Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu112950
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia Pediátrica
A complicação mais comumente encontrada em pacientes com atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal operados por esofagoplastia e anastomose primária é:
Afístula anastomótica.
Bestenose da anastomose.
Cesôfago de Barrett.
Drecorrência da fístula traqueoesofágica.
Erefluxo gastroesofágico.
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GabaritoE — refluxo gastroesofágico.
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Atresia de esôfago: complicações pós-operatórias
Gabarito: letra E. A complicação mais comum após esofagoplastia com anastomose primária em pacientes com atresia de esôfago e fístula traqueoesofágica distal é o refluxo gastroesofágico (RGE), que ocorre em cerca de 40-70% dos casos, superando a estenose anastomótica e a fístula anastomótica em frequência. Essa prevalência elevada decorre da dismotilidade esofágica inerente à malformação e da ausência de mecanismos antirrefluxo eficazes após a correção cirúrgica.
A atresia de esôfago é uma malformação congênita em que o esôfago termina em fundo cego, frequentemente associada a uma fístula traqueoesofágica distal. O tratamento cirúrgico padrão é a esofagoplastia com anastomose primária, que reconstrói o trânsito esofágico. No entanto, o esôfago reconstruído não possui a mesma motilidade e o esfíncter esofágico inferior (EEI) frequentemente funciona de forma inadequada, favorecendo o refluxo do conteúdo gástrico. Além disso, a tração exercida na anastomose e a dismotilidade do corpo esofágico contribuem para a incompetência do mecanismo antirrefluxo.
O refluxo gastroesofágico pós-operatório é tão prevalente que muitos serviços adotam profilaxia antirrefluxo sistemática, com posicionamento do paciente e uso de inibidores da bomba de prótons (IBPs), além de considerar a fundoplicatura em casos selecionados. O RGE não tratado pode levar a complicações secundárias graves, como esofagite, estenose péptica e até mesmo falha do crescimento, o que reforça sua importância clínica.
As demais complicações listadas — fístula anastomótica, estenose da anastomose e recorrência da fístula traqueoesofágica — são também relevantes, porém menos frequentes. A fístula anastomótica ocorre em cerca de 10-15% dos casos, a estenose em 20-40%, e a recorrência da fístula traqueoesofágica em menos de 5%. O esôfago de Barrett, por sua vez, é uma complicação tardia do refluxo crônico, não sendo uma complicação imediata ou comum no pós-operatório de atresia de esôfago.
A distinção crucial para esta questão é entender que o RGE é a complicação mais frequente, enquanto a estenose anastomótica, embora comum, é a segunda mais frequente. A banca explora exatamente essa hierarquia de frequências, oferecendo a estenose como distrator principal. Guarde esta ordem: RGE > estenose > fístula anastomótica > recorrência de fístula.
1RGE (40-70%)
2Estenose (20-40%)
3Fístula anastomótica (10-15%)
4Recorrência de fístula (<5%)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A fístula anastomótica é uma complicação precoce e grave, ocorrendo em cerca de 10-15% dos pacientes, mas não é a mais comum. Ela se manifesta com escape de saliva, desconforto respiratório e pode evoluir para mediastinite. Embora seja uma complicação temida, sua incidência é menor que a do refluxo gastroesofágico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A estenose da anastomose é uma complicação frequente, ocorrendo em 20-40% dos casos, sendo a segunda mais comum. Ela se manifesta com disfagia progressiva e geralmente responde bem a dilatações endoscópicas. No entanto, não supera o refluxo gastroesofágico em frequência, que é a complicação mais prevalente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O esôfago de Barrett é uma complicação tardia do refluxo gastroesofágico crônico, caracterizada pela metaplasia intestinal do epitélio esofágico. Não é uma complicação comum no pós-operatório imediato ou mesmo a médio prazo de atresia de esôfago. Sua ocorrência está relacionada a anos de refluxo não tratado, sendo uma sequela, não uma complicação precoce.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A recorrência da fístula traqueoesofágica é uma complicação rara, ocorrendo em menos de 5% dos casos. Geralmente está associada a isquemia local, infecção ou tensão excessiva na anastomose. Sua baixa incidência a coloca como uma das complicações menos frequentes, não sendo a mais comum.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O refluxo gastroesofágico é a complicação mais comum após a correção cirúrgica da atresia de esôfago, ocorrendo em 40-70% dos pacientes. A fisiopatologia envolve a dismotilidade esofágica inerente à malformação, a incompetência do esfíncter esofágico inferior e a ausência de mecanismos antirrefluxo eficazes. Essa alta prevalência justifica a profilaxia antirrefluxo sistemática no pós-operatório, com posicionamento adequado e uso de IBPs.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a hierarquia de frequências das complicações. O candidato tende a escolher a estenose anastomótica (letra B) por ser uma complicação muito discutida e comum, mas o refluxo gastroesofágico é ainda mais frequente. Lembre-se: RGE é a complicação nº 1, estenose é a nº 2.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de complicações pós-operatórias, memorize a ordem de frequência: RGE > estenose > fístula anastomótica > recorrência de fístula. Essa hierarquia é um padrão recorrente em provas de cirurgia pediátrica e gastroenterologia.