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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113022
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
Mulher de 40 anos, submetida à apendicectomia videolaparoscópica, sem intercorrências, por apendicite aguda, retorna no 14º pós-operatório, com boa evolução e sem queixas. Resultado de anatomopatológico identifica tumor neuroendócrino de 1,5 cm em base de apêndice, com margens livres e sem invasão de mesoapêndice.Sobre este caso, o seguimento correto é:
  1. Ahemicolectomia direita videolaparoscópica.
  2. Bnão necessita de vigilância de rotina.
  3. Ccolonoscopia em 3 e 12 meses.
  4. Dsolicitar marcadores tumorais (5-HIAA e cromogranina).
  5. Ecintilografia com análogo de somatostatina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — não necessita de vigilância de rotina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tumor neuroendócrino de apêndice: conduta e seguimento

Gabarito: letra B. O tumor neuroendócrino (TNE) de apêndice com 1,5 cm, margens livres e sem invasão do mesoapêndice, em paciente assintomática, tem baixíssimo risco de recorrência e metástase, não necessitando de vigilância oncológica de rotina — a apendicectomia é curativa. As demais opções (hemicolectomia, colonoscopia seriada, marcadores tumorais e cintilografia) são condutas indicadas apenas em situações específicas de maior risco, que não se aplicam a este caso.

O tumor neuroendócrino do apêndice é a neoplasia mais comum do apêndice vermiforme, geralmente um achado incidental no anatomopatológico após apendicectomia por apendicite aguda. A conduta e o seguimento dependem de fatores prognósticos bem estabelecidos: tamanho do tumor, localização (base vs. ponta), invasão do mesoapêndice, margens cirúrgicas, grau histológico (Ki-67, mitoses) e presença de invasão linfovascular ou perineural. O tamanho é o fator mais importante: tumores ≤ 1 cm têm risco de metástase próximo de zero; entre 1 e 2 cm, o risco é baixo (cerca de 1-3%), mas exige avaliação criteriosa de outros fatores; tumores > 2 cm têm risco significativo de metástase linfonodal e à distância, indicando hemicolectomia direita.

No caso apresentado, o tumor tem 1,5 cm, está na base do apêndice, com margens livres e sem invasão do mesoapêndice. A paciente está assintomática no 14º pós-operatório. Segundo as principais diretrizes (ENETS, NCCN), tumores de 1-2 cm sem fatores de risco (sem invasão mesoapendicular, margens livres, baixo grau) podem ser tratados apenas com apendicectomia, sem necessidade de cirurgia adicional nem de seguimento oncológico específico. A vigilância de rotina não é recomendada nesses casos de baixo risco, pois a probabilidade de recorrência é mínima.

A conduta seria diferente se houvesse fatores de risco: tumor > 2 cm, invasão do mesoapêndice > 3 mm, margens comprometidas, alto grau histológico ou invasão linfovascular — nesses casos, indica-se hemicolectomia direita. A colonoscopia de vigilância não é rotina para TNE de apêndice (diferente do adenocarcinoma de cólon, em que a colonoscopia pós-operatória é padrão). Marcadores tumorais como 5-HIAA e cromogranina A são úteis em tumores neuroendócrinos metastáticos ou sindrômicos, não em tumores pequenos ressecados. A cintilografia com análogo de somatostatina (Octreoscan) ou PET-DOTATATE é indicada para estadiamento de tumores maiores ou metastáticos, não para seguimento de tumores de baixo risco.

A pegadinha desta questão está em aplicar ao TNE de apêndice as mesmas regras de seguimento do adenocarcinoma colorretal ou de tumores neuroendócrinos de outros sítios. O aluno que não domina os critérios de risco específicos do TNE apendicular tende a supertratar o caso, solicitando exames desnecessários. A chave é reconhecer que, em tumores pequenos (≤ 2 cm) sem fatores de risco, a apendicectomia é curativa e não há necessidade de vigilância oncológica de rotina.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hemicolectomia direita é reservada para tumores > 2 cm, invasão do mesoapêndice > 3 mm, margens comprometidas, alto grau ou invasão linfovascular. Neste caso, tumor de 1,5 cm com margens livres e sem invasão do mesoapêndice não preenche critérios para cirurgia adicional. A apendicectomia já foi curativa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Tumor neuroendócrino de apêndice com 1,5 cm, margens livres e sem invasão do mesoapêndice é considerado de baixo risco. Segundo as diretrizes (ENETS, NCCN), a apendicectomia é suficiente e não há indicação de vigilância oncológica de rotina. A paciente pode receber alta sem seguimento específico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A colonoscopia em 3 e 12 meses é o seguimento padrão para adenocarcinoma colorretal, não para tumor neuroendócrino de apêndice. O TNE apendicular não tem predileção por lesões sincrônicas ou metacrônicas no cólon que justifiquem vigilância colonoscópica. A colonoscopia poderia ser considerada apenas se houvesse suspeita de síndrome genética (ex.: MEN-1), o que não é o caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os marcadores tumorais 5-HIAA (ácido 5-hidroxi-indolacético, metabólito da serotonina) e cromogranina A são úteis no acompanhamento de tumores neuroendócrinos metastáticos ou funcionantes (síndrome carcinóide). Em tumor pequeno, ressecado e sem evidência de doença residual, não há indicação de solicitação de marcadores. Eles não têm papel no seguimento de rotina de TNE apendicular de baixo risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cintilografia com análogo de somatostatina (Octreoscan) ou PET-DOTATATE é indicada para estadiamento de tumores neuroendócrinos com risco de metástase (geralmente > 2 cm ou com fatores de risco) ou para avaliação de doença metastática. Em tumor de 1,5 cm, sem fatores de risco e já ressecado, não há indicação de imagem funcional. Seria um exame desnecessário e de alto custo.

Gabarito: letra B

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