Paciente com 67 anos, tabagista, procura atendimento em unidade de pronto atendimento. Relata dor precordial e nas costas, há quatro meses, inicialmente de leve intensidade, mas que está piorando, além de fraqueza nos membros inferiores e desconforto para engolir. Há três dias, percebeu inchaço no pescoço, dos dois lados. Exame físico: hemodinamicamente estável, pletora facial moderada, edema supraclavicular bilateral, circulação colateral na metade superior do tórax.Radiografia de tórax a seguir:(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)O quadro clínico apresentado permite a elaboração de hipótese diagnóstica e de possível conduta, que devem ser, respectivamente:
Ainvasão da coluna torácica e da medula espinal; laminectomia descompressiva.
Bsíndrome de compressão de veia cava superior; endoprótese venosa e radioterapia.
Cdissecção de aorta torácica ascendente; estudo hemodinâmico e endoprótese aórtica.
Dneoplasia de esôfago com invasão mediastinal; endoprótese esofágica e quimioterapia.
Eneoplasia metastática de esterno; ressecção cirúrgica e reconstrução com prótese.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — síndrome de compressão de veia cava superior; endoprótese venosa e radioterapia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome da veia cava superior: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra B. O quadro clínico — pletora facial, edema supraclavicular bilateral, circulação colateral no tórax e disfagia — é clássico da síndrome da veia cava superior (SVCS), e a conduta inicial, em paciente estável, envolve endoprótese venosa e radioterapia. A hipótese diagnóstica é firmada pela tríade de obstrução do retorno venoso da cava superior, e a conduta combina a recanalização endovascular com o tratamento da causa de base, geralmente neoplásica.
A síndrome da veia cava superior é uma emergência oncológica causada pela obstrução (compressão extrínseca ou trombose) do fluxo sanguíneo na veia cava superior, que drena o sangue venoso da cabeça, pescoço, membros superiores e metade superior do tórax. A causa mais comum é a neoplasia torácica, especialmente o carcinoma brônquico (em particular o de pequenas células) e o linfoma. O paciente tabagista de 67 anos com dor torácica, disfagia e o exame físico descrito — pletora facial, edema supraclavicular e circulação colateral — aponta diretamente para a compressão da cava superior por massa mediastinal.
A fisiopatologia explica os sintomas: a obstrução eleva a pressão venosa na circulação superior, causando edema facial e de membros superiores, pletora, cefaleia e, em casos graves, sintomas neurológicos. A circulação colateral visível no tórax é a tentativa do organismo de desviar o sangue por veias superficiais. A disfagia e a dor nas costas podem decorrer da compressão do esôfago e de estruturas mediastinais pela massa tumoral. A fraqueza em membros inferiores, embora presente, não é o achado central — pode ser consequência de compressão medular metastática, mas o conjunto de sinais aponta para a SVCS.
O diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado por imagem (tomografia computadorizada de tórax com contraste), que mostra a massa mediastinal e a obstrução da cava. A conduta depende da gravidade e da causa. Em paciente hemodinamicamente estável, como o do caso, o tratamento definitivo da neoplasia de base (radioterapia e/ou quimioterapia) é a prioridade, e a endoprótese venosa (stent) é indicada para alívio rápido dos sintomas, especialmente se houver comprometimento respiratório ou neurológico. A radioterapia é particularmente eficaz em tumores radiosensíveis, como o carcinoma de pequenas células e o linfoma.
A pegadinha da questão está em distinguir a SVCS de outras emergências torácicas com sintomas sobrepostos, como a dissecção de aorta (dor torácica intensa e súbita, sem os sinais de obstrução venosa) e a neoplasia de esôfago isolada (disfagia progressiva, mas sem o quadro de congestão venosa superior). A presença de pletora facial, edema supraclavicular e circulação colateral é o diferencial que fecha o diagnóstico de SVCS.
Guarde o par: sinais de congestão venosa superior (pletora, edema cervical, circulação colateral) = SVCS; e a conduta em paciente estável = tratamento da causa (radioterapia/quimioterapia) + endoprótese venosa para alívio sintomático. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.
Síndrome da veia cava superior (SVCS)
1Sinais clássicos
Pletora facial
Edema supraclavicular bilateral
Circulação colateral no tórax
2Causa mais comum
Neoplasia torácica
Carcinoma brônquico
Linfoma
3Conduta (paciente estável)
Endoprótese venosa (stent)
Radioterapia
4Diagnóstico diferencial
Dissecção de aorta (dor súbita, sem congestão)
Neoplasia de esôfago (disfagia, sem congestão)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A invasão da coluna torácica e da medula espinal pode causar dor nas costas e fraqueza em membros inferiores, mas não explica a pletora facial, o edema supraclavicular e a circulação colateral no tórax — sinais de obstrução venosa. A laminectomia descompressiva é conduta para compressão medular, não para SVCS. O quadro é de congestão venosa superior, não de comprometimento neurológico primário.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve exatamente a síndrome da veia cava superior: pletora facial, edema supraclavicular bilateral e circulação colateral na metade superior do tórax são manifestações clássicas da obstrução da cava superior. A conduta, em paciente estável, combina a endoprótese venosa (stent) para recanalizar o vaso e aliviar os sintomas, com a radioterapia para tratar a causa neoplásica de base, especialmente em tumores radiosensíveis como o carcinoma de pequenas células e o linfoma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A dissecção de aorta torácica ascendente apresenta-se com dor torácica intensa e súbita, frequentemente em caráter de rasgadura, podendo irradiar para o dorso. Não cursa com pletora facial, edema supraclavicular ou circulação colateral, que são sinais de obstrução venosa. O estudo hemodinâmico e a endoprótese aórtica são condutas para dissecção aórtica, não para SVCS.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A neoplasia de esôfago pode causar disfagia e invasão mediastinal, mas não explica a pletora facial, o edema supraclavicular e a circulação colateral no tórax. Esses sinais são de obstrução da veia cava superior, não de invasão esofágica isolada. A endoprótese esofágica e a quimioterapia são condutas para neoplasia de esôfago, não para SVCS.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A neoplasia metastática de esterno pode causar dor torácica, mas não explica o conjunto de sinais de congestão venosa superior (pletora facial, edema supraclavicular, circulação colateral). A ressecção cirúrgica e a reconstrução com prótese são condutas para tumores ósseos primários ou metástases isoladas, não para SVCS, que é uma emergência oncológica tratada com radioterapia, quimioterapia e/ou stent venoso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a SVCS e outras emergências torácicas. O candidato pode ser atraído pela dissecção de aorta (alternativa C) pela dor torácica e nas costas, ou pela neoplasia de esôfago (alternativa D) pela disfagia. O diferencial é a pletora facial, o edema supraclavicular e a circulação colateral no tórax — sinais patognomônicos de obstrução da veia cava superior. Fique atento a esses achados no exame físico: eles fecham o diagnóstico.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de emergências oncológicas, monte um mapa mental: SVCS → congestão venosa superior (pletora, edema cervical, circulação colateral) → conduta: tratar a causa (radioterapia/quimioterapia) + stent venoso. Compare com dissecção de aorta (dor súbita e intensa, sem sinais de congestão) e compressão medular (dor nas costas + fraqueza de MMII, sem sinais de congestão). Essa distinção é a chave para acertar questões semelhantes.