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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113020
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
O conhecimento sobre a doença diverticular do cólon modificou-se de forma significativa nas últimas décadas.Sobre a diverticulite aguda, assinale a alternativa correta.
  1. AOs abscessos pélvicos entre 2,0 e 4,0 cm devem ser sempre puncionados de forma guiada por tomografia ou ultrassonografia.
  2. BA diverticulite aguda em pacientes abaixo de 40 anos apresenta mortalidade mais elevada e sempre requer tratamento cirúrgico.
  3. CNo tratamento da diverticulite aguda Hinchey IV, são preconizadas a ressecção e a drenagem videolaparoscópica.
  4. DMulheres com histerectomia prévia têm maior incidência de fístula colovesical na diverticulite aguda do que as outras mulheres.
  5. EAbscessos maiores que 5,0 cm devem ser preferencialmente drenados por videolaparoscopia.
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GabaritoD — Mulheres com histerectomia prévia têm maior incidência de fístula colovesical na diverticulite aguda do que as outras mulheres.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diverticulite aguda: manejo e complicações

Gabarito: letra D. Mulheres com histerectomia prévia têm maior incidência de fístula colovesical na diverticulite aguda do que as outras mulheres — a alternativa correta. Isso ocorre porque, após a histerectomia, a ausência do útero permite que o cólon sigmoide inflamado entre em contato direto com a bexiga, favorecendo a formação da fístula. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre o manejo de abscessos, a conduta em pacientes jovens e o tratamento da diverticulite Hinchey IV.

A doença diverticular do cólon é uma condição comum, caracterizada pela presença de divertículos — pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, geralmente no cólon sigmoide. A diverticulite aguda é a inflamação desses divertículos, que pode variar desde um quadro leve, tratado ambulatorialmente, até uma peritonite grave, que exige cirurgia de urgência. O conhecimento sobre essa doença evoluiu muito nas últimas décadas, e a banca explora exatamente essas atualizações.

A classificação de Hinchey é fundamental para orientar o tratamento. Ela divide a diverticulite em cinco graus, do 0 ao IV, conforme a gravidade:

Classe

Descrição

Tratamento

0

Diverticulite clínica leve

Antibióticos orais

Ia

Inflamação pericólica contida ou fleimão

Antibióticos IV, repouso intestinal

Ib

Abscesso pericólico contido

Antibióticos IV, repouso intestinal

II

Abscesso pélvico, intra-abdominal distante ou retroperitoneal

Drenagem percutânea, antibióticos IV

III

Peritonite purulenta

Drenagem cirúrgica/ressecção

IV

Peritonite feculenta

Drenagem cirúrgica/ressecção

A alternativa D aborda uma complicação específica: a fístula colovesical. Essa é a fístula mais comum na diverticulite, e o risco é maior em mulheres que já foram submetidas à histerectomia. O útero, quando presente, atua como uma barreira entre o cólon e a bexiga. Após sua remoção, o sigmoide inflamado pode aderir diretamente à bexiga, facilitando a formação da comunicação anormal. Essa é uma informação clássica, presente nos principais tratados de cirurgia e gastroenterologia.

As demais alternativas trazem erros que a banca costuma usar para confundir o candidato. A alternativa A afirma que abscessos pélvicos entre 2,0 e 4,0 cm devem ser sempre puncionados guiados por imagem. Na prática, abscessos pequenos, geralmente menores que 3,0 cm, podem ser tratados apenas com antibióticos, sem necessidade de drenagem. A alternativa B diz que pacientes abaixo de 40 anos têm mortalidade mais elevada e sempre requerem cirurgia — isso é uma visão ultrapassada; hoje se sabe que a idade não é, isoladamente, indicação de tratamento cirúrgico. A alternativa C propõe ressecção e drenagem videolaparoscópica para Hinchey IV, mas essa é uma peritonite feculenta, que exige cirurgia de urgência com ressecção e, na maioria das vezes, colostomia. A alternativa E sugere que abscessos maiores que 5,0 cm devem ser preferencialmente drenados por videolaparoscopia, quando o padrão-ouro é a drenagem percutânea guiada por imagem.

Guarde a fronteira entre o que é tratado clinicamente, o que é drenado por radiologia intervencionista e o que exige cirurgia: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Diverticulite aguda
  • 1Tratamento escalonado
    • Clínico (Hinchey 0-I)
    • Drenagem percutânea (Hinchey II)
    • Cirurgia (Hinchey III-IV)
  • 2Fístula colovesical
    • Mais comum em homens
    • Mulheres histerectomizadas
      • Útero removido
      • Cólon adere à bexiga
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que abscessos pélvicos entre 2,0 e 4,0 cm devem ser sempre puncionados de forma guiada. O erro está no termo "sempre": abscessos pequenos, em geral menores que 3,0 cm, podem ser tratados apenas com antibióticos de amplo espectro, sem drenagem. A drenagem percutânea é indicada para abscessos maiores ou que não respondem ao tratamento clínico. A banca explora a generalização indevida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que diverticulite aguda em pacientes abaixo de 40 anos tem mortalidade mais elevada e sempre requer tratamento cirúrgico. Essa é uma visão ultrapassada. Estudos atuais mostram que a idade jovem, isoladamente, não é indicação de cirurgia nem está associada a maior mortalidade. O tratamento é guiado pela gravidade do quadro (classificação de Hinchey), não pela idade. O erro está na generalização "sempre".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Propõe ressecção e drenagem videolaparoscópica para diverticulite Hinchey IV. A classe IV corresponde à peritonite feculenta, uma emergência cirúrgica. O tratamento preconizado é a cirurgia de urgência com ressecção do segmento perfurado, geralmente com colostomia (cirurgia de Hartmann), embora a anastomose primária com ileostomia de proteção seja uma opção em casos selecionados. A videolaparoscopia não é o padrão para essa condição grave.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Mulheres com histerectomia prévia têm maior incidência de fístula colovesical na diverticulite aguda. Isso é verdadeiro: o útero funciona como uma barreira anatômica entre o cólon sigmoide e a bexiga. Após sua remoção, o sigmoide inflamado pode aderir diretamente à bexiga, facilitando a formação da fístula. Essa é uma informação consolidada na literatura e o motivo pelo qual a fístula colovesical é mais comum em homens e em mulheres histerectomizadas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que abscessos maiores que 5,0 cm devem ser preferencialmente drenados por videolaparoscopia. O padrão-ouro para drenagem de abscessos diverticulares é a drenagem percutânea guiada por tomografia ou ultrassonografia, realizada pela radiologia intervencionista. A drenagem laparoscópica é uma alternativa quando a percutânea não é viável ou falha, mas não é a via preferencial inicial.

A regra de ouro para a prova: na diverticulite, o tratamento é escalonado pela gravidade — clínico para casos leves, drenagem percutânea para abscessos, e cirurgia para peritonite. E lembre-se da fístula colovesical: mais comum em homens e em mulheres histerectomizadas.

Gabarito: letra D

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