Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113019
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
A maior parte dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica é de mulheres, e muitas delas estão em idade reprodutiva. Sendo assim, o número de gestantes com cirurgia bariátrica vem aumentando, e as complicações durante a gestação não são desprezíveis.Assinale a alternativa correta em relação às hérnias internas nessas pacientes.
AA gestação reduz a incidência de hérnias internas, pois o aumento do volume abdominal protege contra o encarceramento intestinal.
BDeve-se enfatizar a importância do fechamento mesentérico, mesmo que não haja hérnia interna durante o procedimento diagnóstico de urgência.
CA hérnia interna é menos prevalente no puerpério, devido à involução uterina.
DO diagnóstico da hérnia interna deve ser baseado em ultrassonografias seriadas e controle rigoroso dos sinais vitais materno-fetais.
EA apresentação clínica mais comum ocorre em paciente no primeiro trimestre, devido à hiperêmese gravídica.
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GabaritoB — Deve-se enfatizar a importância do fechamento mesentérico, mesmo que não haja hérnia interna durante o procedimento diagnóstico de urgência.
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Hérnias internas em gestantes após cirurgia bariátrica
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que enfatiza a importância do fechamento mesentérico, mesmo na ausência de hérnia interna identificada durante o procedimento diagnóstico de urgência, pois a gestação e o puerpério aumentam o risco de hérnias internas e suas complicações, como o encarceramento e a estrangulação intestinal. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a fisiopatologia e o manejo dessas hérnias.
A cirurgia bariátrica, especialmente o bypass gástrico em Y-de-Roux, cria espaços potenciais (defeitos mesentéricos) através dos quais alças intestinais podem herniar. Esses defeitos são os locais clássicos de hérnia interna: o espaço de Petersen (atrás da alça alimentar), o defeito mesentérico da anastomose jejunojejunal e o defeito no mesocólon transverso. A hérnia interna é uma complicação tardia bem reconhecida, podendo ocorrer anos após a cirurgia, e é uma causa importante de obstrução intestinal nesses pacientes.
Durante a gestação, o útero gravídico em crescimento desloca as alças intestinais, aumentando a pressão intra-abdominal e alterando a anatomia, o que pode favorecer a herniação através desses defeitos. Além disso, as alterações hormonais da gestação (progesterona) reduzem a motilidade intestinal e podem contribuir para a distensão de alças, aumentando o risco de encarceramento. No puerpério, a involução uterina rápida e a diminuição súbita do volume abdominal também podem predispor à herniação, pois as alças intestinais, que estavam deslocadas, retornam à posição habitual e podem se insinuar nos defeitos mesentéricos. Portanto, a gestação e o puerpério são períodos de maior risco, e não de proteção.
O diagnóstico de hérnia interna em gestantes é desafiador. A ultrassonografia tem baixa sensibilidade para essa condição, e a tomografia computadorizada, embora seja o exame de escolha, muitas vezes é evitada ou limitada na gestação. A apresentação clínica mais comum é a dor abdominal aguda, frequentemente no segundo ou terceiro trimestre, podendo estar associada a náuseas e vômitos. A hiperêmese gravídica, que ocorre no primeiro trimestre, não é a apresentação típica de hérnia interna. O diagnóstico precoce é crucial, pois o atraso pode levar a isquemia intestinal, perfuração e sepse, com alta morbimortalidade materno-fetal.
A conduta diante da suspeita de hérnia interna em gestante é a exploração cirúrgica, geralmente por via laparoscópica, que é segura e eficaz. Durante o procedimento, é fundamental inspecionar todos os defeitos mesentéricos e, mesmo que não haja hérnia evidente, o fechamento desses defeitos é recomendado para prevenir futuras herniações. Essa é a mensagem central da alternativa B: a importância do fechamento mesentérico profilático, mesmo na ausência de hérnia identificada, especialmente em um contexto de urgência, onde a exploração pode ser limitada.
A pegadinha da questão está em inverter a relação entre gestação e hérnia interna: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a gestação protege contra a hérnia, quando na verdade ela aumenta o risco. Além disso, troca o método diagnóstico adequado (TC ou exploração cirúrgica) pela ultrassonografia, e associa a apresentação clínica ao primeiro trimestre, quando o mais comum é no segundo/terceiro trimestre. A alternativa B é a única que reflete a conduta correta e baseada em evidências.
Critério
Hérnia interna em gestante (correto)
Alternativas incorretas (erro conceitual)
Efeito da gestação
Aumenta o risco (deslocamento de alças, ↑ pressão intra-abdominal, ↓ motilidade)
TC (ou exploração cirúrgica); US tem baixa sensibilidade
D: ultrassonografias seriadas
Apresentação clínica típica
2º/3º trimestre (dor abdominal aguda)
E: 1º trimestre (hiperêmese)
Conduta cirúrgica
Fechar defeitos mesentéricos mesmo sem hérnia evidente (profilático)
— (B é a correta)
Hérnia interna pós-bariátrica: Locais clássicos (Espaço de Petersen, Jejunojejunal, Mesocólon transverso); Fatores de risco (Gestação (útero desloca alças), Puerpério (involução uterina)); Diagnóstico (TC com contraste, Exploração cirúrgica); Conduta (Fechar defeitos mesentéricos, Mesmo sem hérnia evidente)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A gestação aumenta a incidência de hérnias internas, e não reduz. O aumento do volume abdominal e a deslocação das alças pelo útero gravídico, somados à redução da motilidade intestinal, favorecem a herniação e o encarceramento. A alternativa inverte a fisiopatologia.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta. Durante a cirurgia de urgência por suspeita de hérnia interna, mesmo que não se encontre uma hérnia evidente, o fechamento dos defeitos mesentéricos é recomendado para prevenir futuras herniações, especialmente em gestantes, que têm risco aumentado. A literatura e as diretrizes de cirurgia bariátrica enfatizam a importância do fechamento mesentérico na cirurgia primária e na revisão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hérnia interna é mais prevalente no puerpério, e não menos. A involução uterina rápida e a diminuição súbita do volume abdominal podem favorecer a herniação das alças intestinais através dos defeitos mesentéricos. Portanto, o puerpério é um período de risco aumentado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diagnóstico de hérnia interna não deve ser baseado em ultrassonografias seriadas, pois a US tem baixa sensibilidade para essa condição. O exame de escolha é a tomografia computadorizada com contraste oral e venoso, quando possível, ou a exploração cirúrgica em casos de alta suspeita. O controle dos sinais vitais é importante, mas não é o método diagnóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A apresentação clínica mais comum de hérnia interna em gestantes ocorre no segundo e terceiro trimestres, não no primeiro. A hiperêmese gravídica é uma condição do primeiro trimestre, mas não é a apresentação típica de hérnia interna. A dor abdominal aguda, com ou sem vômitos, é o sintoma mais comum, geralmente após a 20ª semana.