Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113027
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
Um paciente de 52 anos foi submetido a colecistectomia eletiva por colelitíase. No retorno ambulatorial, saiu o resultado do exame histopatológico mostrando adenocarcinoma de vesícula, com extensão até tecido conectivo perimuscular, porém sem invasão da camada serosa. Realizado estadiamento, e sem evidências de metástases.A conduta neste caso é:
Aseguimento clínico.
Bampliação de margem de aproximadamente 2 cm de profundidade do parênquima hepático no leito vesicular.
Cquimioterapia adjuvante.
Dressecção dos segmentos IVb e V do fígado com linfadenectomia.
Ehepatectomia direita sem linfadenectomia.
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GabaritoD — ressecção dos segmentos IVb e V do fígado com linfadenectomia.
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Câncer de vesícula biliar incidental: estadiamento e conduta cirúrgica
Gabarito: letra D. O adenocarcinoma de vesícula com invasão do tecido conectivo perimuscular, sem atingir a serosa, corresponde ao estádio T1b (TNM). Para tumores T1b, a conduta recomendada é a ressecção dos segmentos IVb e V do fígado com linfadenectomia do hilo hepático, conforme diretrizes de consenso (NCCN e sociedades de cirurgia hepatobiliar). As demais alternativas subestimam ou superestimam o tratamento necessário para esse estádio específico.
O câncer de vesícula biliar é uma neoplasia relativamente rara, porém agressiva, frequentemente diagnosticada de forma incidental após colecistectomia por doença benigna, como no caso do enunciado. O estadiamento patológico é o principal determinante da conduta. A classificação TNM para tumores da vesícula biliar define:
Tis: carcinoma in situ.
T1a: invasão da lâmina própria.
T1b: invasão da camada muscular.
T2: invasão do tecido conectivo perimuscular, sem extensão além da serosa ou para o fígado.
T3: perfuração da serosa (visceral) e/ou invasão direta do fígado e/ou de um órgão adjacente.
T4: invasão da artéria hepática principal, veia porta ou envolvimento de dois ou mais órgãos extra-hepáticos.
No caso apresentado, o tumor invade o tecido conectivo perimuscular, mas não a serosa. Isso caracteriza T2, não T1b. Para tumores T2, a conduta recomendada é a ressecção dos segmentos hepáticos IVb e V (ressecção em cunha do leito vesicular) associada à linfadenectomia do hilo hepático. Essa abordagem visa obter margens negativas e tratar a drenagem linfática regional, que é o principal sítio de recidiva.
A alternativa D descreve exatamente essa conduta: "ressecção dos segmentos IVb e V do fígado com linfadenectomia". É a opção correta.
Vamos analisar cada alternativa:
Câncer de vesícula biliar (TNM): Tis (Carcinoma in situ); T1a (Invasão da lâmina própria); T1b (Invasão da camada muscular); T2 (Invasão do tecido perimuscular, Sem extensão à serosa); T3 (Perfuração da serosa, Invasão do fígado/órgão adjacente); T4 (Invasão de artéria hepática/veia porta, ≥2 órgãos extra-hepáticos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O seguimento clínico isolado é inadequado para tumores T2. A taxa de recidiva local e linfonodal é significativa, e a ressecção cirúrgica adicional melhora a sobrevida. O seguimento clínico seria aceitável apenas para tumores Tis ou T1a, onde a colecistectomia simples já é curativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ampliação de margem de 2 cm de profundidade no leito vesicular é uma técnica descrita, mas não é a conduta padrão para tumores T2. A ressecção anatômica dos segmentos IVb e V é preferível, pois remove o parênquima hepático com drenagem linfática regional, reduzindo a recidiva. A simples ampliação de margem não aborda os linfonodos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A quimioterapia adjuvante isolada, sem ressecção cirúrgica adicional, não é a conduta recomendada para tumores T2. O tratamento padrão é cirúrgico (ressecção hepática + linfadenectomia). A quimioterapia adjuvante pode ser considerada após a cirurgia, em casos selecionados, mas não substitui a ressecção.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ressecção dos segmentos IVb e V do fígado com linfadenectomia é a conduta recomendada para tumores T2 de vesícula biliar. Essa abordagem remove o leito vesicular com margem adequada e trata a drenagem linfática regional (linfonodos do hilo hepático e da cadeia cística), que é o principal sítio de recidiva. É a alternativa correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hepatectomia direita (ressecção dos segmentos V, VI, VII e VIII) é um procedimento mais extenso, reservado para tumores T3/T4 com invasão hepática significativa. Para tumores T2, a ressecção segmentar (IVb e V) é suficiente e menos mórbida. Além disso, a alternativa não inclui linfadenectomia, o que é um erro, pois a linfadenectomia é parte essencial do tratamento.
Conclusão: Para adenocarcinoma de vesícula biliar com invasão do tecido conectivo perimuscular (T2), a conduta é a ressecção dos segmentos IVb e V do fígado com linfadenectomia. A alternativa correta é a letra D.