A diretriz GLOBAL (Global Vascular Guidelines on the Management of Chronic Limb-Threatening Ischemia) é uma importante normativa de tratamento da doença arterial periférica. Além da avaliação dos resultados do tratamento endovascular e cirúrgico aberto, a diretriz analisa os critérios clínicos para a escolha da melhor modalidade terapêutica a ser realizada. Dentre os critérios, a gravidade clínica dada pelo WIfI e a estratificação angiográfica GLASS são fundamentais.Para um paciente categorizado como WIfI 3 e complexidade anatômica GLASS III, assinale a alternativa correta quanto à conduta operatória preconizada.
AOs critérios apresentados são compatíveis com inviabilidade do membro, portanto, o tratamento por amputação maior é preconizado.
BA cirurgia híbrida por endarterectomia femoral, associada a angioplastia fêmoro-poplítea e infrapoplítea é uma excelente opção nesse cenário.
CHá recomendação do tratamento endovascular, dado o menor risco operatório e os índices de falência serem inferiores a 10% no primeiro ano.
DHá benefício na revascularização cirúrgica por derivação arterial após estratificação da expectativa de vida e avaliação do substituto arterial autógeno.
EConsiderando se tratar de GLASS III, a conduta por cirurgia aberta é recomendada, sendo os resultados dos enxertos protéticos equivalentes aos autógenos nesses tipos de lesões fêmoro-poplíteas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Há benefício na revascularização cirúrgica por derivação arterial após estratificação da expectativa de vida e avaliação do substituto arterial autógeno.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença arterial obstrutiva periférica: WIfI, GLASS e a escolha terapêutica
Gabarito: letra D. Para um paciente com isquemia crônica ameaçadora de membro (CLTI) classificado como WIfI 3 e complexidade anatômica GLASS III, a diretriz Global Vascular Guidelines (GVG) preconiza a revascularização cirúrgica por derivação arterial (bypass), desde que haja estratificação da expectativa de vida e avaliação do substituto arterial autógeno (veia safena). A alternativa D espelha exatamente essa recomendação.
A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é uma manifestação da aterosclerose que reduz o fluxo sanguíneo para os membros inferiores. Quando a doença progride para o estágio de isquemia crônica ameaçadora de membro (CLTI, do inglês chronic limb-threatening ischemia), o paciente apresenta dor em repouso, úlceras ou gangrena, e o risco de perda do membro é iminente. Nesse cenário, a revascularização é a pedra angular do tratamento, e a escolha entre a técnica endovascular (angioplastia com stent) e a cirurgia aberta (bypass) deve ser individualizada.
A diretriz GVG (Global Vascular Guidelines on the Management of Chronic Limb-Threatening Ischemia), publicada em 2019, trouxe uma abordagem estruturada para essa decisão, baseada em dois sistemas de classificação complementares:
WIfI (Wound, Ischemia, foot Infection): avalia a gravidade clínica do membro, considerando três componentes — a extensão da ferida (W), o grau de isquemia (I) e a presença de infecção (I). Cada componente recebe uma pontuação de 0 a 3, e a combinação define o estágio clínico (1 a 4). Quanto maior o estágio, maior o risco de amputação e menor o benefício esperado da revascularização.
GLASS (Global Limb Anatomic Staging System): estratifica a complexidade anatômica da doença arterial, avaliando o padrão de obstrução (estenose vs. oclusão) e a extensão do acometimento nos segmentos femoropoplíteo e infrapoplíteo. O grau vai de I (doença focal, favorável) a III (doença difusa e complexa, desfavorável).
A lógica da diretriz é que a escolha da modalidade terapêutica deve considerar tanto o risco clínico (WIfI) quanto a viabilidade técnica (GLASS). Para um paciente com WIfI 3 (doença grave, com risco elevado de amputação) e GLASS III (anatomia complexa, com doença difusa e oclusões extensas), a revascularização cirúrgica aberta com bypass é geralmente preferida, pois a anatomia desfavorável compromete os resultados do tratamento endovascular. No entanto, a diretriz enfatiza que a decisão deve ser individualizada, levando em conta a expectativa de vida do paciente e a disponibilidade de um bom substituto autógeno (veia safena), que é o conduto de escolha para o bypass.
A alternativa D captura exatamente essa nuance: "Há benefício na revascularização cirúrgica por derivação arterial após estratificação da expectativa de vida e avaliação do substituto arterial autógeno." Ela não afirma que a cirurgia é a única opção, mas sim que ela é benéfica quando o paciente tem expectativa de vida razoável e um bom enxerto venoso disponível — o que está alinhado com a recomendação da GVG para o cenário WIfI 3 + GLASS III.
A pegadinha da questão está em associar automaticamente GLASS III a "cirurgia aberta" sem considerar os demais fatores. A diretriz não recomenda cirurgia aberta para todos os GLASS III; ela recomenda que, nesses casos, a cirurgia aberta seja considerada com mais peso, mas sempre após avaliar a expectativa de vida e o substituto autógeno. A alternativa E, por exemplo, erra ao afirmar que "a conduta por cirurgia aberta é recomendada" de forma absoluta e ainda comete um erro técnico ao dizer que os enxertos protéticos são equivalentes aos autógenos — na verdade, o enxerto autógeno (veia safena) é superior ao protético em lesões infrapoplíteas e em bypasses abaixo do joelho.
