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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113026
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
Mulher de 24 anos, assintomática, sem comorbidades, em uso de anticoncepcional oral, realizou ultrassonografia de abdome, solicitada pelo ginecologista, que evidenciou nódulo hepático heterogêneo bem delimitado de 4 cm.A conduta mais indicada neste caso é:
  1. Atomografia computadorizada de abdome.
  2. Bsuspender anticoncepcional e repetir ultrassonografia.
  3. Cressonância magnética de abdome superior.
  4. Dbiópsia hepática guiada por tomografia.
  5. Emanejo conservador.
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GabaritoC — ressonância magnética de abdome superior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nódulo hepático incidental: abordagem diagnóstica

Gabarito: letra C. Em paciente jovem, assintomática, sem comorbidades, com nódulo hepático heterogêneo e bem delimitado de 4 cm ao ultrassom, a conduta mais indicada é a ressonância magnética de abdome superior, pois é o método não invasivo de melhor acurácia para caracterizar lesões hepáticas focais, especialmente para diferenciar hemangioma de outras lesões. A RM é superior à TC por não utilizar radiação ionizante e por ter maior especificidade na caracterização tecidual.

O achado de um nódulo hepático incidental em paciente assintomática é situação frequente na prática clínica. O primeiro exame de imagem, geralmente a ultrassonografia, identifica a lesão, mas muitas vezes não é suficiente para definir sua natureza. O hemangioma hepático é o tumor benigno mais comum do fígado e, na ultrassonografia, costuma aparecer como lesão hiperecoica, homogênea e bem delimitada. No entanto, quando a lesão é heterogênea, como no caso descrito, a caracterização ultrassonográfica isolada é insuficiente para afastar outras possibilidades diagnósticas, como hiperplasia nodular focal, adenoma hepático ou até mesmo lesões malignas.

A ressonância magnética é considerada o exame de imagem não invasivo com melhor acurácia para o diagnóstico de hemangiomas e para a caracterização de lesões hepáticas focais em geral. O aspecto típico do hemangioma na RM é de lesão homogênea, bem delimitada, com baixa intensidade de sinal em T1 e hiperintensidade em T2. A administração de contraste paramagnético (gadolínio) resulta em realce nodular periférico ou realce globular precoce na fase arterial, com progressivo realce centrípeto nas fases posteriores. Essa característica é praticamente patognomônica e permite o diagnóstico definitivo sem necessidade de biópsia.

A tomografia computadorizada também pode ser utilizada, revelando lesão hipodensa e bem delimitada na fase sem contraste, com realce nodular periférico precoce seguido de padrão centrípeto na fase tardia. Porém, a RM oferece vantagens adicionais: não expõe o paciente à radiação ionizante — especialmente relevante em mulher jovem em idade reprodutiva — e tem maior sensibilidade e especificidade na caracterização de lesões hepáticas, particularmente na diferenciação entre hemangioma, hiperplasia nodular focal e adenoma. A TC fica reservada para casos em que a RM é contraindicada ou indisponível, ou para avaliação complementar de lesões suspeitas quando a ultrassonografia é inconclusiva.

A biópsia hepática é raramente necessária no diagnóstico de lesões hepáticas focais, especialmente quando os exames de imagem são típicos. No caso de hemangioma, a biópsia traz risco de complicações, como sangramento, e deve ser reservada para lesões atípicas ou quando há suspeita de outras neoplasias. A conduta conservadora, apenas com acompanhamento, não é adequada como primeira abordagem, pois a lesão é heterogênea e ainda não foi caracterizada. Suspender o anticoncepcional e repetir a ultrassonografia também não é a conduta ideal, pois a lesão já foi identificada e necessita de melhor caracterização por método de imagem mais preciso.

A principal distinção que esta questão explora é entre os métodos de imagem para caracterização de lesão hepática incidental. A ultrassonografia é o método de rastreamento inicial; a RM é o método de confirmação diagnóstica não invasivo de escolha; a TC é alternativa, mas com desvantagem da radiação; e a biópsia é reservada para casos selecionados. A conduta conservadora ou a simples repetição do exame inicial seriam inadequadas diante de uma lesão que ainda não foi devidamente caracterizada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os métodos de imagem. O candidato pode ser tentado a escolher a TC (alternativa A) por ser um exame comum, ou a biópsia (alternativa D) por pensar em diagnóstico definitivo. No entanto, a RM é o método de escolha por ser não invasivo, sem radiação e com maior acurácia para caracterizar a lesão. A biópsia só seria indicada se a RM fosse inconclusiva ou se houvesse forte suspeita de malignidade.

1US: rastreio inicial
Lesão heterogênea → caracterizar
2RM: método de escolha
Não invasivo, sem radiação
Alta acurácia (hemangioma × adenoma × HNF)
Diagnóstico definitivo sem biópsia
3TC: alternativa
Radiação ionizante
Menor especificidade que RM
4Biópsia: casos selecionados
Risco de sangramento
Só se RM inconclusiva/suspeita de malignidade
5Conduta conservadora
Não antes da caracterização
Nódulo hepático incidental
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Nódulo hepático incidental: US: rastreio inicial (Lesão heterogênea → caracterizar); RM: método de escolha (Não invasivo, sem radiação, Alta acurácia (hemangioma × adenoma × HNF), Diagnóstico definitivo sem biópsia); TC: alternativa (Radiação ionizante, Menor especificidade que RM); Biópsia: casos selecionados (Risco de sangramento, Só se RM inconclusiva/suspeita de malignidade); Conduta conservadora (Não antes da caracterização)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada de abdome é um método útil, mas não é a primeira escolha para caracterização de lesão hepática incidental em paciente jovem. A TC expõe o paciente à radiação ionizante e tem menor especificidade que a RM na caracterização de lesões focais hepáticas. A RM é superior por não utilizar radiação e por ter melhor capacidade de diferenciar hemangioma de outras lesões.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Suspender o anticoncepcional e repetir a ultrassonografia não é a conduta adequada. Embora o anticoncepcional oral possa estar associado ao desenvolvimento de adenoma hepático, a lesão já foi identificada e é heterogênea, necessitando de melhor caracterização por método de imagem mais preciso. A simples repetição da US não agregaria informações suficientes para definir a natureza da lesão.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ressonância magnética de abdome superior é o exame não invasivo de melhor acurácia para o diagnóstico de hemangiomas e para a caracterização de lesões hepáticas focais. O aspecto típico do hemangioma na RM — lesão bem delimitada, hipointensa em T1, hiperintensa em T2, com realce nodular periférico e progressivo realce centrípeto — permite diagnóstico definitivo sem necessidade de biópsia. Além disso, não utiliza radiação ionizante, sendo especialmente indicada em mulher jovem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A biópsia hepática guiada por tomografia é um procedimento invasivo que não deve ser realizado como primeira abordagem em lesão hepática incidental. A biópsia traz riscos de complicações, como sangramento, e só é indicada quando os exames de imagem não são conclusivos ou quando há suspeita de malignidade. No caso de hemangioma, a biópsia é desnecessária e perigosa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O manejo conservador, apenas com acompanhamento, não é adequado como primeira conduta, pois a lesão é heterogênea e ainda não foi caracterizada. Antes de decidir por observação, é necessário definir a natureza da lesão por método de imagem adequado. Somente após a caracterização por RM, se confirmado hemangioma típico, o manejo conservador seria apropriado.

Gabarito: letra C

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