e não está associada à apendicite. A banca pode tentar confundir o candidato com doenças inflamatórias intestinais, mas nenhuma delas tem a associação específica com apendicite neonatal que a doença de Hirschsprung tem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alergia à proteína do leite de vaca pode causar enterocolite, com vômitos, diarreia e distensão abdominal, mas não é fator de risco para apendicite. A confusão pode ocorrer porque ambas podem se apresentar com abdome agudo no lactente, mas a fisiopatologia é completamente diferente: a alergia é uma reação imunológica à proteína do leite, enquanto a apendicite é uma inflamação bacteriana do apêndice.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A AIDS pode cursar com abdome agudo por diversas causas, como infecções oportunistas, linfomas e perfurações intestinais, mas não há associação específica com apendicite neonatal. A confusão pode ocorrer porque a imunossupressão pode mascarar os sintomas de abdome agudo, mas a AIDS não é fator de risco para apendicite.