Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
- Código
- vu113025
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
- AT1 N2b M0
- BT2 N2b M0
- CT3 N2a M0
- DT2 N2a M0
- ET2 N1c M0
GabaritoD — T2 N2a M0
Gabarito: letra D. O tumor de 5 cm que invade a muscular própria é T2 (T1 invade submucosa; T3 invade além da muscular própria); 4 linfonodos regionais comprometidos correspondem a N2a (N2a = 4–6 linfonodos; N2b = 7 ou mais); sem metástase à distância = M0. Portanto, o estadiamento é T2 N2a M0, conforme a 8ª edição do AJCC/UICC.
O sistema TNM é o mais utilizado para estadiar tumores sólidos, incluindo o câncer colorretal. Ele avalia três componentes: T (extensão do tumor primário), N (acometimento de linfonodos regionais) e M (presença de metástases à distância). Cada componente tem categorias específicas que, combinadas, definem o estágio prognóstico (I a IV).
Para o câncer de cólon e reto, a classificação T é baseada na profundidade de invasão da parede intestinal:
Tis: carcinoma in situ (intraepitelial ou invasão da lâmina própria)
T1: invade a submucosa
T2: invade a muscular própria
T3: invade além da muscular própria, atingindo tecidos pericolorretais
T4a: invade a superfície do peritônio visceral
T4b: invade diretamente outros órgãos ou estruturas
A classificação N depende do número de linfonodos regionais comprometidos:
N0: nenhum linfonodo comprometido
N1a: 1 linfonodo
N1b: 2–3 linfonodos
N1c: depósitos tumorais (satelitose) sem linfonodos positivos
N2a: 4–6 linfonodos
N2b: 7 ou mais linfonodos
A classificação M é binária: M0 (sem metástase à distância) ou M1 (com metástase à distância, subdividida em M1a, M1b, M1c).
No caso apresentado, o tumor invade a muscular própria → T2. Há 4 linfonodos comprometidos → N2a. Não há lesão à distância → M0. O tamanho do tumor (5 cm) não altera a categoria T no câncer colorretal (diferente do GIST, por exemplo).
A pegadinha da questão está em dois pontos: (1) confundir T2 com T3, achando que o tamanho de 5 cm define a profundidade; (2) confundir N2a com N2b, errando o número de linfonodos. A banca explora exatamente esses erros nas alternativas.
T1 N2b M0: erra tanto o T quanto o N. T1 seria invasão da submucosa, não da muscular própria; N2b seria 7 ou mais linfonodos, não 4.
T2 N2b M0: acerta o T (muscular própria), mas erra o N. N2b corresponde a 7 ou mais linfonodos comprometidos, enquanto o caso tem apenas 4.
T3 N2a M0: acerta o N (4 linfonodos = N2a), mas erra o T. T3 seria invasão além da muscular própria, atingindo tecidos pericolorretais; o enunciado diz que invade apenas a muscular própria.
T2 N2a M0: T2 (invasão da muscular própria), N2a (4–6 linfonodos comprometidos), M0 (sem metástase à distância). É exatamente o estadiamento descrito.
T2 N1c M0: acerta o T, mas erra o N. N1c refere-se a depósitos tumorais (satelitose) sem linfonodos positivos, não a 4 linfonodos comprometidos.
A banca troca a profundidade de invasão (T) pelo tamanho do tumor e inverte o número de linfonodos (N2a × N2b). No câncer colorretal, o T é definido pela camada invadida, não pelo diâmetro; e N2a é 4–6 linfonodos, N2b é 7 ou mais. Fique atento a esses dois pontos.
Para fixar, monte uma tabela mental: T1 = submucosa, T2 = muscular própria, T3 = além da muscular, T4 = órgãos vizinhos; N1 = 1–3 linfonodos, N2 = 4 ou mais (N2a = 4–6, N2b = ≥7). Resolva questões que tragam casos clínicos e pratique a conversão direta.
Gabarito: letra D
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