Guarde a fronteira entre "recomendação absoluta" e "recomendação condicionada": é exatamente nela que as alternativas se dividem. A diretriz GVG não é um algoritmo rígido; é um guia para a tomada de decisão compartilhada, que pondera risco clínico, complexidade anatômica, expectativa de vida e recursos disponíveis.
CLTI (WIfI 3 + GLASS III)
1WIfI (gravidade clínica)
Ferida (W)
Isquemia (I)
Infecção (I)
2GLASS (complexidade anatômica)
Grau I (focal)
Grau II (intermediário)
Grau III (difuso/complexo)
3Conduta (GVG)
Bypass com veia autógena
Se boa expectativa de vida
Se substituto autógeno disponível
Amputação maior (só se inviável)
Endovascular (resultados inferiores)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que WIfI 3 e GLASS III são compatíveis com inviabilidade do membro, indicando amputação maior. Isso é um erro conceitual: o WIfI 3 indica doença grave e ameaçadora, mas não inviabilidade absoluta. A amputação maior é reservada para casos em que a revascularização é impossível ou fútil (por exemplo, WIfI 4 com destruição extensa do pé, ou ausência de leito de saída). O GLASS III, por sua vez, indica complexidade anatômica, não inviabilidade clínica. A diretriz GVG preconiza que a revascularização seja tentada sempre que houver possibilidade técnica e o paciente tiver condições clínicas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere cirurgia híbrida (endarterectomia femoral + angioplastia fêmoro-poplítea e infrapoplítea) como "excelente opção" nesse cenário. Embora a cirurgia híbrida seja uma ferramenta válida em casos selecionados, ela não é a recomendação de primeira linha para WIfI 3 + GLASS III. A complexidade anatômica GLASS III, com doença difusa e oclusões extensas, geralmente não é bem tratada por angioplastia, e a diretriz tende a preferir o bypass com veia autógena nesses casos. A alternativa erra ao apresentar a cirurgia híbrida como "excelente opção" sem ressalvas, quando na verdade a escolha depende de múltiplos fatores e o bypass costuma ser mais adequado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Recomenda o tratamento endovascular "dado o menor risco operatório e os índices de falência serem inferiores a 10% no primeiro ano". Há dois erros: (1) para GLASS III, o tratamento endovascular tem resultados inferiores ao bypass, com taxas de perviedade menores e maior necessidade de reintervenção; (2) a afirmação de que os índices de falência são inferiores a 10% no primeiro ano é incorreta — as taxas de reestenose/oclusão após angioplastia em doença difusa e complexa são significativamente maiores, frequentemente superiores a 30% no primeiro ano. A diretriz GVG não recomenda endovascular como primeira escolha para GLASS III, especialmente em pacientes com boa expectativa de vida.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta porque reflete a recomendação da GVG para o cenário WIfI 3 + GLASS III: há benefício na revascularização cirúrgica por derivação arterial (bypass), mas a decisão deve ser individualizada, com estratificação da expectativa de vida e avaliação do substituto arterial autógeno (veia safena). A diretriz enfatiza que o bypass com veia autógena é o tratamento de escolha para doença complexa (GLASS III) em pacientes com boa expectativa de vida, pois oferece melhores taxas de perviedade e salvamento do membro em comparação ao endovascular. A alternativa captura a essência da recomendação: não é uma ordem absoluta, mas uma indicação condicionada à avaliação clínica individual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que "considerando se tratar de GLASS III, a conduta por cirurgia aberta é recomendada, sendo os resultados dos enxertos protéticos equivalentes aos autógenos nesses tipos de lesões fêmoro-poplíteas". Há dois erros: (1) a recomendação de cirurgia aberta não é absoluta — depende da expectativa de vida e da disponibilidade de veia autógena; (2) os enxertos protéticos NÃO são equivalentes aos autógenos em lesões fêmoro-poplíteas, especialmente em bypasses abaixo do joelho (infrapoplíteos), onde a veia safena é claramente superior. A diretriz GVG e a literatura vascular são enfáticas: o conduto autógeno é o padrão-ouro para bypass infrainguinal, e o protético é reservado para situações em que não há veia disponível.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "recomendação condicionada" e "recomendação absoluta". As alternativas B, C e E apresentam condutas como se fossem regras fixas ("excelente opção", "recomendado", "equivalentes"), quando a diretriz GVG exige individualização. A alternativa D é a única que reconhece a necessidade de avaliar expectativa de vida e substituto autógeno — exatamente o que a GVG preconiza. Fique atento a palavras como "sempre", "nunca", "excelente", "equivalente": elas costumam sinalizar distratores.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões sobre a GVG, memorize o fluxo de decisão: (1) avaliar WIfI (gravidade clínica) → (2) avaliar GLASS (complexidade anatômica) → (3) considerar expectativa de vida e disponibilidade de veia autógena → (4) escolher entre endovascular (GLASS I-II, baixo risco) e bypass (GLASS III, alto risco, com veia autógena). A pegadinha recorrente é trocar a hierarquia: GLASS III não significa "amputação" nem "endovascular" — significa "bypass, se houver veia e o paciente tiver condições".