Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113029
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
Homem de 70 anos, tabagista e etilista, apresenta disfagia progressiva e perda de peso. Foi diagnosticado com carcinoma escamoso do esôfago.Sobre essa doença, é correto afirmar que
Ahipercalcemia é a síndrome paraneoplásica mais comum.
Ba disfagia para sólidos ocorre quando mais de 10% da circunferência esofagiana estiver comprometida.
Co local de maior acometimento é o terço inferior do esôfago.
Da presença de linfonodos comprometidos no tronco celíaco é considerada metástase a distância.
Ea probabilidade de metástase para linfonodos regionais, em tumores limitados à mucosa, é de 30-50%.
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GabaritoA — hipercalcemia é a síndrome paraneoplásica mais comum.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Carcinoma escamoso do esôfago: síndromes paraneoplásicas e estadiamento
Gabarito: letra A. No carcinoma escamoso (CCE) de esôfago, a hipercalcemia é a síndrome paraneoplásica mais comum, mediada principalmente pela secreção tumoral de PTHrP (proteína relacionada ao paratormônio), que mimetiza a ação do PTH e causa reabsorção óssea e retenção renal de cálcio. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a fisiopatologia da disfagia, a localização tumoral e o estadiamento (TNM).
A hipercalcemia associada à malignidade (HCAM) é a causa mais comum de hipercalcemia em pacientes hospitalizados, e o carcinoma de células escamosas — incluindo o de esôfago — está entre os tumores classicamente associados à hipercalcemia humoral da malignidade (HHM). Nesse mecanismo, as células tumorais secretam PTHrP em excesso, que atua no mesmo receptor do PTH, promovendo retenção de cálcio nos rins e ativação osteoclástica no esqueleto. Diferentemente da hipercalcemia osteolítica local (HOL), a HHM ocorre tipicamente na ausência de metástases ósseas, e a ressecção ou ablação do tumor reverte a hipercalcemia. Essa é a base da alternativa A.
A disfagia no câncer de esôfago é um sintoma de obstrução mecânica progressiva. O lúmen esofágico precisa ser significativamente comprometido para que o paciente perceba dificuldade para engolir sólidos — o valor clássico citado é o comprometimento de cerca de 60% da circunferência do órgão, e não 10% como afirma a alternativa B. A disfagia inicialmente para sólidos e depois para líquidos reflete a progressão da obstrução, e a perda de peso rápida associada é um forte indicativo de neoplasia.
Quanto à localização, o CCE é mais comum nos terços superior e médio do esôfago, enquanto o adenocarcinoma predomina no terço inferior, geralmente associado ao esôfago de Barrett e à doença do refluxo gastroesofágico. A alternativa C inverte essa distribuição.
No estadiamento do câncer de esofágico, a presença de linfonodos comprometidos no tronco celíaco é classificada como doença regional (N), e não como metástase a distância (M). Já a probabilidade de metástase para linfonodos regionais em tumores limitados à mucosa (T1a) é baixa, em torno de 1-5%, e não de 30-50% como afirma a alternativa E — esse percentual elevado é característico de tumores que invadem a submucosa (T1b).
Guarde essas quatro fronteiras — hipercalcemia como paraneoplasia mais comum, comprometimento circunferencial de ~60% para disfagia, terço superior/médio para CCE, e linfonodo celíaco como N regional — pois são exatamente os pontos que as alternativas B, C, D e E distorcem.
Carcinoma escamoso do esôfago
1Síndrome paraneoplásica
Hipercalcemia (mais comum)
PTHrP (humoral)
2Disfagia
Comprometimento de ~60% da circunferência
3Localização típica
Terços superior e médio
4Estadiamento
Linfonodo celíaco = regional (N)
T1a (mucosa): risco linfonodal 1-5%
T1b (submucosa): risco linfonodal 30-50%
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipercalcemia é, de fato, a síndrome paraneoplásica mais comum no carcinoma escamoso de esôfago. O mecanismo predominante é a hipercalcemia humoral da malignidade (HHM), pela secreção de PTHrP pelas células tumorais, que mimetiza o PTH e causa reabsorção óssea osteoclástica e retenção renal de cálcio. Os tumores de células escamosas (laringe, pulmão, colo do útero e esôfago) estão classicamente associados a esse mecanismo, que ocorre tipicamente na ausência de metástases ósseas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A disfagia para sólidos no câncer de esôfago ocorre quando há comprometimento de cerca de 60% da circunferência esofagiana, e não de 10%. O valor de 10% não corresponde a nenhum limiar clínico relevante — a obstrução precisa ser significativa para que o paciente perceba a dificuldade de trânsito de alimentos sólidos. A disfagia progressiva de sólidos para líquidos é o padrão típico da obstrução mecânica neoplásica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O carcinoma escamoso do esôfago acomete preferencialmente os terços superior e médio do esôfago, e não o terço inferior. O adenocarcinoma é o tipo histológico que predomina no terço inferior, geralmente associado ao esôfago de Barrett e à doença do refluxo gastroesofágico. A alternativa troca a localização típica dos dois tipos histológicos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A presença de linfonodos comprometidos no tronco celíaco é classificada como doença linfonodal regional (N), e não como metástase a distância (M). No estadiamento do câncer de esôfago, linfonodos celíacos são considerados regionais, e sua presença não configura doença metastática à distância. A alternativa confunde a classificação N com M.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Em tumores limitados à mucosa (T1a), a probabilidade de metástase para linfonodos regionais é baixa, em torno de 1-5%, e não de 30-50%. Esse percentual elevado é característico de tumores que invadem a submucosa (T1b), que apresentam risco significativamente maior de disseminação linfonodal. A alternativa superestima o risco metastático de tumores superficiais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os dois tipos histológicos de câncer de esôfago e suas localizações típicas: o CCE (terços superior/médio, associado a tabagismo e etilismo) e o adenocarcinoma (terço inferior, associado ao esôfago de Barrett). Na alternativa C, ela inverte essa distribuição — fique atento a essa troca clássica.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar o estadiamento, lembre-se: linfonodos celíacos são regionais (N) no câncer de esôfago, e tumores T1a (mucosa) têm baixo risco linfonodal (~1-5%), enquanto T1b (submucosa) tem risco alto (~30-50%). Essa distinção é decisiva para a conduta: T1a pode ser tratado com ressecção endoscópica, enquanto T1b exige cirurgia.