Em relação à válvula de uretra posterior (VUP) em um menino, assinale a alternativa correta.
AA cintilografia pós-natal com MAG3 (mercaptoacetiltriglicina) é necessária para estabelecer o diagnóstico de VUP.
BVUP é uma causa rara de obstrução da saída da bexiga em meninos.
CIntervenções pré-natais são contraindicadas devido ao risco elevado de parto prematuro.
DA insuficiência renal em estágio terminal é bastante incomum.
EO diagnóstico é comumente realizado durante o pré-natal, pois a bexiga fetal torna-se bastante dilatada e com um aspecto de “fechadura” de porta (Keyhole sign).
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GabaritoE — O diagnóstico é comumente realizado durante o pré-natal, pois a bexiga fetal torna-se bastante dilatada e com um aspecto de “fechadura” de porta (Keyhole sign).
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Válvula de uretra posterior (VUP) em meninos
Gabarito: letra E. A VUP é a causa mais comum de obstrução da saída da bexiga em meninos e, na era do ultrassom obstétrico, o diagnóstico é frequentemente suspeitado ainda no pré-natal, quando a bexiga fetal se apresenta bastante dilatada, com parede espessada e o clássico sinal da "fechadura" (keyhole sign) — a dilatação da uretra posterior que se projeta atrás da bexiga. As demais alternativas distorcem a epidemiologia, o método diagnóstico e o prognóstico da doença.
A válvula de uretra posterior é uma malformação congênita que consiste em pregas mucosas obstrutivas na uretra prostática, atuando como uma "válvula" que impede o esvaziamento vesical. É a causa mais comum de obstrução infravesical em meninos, e sua gravidade decorre do impacto sobre o trato urinário superior: a obstrução gera aumento da pressão intravesical, refluxo vesicoureteral, hidronefrose e displasia renal, podendo evoluir para insuficiência renal crônica. O diagnóstico pré-natal é possível porque a obstrução causa alterações características na ultrassonografia fetal: bexiga dilatada e de parede espessa, hidronefrose bilateral e o sinal da fechadura, que corresponde à dilatação da uretra posterior. Esse achado, quando presente, permite o planejamento do parto em centro terciário e a intervenção precoce após o nascimento.
O diagnóstico definitivo, no entanto, é confirmado no período pós-natal por uretrocistografia miccional (UCG), que mostra a uretra posterior dilatada com a válvula como um defeito de enchimento. A cintilografia com MAG3 não é o exame para diagnóstico anatômico da VUP — ela avalia a função renal diferencial e a drenagem, sendo útil no seguimento, não no diagnóstico da obstrução. As intervenções pré-natais, como a derivação vesicoamniótica, são reservadas para casos selecionados de alto risco, com oligoidrâmnio e comprometimento renal grave, e não são contraindicadas de forma absoluta pelo risco de parto prematuro — esse risco existe, mas a indicação é individualizada. A insuficiência renal em estágio terminal, por sua vez, é uma complicação temida e não rara, especialmente quando o diagnóstico é tardio ou a obstrução é grave, sendo a principal causa de morbidade a longo prazo.
A chave para esta questão está em reconhecer que a VUP é uma doença de apresentação pré-natal frequente, com um sinal ultrassonográfico bastante específico, e que as alternativas incorretas invertem ou minimizam aspectos centrais da doença. Guarde a tríade: causa mais comum de obstrução infravesical em meninos, diagnóstico suspeitado no pré-natal pelo keyhole sign, e confirmação pós-natal pela uretrocistografia miccional.
Válvula de uretra posterior (VUP): Epidemiologia (Causa mais comum de obstrução infravesical em meninos); Diagnóstico pré-natal (Bexiga dilatada e parede espessa, Hidronefrose bilateral, Sinal da fechadura (keyhole sign)); Confirmação pós-natal (Uretrocistografia miccional (UCG)); Complicações (Refluxo vesicoureteral, Displasia renal, Insuficiência renal crônica); Intervenção pré-natal (Derivação vesicoamniótica (casos selecionados))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A cintilografia com MAG3 avalia a função renal diferencial e a drenagem do trato urinário, mas não é o exame que estabelece o diagnóstico anatômico de VUP. O diagnóstico é feito pela ultrassonografia pré-natal (com o keyhole sign) e confirmado no pós-natal pela uretrocistografia miccional, que demonstra a uretra posterior dilatada e a válvula obstrutiva. A cintilografia tem papel no seguimento funcional, não no diagnóstico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A VUP é, na verdade, a causa mais comum de obstrução da saída da bexiga em meninos, não uma causa rara. A alternativa inverte a epidemiologia da doença, que é a principal etiologia de obstrução infravesical congênita no sexo masculino.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As intervenções pré-natais (como a derivação vesicoamniótica) não são contraindicadas de forma absoluta. São indicadas em casos selecionados, com oligoidrâmnio e comprometimento renal grave, visando preservar a função pulmonar e renal. O risco de parto prematuro existe, mas a decisão é individualizada, pesando riscos e benefícios — não há contraindicação categórica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A insuficiência renal em estágio terminal é uma complicação significativa e não incomum na VUP, especialmente em casos de diagnóstico tardio ou obstrução grave. A doença pode levar à displasia renal e à perda progressiva da função, sendo a principal causa de morbidade a longo prazo. A alternativa minimiza um risco real e importante.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico é comumente realizado durante o pré-natal, pois a obstrução causa dilatação vesical importante, com parede espessada e o sinal da "fechadura" (keyhole sign), que corresponde à dilatação da uretra posterior visível atrás da bexiga no ultrassom fetal. Esse achado, associado à hidronefrose bilateral, permite a suspeita diagnóstica ainda na gestação, permitindo o planejamento do parto e o tratamento precoce.