Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113017
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
Mulher de 50 anos realizou ultrassonografia, solicitada em exame de rotina pela ginecologia, que evidenciou nódulo em corpo pancreático. Seguiu investigação com tomografia computadorizada abdominal com contraste e ecoendoscopia com biópsia, que revelaram lesão de 4 cm, única, com septos em seu interior, calcificações parietais, ausência de comunicação ductal e estroma ovariano.Em relação ao provável diagnóstico e conduta, assinale a alternativa correta.
ATumor cístico neuroendócrino e ressecção da lesão.
BTumor de Frantz e ressecção cirúrgica.
CNeoplasia cística mucinosa e ressecção cirúrgica.
DIPMN tipo misto e ressecção cirúrgica.
ECistoadenoma seroso e sintomáticos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Neoplasia cística mucinosa e ressecção cirúrgica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Neoplasias císticas do pâncreas: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra C. O quadro descrito — lesão cística única de 4 cm, com septos internos, calcificações parietais, ausência de comunicação ductal e estroma ovariano — é a apresentação clássica da neoplasia cística mucinosa (NCM) do pâncreas, cuja conduta é a ressecção cirúrgica.
A neoplasia cística mucinosa é um tumor cístico do pâncreas que acomete quase exclusivamente mulheres de meia-idade, tipicamente no corpo e na cauda do órgão. O que a define é a presença de estroma ovariano — um tecido estromal densamente celular, semelhante ao do ovário — que é o achado histológico patognomônico. Na imagem, costuma se apresentar como uma lesão cística única, de paredes espessas, com septos internos e calcificações periféricas (parietais), e sem comunicação com o ducto pancreático principal. O potencial de malignidade é real: pode evoluir de displasia para carcinoma invasivo, o que justifica a ressecção cirúrgica mesmo em lesões assintomáticas, desde que a paciente tenha condições clínicas para a cirurgia.
O diagnóstico diferencial das lesões císticas do pâncreas é um dos pontos mais cobrados em gastroenterologia e cirurgia. As principais entidades são:
Característica
NCM
Cistoadenoma seroso
IPMN
Tumor de Frantz (SPN)
Perfil do paciente
Mulher, 40-60 anos
Mulher, >60 anos
Homens idosos
Mulher jovem (20-30 anos)
Localização
Corpo/cauda
Cabeça (em geral)
Cabeça (tipo ducto principal)
Corpo/cauda
Aspecto na imagem
Cístico único, septado, calcificações parietais
Microcístico ("favo de mel"), cicatriz central
Dilatação ductal, comunicação com ducto
Cístico com nódulo sólido, cápsula
Comunicação ductal
Ausente
Ausente
Presente
Ausente
Estroma ovariano
Presente (patognomônico)
Ausente
Ausente
Ausente
Potencial maligno
Alto
Muito baixo
Alto
Baixo (mas metastatiza)
Conduta
Ressecção
Observação (se assintomático)
Ressecção
Ressecção
A pegadinha central desta questão é a troca entre NCM e cistoadenoma seroso: ambos são lesões císticas de mulheres, mas o seroso é microcístico, sem septos grosseiros, sem calcificações parietais e com potencial maligno desprezível — por isso, quando assintomático, é acompanhado, não ressecado. Já a NCM, por seu risco de malignização, é sempre ressecada. A presença do estroma ovariano na biópsia é o achado que fecha o diagnóstico de NCM e elimina qualquer dúvida.
Guarde o par estroma ovariano + septos + calcificações parietais + ausência de comunicação ductal = NCM → ressecção: é exatamente esse conjunto de achados que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O tumor cístico neuroendócrino é uma apresentação rara de tumor neuroendócrino do pâncreas, que costuma ter componente sólido predominante e não apresenta estroma ovariano. A descrição do enunciado — lesão cística septada com calcificações parietais e estroma ovariano — não se encaixa nesse diagnóstico. Além disso, a conduta para tumores neuroendócrinos varia conforme o grau e o estadiamento, não sendo a ressecção a única opção em todos os casos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tumor de Frantz (tumor sólido pseudopapilar) acomete mulheres jovens, tipicamente entre 20 e 30 anos, e se apresenta como lesão sólido-cística com cápsula bem definida, sem estroma ovariano. A paciente da questão tem 50 anos e a lesão tem características de NCM. Embora a conduta seja também a ressecção cirúrgica, o diagnóstico está errado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A neoplasia cística mucinosa é exatamente o que o enunciado descreve: lesão cística única, com septos internos, calcificações parietais, ausência de comunicação ductal e estroma ovariano — este último é o achado patognomônico. Por ser uma lesão com potencial de malignização, a conduta é a ressecção cirúrgica, mesmo em pacientes assintomáticas, desde que haja condições clínicas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A IPMN (neoplasia mucinosa papilar intraductal) é caracterizada pela comunicação com o ducto pancreático, que se apresenta dilatado na imagem. O enunciado afirma expressamente "ausência de comunicação ductal", o que exclui o diagnóstico de IPMN. Além disso, a IPMN do tipo misto envolve tanto o ducto principal quanto os ductos secundários, com dilatação difusa — nada disso está descrito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O cistoadenoma seroso é uma lesão benigna, tipicamente microcística (com aspecto de "favo de mel"), sem septos grosseiros, sem calcificações parietais e sem estroma ovariano. O potencial de malignidade é muito baixo, e a conduta em pacientes assintomáticos é a observação clínica, não a ressecção. A alternativa erra tanto no diagnóstico quanto na conduta (diz "sintomáticos", mas o correto seria "assintomáticos" para indicar observação).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre NCM e cistoadenoma seroso — ambos são lesões císticas em mulheres. A diferença está nos detalhes: o seroso é microcístico, sem septos grosseiros e sem estroma ovariano, e por isso é acompanhado; a NCM tem septos, calcificações parietais e estroma ovariano, e por isso é ressecada. O estroma ovariano é a chave que destrava a questão — memorize-o como o marcador da NCM.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as lesões císticas do pâncreas na prova, monte um quadro mental com 4 perguntas: (1) há comunicação com o ducto? → IPMN; (2) há estroma ovariano? → NCM; (3) é microcístico com cicatriz central? → cistoadenoma seroso; (4) é mulher jovem com lesão sólido-cística encapsulada? → tumor de Frantz. Com esse fluxo, você elimina as alternativas em segundos.