Paciente de 60 anos, do sexo masculino, tabagista, foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar em lobo superior direito (LSD), periférico, medindo 5,6 cm em seu maior diâmetro, associado a outro nódulo comprovadamente neoplásico (adenocarcinoma), no mesmo lobo, medindo 2,5 cm de diâmetro. PET/CT evidencia captação anômala nos dois nódulos pulmonares em LSD e apenas no linfonodo subcarinal. Há comprovação histológica de comprometimento neoplásico linfonodal apontado pelo PET/CT. Não há outros focos de captação anômala no restante do corpo.Assinale a alternativa que apresenta corretamente o estadiamento TNM desse paciente.
AT2a N1 – estágio III A.
BT3 N3 – estágio III B.
CT3 N2a – estágio III A.
DT4 N1 – estágio IV A.
ET4 N2b – estágio III B.
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GabaritoC — T3 N2a – estágio III A.
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Estadiamento TNM do câncer de pulmão: adenocarcinoma com nódulo satélite e linfonodo subcarinal
Gabarito: letra C. O paciente tem tumor primário de 5,6 cm (T3, pois > 5 cm), um nódulo satélite no mesmo lobo (que também classifica como T3), e comprometimento do linfonodo subcarinal (N2, pois é ipsilateral ao tumor e abaixo da carina), sem metástases à distância (M0) — resultando em T3 N2a, estágio IIIA, conforme a 8ª edição do TNM (UICC/AJCC).
O estadiamento TNM é o sistema universal para descrever a extensão anatômica de um câncer, combinando três componentes: T (tumor primário), N (linfonodos regionais) e M (metástases à distância). No câncer de pulmão, a 8ª edição do TNM (UICC/AJCC) é a referência atual, e a banca cobra exatamente a aplicação das definições de cada categoria a um caso clínico concreto. Vamos decompor o caso:
Componente T (tumor primário): O tumor mede 5,6 cm. Pela 8ª edição, tumores > 5 cm e ≤ 7 cm são classificados como T3. Além disso, o paciente tem um segundo nódulo neoplásico no mesmo lobo (nódulo satélite), o que também eleva a classificação para T3, independentemente do tamanho. Portanto, o T é T3.
Componente N (linfonodos regionais): O PET/CT mostra captação apenas no linfonodo subcarinal, com confirmação histológica de comprometimento. O linfonodo subcarinal (estação 7) é um linfonodo mediastinal ipsilateral, o que o classifica como N2. A 8ª edição subdivide N2 em N2a (envolvimento de uma única estação) e N2b (envolvimento de múltiplas estações). Como há comprometimento de apenas uma estação (subcarinal), o N é N2a.
Componente M (metástases): Não há captação anômala em outras regiões do corpo, portanto M0.
Combinando T3 N2a M0, consultamos a tabela de estadiamento da 8ª edição: T3-T4a N2a M0 corresponde ao estágio IIIA. A alternativa C está correta.
A pegadinha central desta questão é a classificação do nódulo satélite e a correta identificação do linfonodo subcarinal como N2 (mediastinal) e não N1 (hilar). Muitos candidatos confundem a estação linfonodal ou esquecem que o nódulo satélite no mesmo lobo eleva o T para T3. Vamos analisar cada alternativa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma T2a N1 – estágio IIIA. O erro está no T: o tumor tem 5,6 cm (> 5 cm), o que o classifica como T3, não T2a (que é > 3 cm e ≤ 4 cm). Além disso, o linfonodo subcarinal é mediastinal (N2), não hilar (N1). O estágio IIIA até seria compatível com T2 N1, mas os componentes T e N estão errados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma T3 N3 – estágio IIIB. O T3 está correto, mas o N3 está errado: N3 seria comprometimento de linfonodos mediastinais contralaterais, hilares contralaterais, escalênicos ou supraclaviculares. O linfonodo subcarinal é ipsilateral, portanto N2, não N3. O estágio IIIB não se aplica a N2a isolado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma T3 N2a – estágio IIIA. Correto: T3 pelo tamanho (> 5 cm) e pelo nódulo satélite no mesmo lobo; N2a pelo comprometimento de uma única estação mediastinal ipsilateral (subcarinal); M0 sem metástases à distância. Pela 8ª edição, T3 N2a M0 é estágio IIIA.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma T4 N1 – estágio IVA. O T4 está errado: T4 seria invasão de estruturas como traqueia, carina, grandes vasos, coração, esôfago, corpo vertebral, ou nódulo satélite em lobo ipsilateral diferente. Aqui o nódulo satélite está no mesmo lobo (T3), e não há invasão de estruturas. O N1 também está errado (o linfonodo é mediastinal, N2). O estágio IVA exigiria M1a (metástase em 1 órgão distante), o que não ocorre.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma T4 N2b – estágio IIIB. O T4 está errado (não há invasão de estruturas nem nódulo em lobo diferente). O N2b também está errado: há comprometimento de apenas uma estação linfonodal (subcarinal), o que caracteriza N2a, não N2b (múltiplas estações). O estágio IIIB não se aplica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas confusões clássicas: (1) o nódulo satélite no mesmo lobo eleva o T para T3 — muitos candidatos o ignoram ou o tratam como metástase (M1a), o que seria apenas se estivesse em lobo diferente; (2) o linfonodo subcarinal é mediastinal ipsilateral (N2), não hilar (N1) — a estação 7 é sempre N2, e a subdivisão N2a/N2b depende do número de estações comprometidas. Com treino, você identifica essas armadilhas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de TNM de pulmão, monte uma tabela mental com os pontos de corte do T (≤ 3 cm = T1; > 3–5 cm = T2; > 5–7 cm = T3; > 7 cm = T4) e a regra do nódulo satélite (mesmo lobo = T3; lobo ipsilateral diferente = T4; contralateral = M1a). Para o N, decore que linfonodos hilares/peribrônquicos ipsilaterais são N1, e mediastinais ipsilaterais são N2 — o subcarinal é sempre N2.