Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113024
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
Sobre a malignização na doença inflamatória intestinal, é correto afirmar:
Aa colonoscopia em busca de lesões pré-neoplásicas deve ser iniciada após 5 anos de evolução da doença.
Bapós 10 anos da doença, o risco de câncer dos pacientes com colite esquerda eleva-se para o mesmo valor da pancolite.
Ca extensão do comprometimento do intestino grosso não se associa com a variação do risco para câncer.
Dpacientes com colangite esclerosante primária possuem incidência 10 vezes maior para doença inflamatória intestinal.
Epacientes com RCUI possuem risco duas a três vezes maior de câncer, caso possuam antecedente familiar de adenocarcinoma esporádico de intestino grosso.
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GabaritoE — pacientes com RCUI possuem risco duas a três vezes maior de câncer, caso possuam antecedente familiar de adenocarcinoma esporádico de intestino grosso.
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Malignização na Doença Inflamatória Intestinal
Gabarito: letra E. Pacientes com retocolite ulcerativa (RCUI) que possuem antecedente familiar de adenocarcinoma esporádico de intestino grosso apresentam risco duas a três vezes maior de desenvolver câncer colorretal. As demais alternativas erram ao afirmar que a vigilância começa após 5 anos (o correto é 8 a 10 anos), que a colite esquerda iguala o risco da pancolite após 10 anos (o risco é proporcional à extensão), que a extensão não influencia o risco (é um dos principais fatores) e que a colangite esclerosante primária aumenta a incidência de DII (na verdade, a CEP aumenta o risco de câncer colorretal em pacientes com RCUI).
A malignização é uma das complicações mais temidas das doenças inflamatórias intestinais (DII), especialmente na retocolite ulcerativa (RCUI). O risco de câncer colorretal (CCR) nesses pacientes está diretamente relacionado a três fatores principais: duração da doença, extensão do comprometimento colônico e grau de inflamação. Quanto mais extensa a doença (pancolite > colite esquerda > proctite), maior o risco; quanto maior o tempo de evolução, maior o risco. Por isso, a vigilância colonoscópica é iniciada após 8 a 10 anos do diagnóstico, e não após 5 anos como afirma a alternativa A.
A extensão do comprometimento é um dos pilares da estratificação de risco. A pancolite (acometimento de todo o cólon) confere o maior risco, seguida pela colite esquerda (até a flexura esplênica) e pela proctite (apenas reto). A alternativa B erra ao afirmar que após 10 anos a colite esquerda iguala o risco da pancolite — na verdade, o risco permanece menor, embora ambos aumentem com o tempo. A alternativa C também erra ao negar a associação entre extensão e risco, que é bem estabelecida.
A colangite esclerosante primária (CEP) é uma condição associada à RCUI que aumenta significativamente o risco de CCR, mas não aumenta a incidência de DII em si. A alternativa D inverte a relação: a CEP é uma complicação extraintestinal da RCUI, e não um fator que aumenta a incidência da doença inflamatória. O risco de CCR em pacientes com RCUI e CEP é ainda maior do que naqueles sem CEP, mas a incidência de DII não é aumentada pela CEP.
A alternativa E aborda um fator de risco adicional: o antecedente familiar de CCR esporádico. Estudos mostram que pacientes com RCUI e história familiar de CCR têm risco duas a três vezes maior de desenvolver CCR em comparação com aqueles sem história familiar. Esse dado é consistente com a literatura e com as diretrizes de vigilância, que consideram a história familiar como um fator que pode antecipar ou intensificar a vigilância.
A pegadinha central desta questão é a inversão de relações causais e a troca de prazos. A banca explora a confusão entre o que é fator de risco para câncer (extensão, duração, CEP, história familiar) e o que é consequência da doença (CEP como complicação). Além disso, o prazo de início da vigilância (8-10 anos) é frequentemente confundido com 5 anos. Guarde o critério: risco de CCR na DII = duração + extensão + inflamação + fatores genéticos (história familiar, CEP).
Risco de CCR na DII
1Fatores de risco
Duração da doença
Extensão do comprometimento
Pancolite (maior risco)
Colite esquerda
Proctite (menor risco)
Grau de inflamação
História familiar de CCR
Risco 2-3x maior
Colangite esclerosante primária
Aumenta risco de CCR
2Vigilância
Início: 8-10 anos do diagnóstico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a colonoscopia deve ser iniciada após 5 anos de evolução. O correto é 8 a 10 anos após o diagnóstico, conforme as diretrizes de vigilância. O prazo de 5 anos é um distrator comum, mas não corresponde ao início da vigilância na DII.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que após 10 anos a colite esquerda iguala o risco da pancolite. Embora o risco aumente com o tempo, a extensão da doença permanece um fator independente: a pancolite sempre confere maior risco que a colite esquerda, mesmo após 10 anos. A afirmação de igualdade é incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Nega a associação entre extensão do comprometimento e risco de câncer. Na verdade, a extensão é um dos principais fatores de risco: quanto mais extensa a doença, maior o risco. A alternativa contraria a literatura e as diretrizes de vigilância.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que pacientes com colangite esclerosante primária (CEP) têm incidência 10 vezes maior de DII. A relação é inversa: a CEP é uma complicação extraintestinal da RCUI, e não um fator que aumenta a incidência da DII. O que a CEP aumenta é o risco de CCR em pacientes que já têm RCUI.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao afirmar que pacientes com RCUI e antecedente familiar de adenocarcinoma esporádico de intestino grosso têm risco duas a três vezes maior de desenvolver CCR. Esse é um fator de risco bem estabelecido, que deve ser considerado na estratificação e na vigilância.