Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113031
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo
Mulher de 45 anos procurou o pronto-socorro após ingestão de pedaço de carne, evoluindo com sialorreia, disfagia e odinofagia. Diagnosticada com obstrução esofágica por corpo estranho.A esse respeito, assinale a alternativa correta.
AAlimentos moles, como o pedaço de carne, mesmo impactados, não levam à perfuração esofágica.
BA obstrução esofágica é mais comum em obesos.
COssos de peixe e galinha são facilmente visíveis em radiografias com duas incidências.
DEsofagite eosinofílica é responsável por até 50% dos casos de impactação de bolo alimentar.
EA abordagem endoscópica está indicada para retirada de cápsulas ou recipientes plásticos contendo drogas ilícitas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Esofagite eosinofílica é responsável por até 50% dos casos de impactação de bolo alimentar.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Impactação de bolo alimentar no esôfago: etiologia e conduta
Gabarito: letra D. A esofagite eosinofílica (EEo) é uma das causas mais relevantes de impactação de bolo alimentar no esôfago, sendo responsável por até 50% dos casos em adultos jovens, conforme a literatura médica especializada. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou dados incorretos sobre a fisiopatologia, o diagnóstico por imagem e a conduta endoscópica.
A impactação de bolo alimentar ocorre quando um alimento, geralmente carne, fica alojado no esôfago, provocando obstrução completa ou parcial. Os sintomas clássicos são sialorreia (incapacidade de deglutir a própria saliva), disfagia (dificuldade para engolir) e odinofagia (dor ao engolir), exatamente como descrito no caso clínico. A causa mais comum não é um esôfago normal, mas sim um processo patológico subjacente que estreita o lúmen ou altera a motilidade do órgão. Entre essas causas, destacam-se a estenose péptica (decorrente de doença do refluxo gastroesofágico), o anel de Schatzki (anel mucoso distal), a esofagite eosinofílica e as neoplasias malignas.
A esofagite eosinofílica (EEo) é uma doença inflamatória crônica, imunomediada, caracterizada por infiltração eosinofílica da mucosa esofágica. Em adultos, a apresentação mais comum é justamente a impactação de alimentos, e estudos mostram que a EEo é responsável por uma proporção significativa desses casos, chegando a até 50% em algumas séries. Esse dado é fundamental para o diagnóstico diferencial: em um adulto jovem com impactação alimentar, a EEo deve ser sempre considerada, especialmente se houver história de disfagia intermitente e atopia (asma, rinite alérgica, eczema).
A conduta na impactação alimentar depende da gravidade. Se o paciente consegue deglutir saliva e não há sinais de perfuração, pode-se tentar manejo conservador com glucagon intravenoso, que relaxa o esfíncter esofágico inferior e o músculo liso do esôfago, facilitando a passagem espontânea do bolo. Se não houver resolução, a endoscopia digestiva alta de emergência está indicada para remover o corpo estranho. A endoscopia é urgente em casos de obstrução completa (paciente não consegue deglutir nem a própria saliva), ingestão de pilhas ou baterias, e objetos pontiagudos. A remoção deve ocorrer idealmente em até 24 horas para evitar complicações como ulceração, perfuração ou mediastinite.
A radiografia simples é o primeiro exame de imagem na suspeita de corpo estranho esofágico, mas tem limitações importantes: apenas corpos estranhos radiopacos (como moedas, pilhas e alguns ossos) são visíveis. Ossos de peixe e galinha são frequentemente radiolucentes, ou seja, não aparecem na radiografia convencional, mesmo com duas incidências. A tomografia computadorizada é o exame de escolha quando há suspeita de perfuração, corpo estranho pontiagudo ou ingestão de pacotes de drogas.
A ingestão de corpos estranhos pode ser acidental ou intencional. No caso de drogas ilícitas, os pacientes podem ingerir cápsulas ou recipientes plásticos contendo cocaína ou outras substâncias (body packing). Nesses casos, a conduta é controversa e a endoscopia não é a primeira opção: o risco de ruptura do pacote durante a manipulação endoscópica pode levar à liberação aguda da droga e intoxicação grave. O manejo é geralmente conservador, com observação e eliminação espontânea, ou cirúrgico em casos de obstrução ou suspeita de ruptura.
A alternativa A afirma que alimentos moles, como carne, mesmo impactados, não levam à perfuração esofágica. Isso é falso: qualquer corpo estranho impactado, independentemente da consistência, pode causar pressão prolongada na parede esofágica, levando a isquemia, necrose e perfuração. A perfuração esofágica é uma emergência com alta mortalidade (até 18% na porção torácica) e deve ser sempre considerada em pacientes com dor intensa, febre, enfisema subcutâneo ou sinais de sepse.
A alternativa B afirma que a obstrução esofágica é mais comum em obesos. Não há evidência que sustente essa afirmação. A impactação alimentar está mais associada a condições estruturais (estenose, anel, EEo) ou motoras do esôfago, e não ao peso corporal. A obesidade é um fator de risco para doença do refluxo gastroesofágico, que pode levar a estenose péptica, mas a obstrução aguda por bolo alimentar não é mais frequente em obesos.
A alternativa C afirma que ossos de peixe e galinha são facilmente visíveis em radiografias com duas incidências. Isso é incorreto: a maioria dos ossos de peixe e galinha é radiolucente, ou seja, não é visível na radiografia convencional. A sensibilidade da radiografia para detectar esses corpos estranhos é baixa, e a tomografia computadorizada é o exame mais sensível para essa finalidade.
A alternativa E afirma que a abordagem endoscópica está indicada para retirada de cápsulas ou recipientes plásticos contendo drogas ilícitas. Isso é falso e perigoso: a endoscopia está contraindicada nesses casos, pois a manipulação pode romper o pacote e liberar a droga, causando intoxicação aguda potencialmente fatal. O manejo é conservador ou cirúrgico, dependendo da situação clínica.
Impactação de bolo alimentar
1Etiologia
Esofagite eosinofílica (até 50%)
Estenose péptica
Anel de Schatzki
Neoplasia
2Quadro clínico
Sialorreia
Disfagia
Odinofagia
3Conduta
Conservador (glucagon)
Endoscopia de urgência
Obstrução completa
Pilhas/baterias
Objetos pontiagudos
Contraindicada em body packing
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que alimentos moles, como carne, mesmo impactados, não levam à perfuração esofágica. Isso é falso: qualquer corpo estranho impactado pode causar pressão prolongada na parede esofágica, levando a isquemia, necrose e perfuração. A perfuração é uma complicação grave, com mortalidade de até 18% na porção torácica, e deve ser sempre suspeitada em pacientes com dor intensa, febre ou enfisema subcutâneo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a obstrução esofágica é mais comum em obesos. Não há evidência que sustente essa relação. A impactação alimentar está associada a condições estruturais (estenose péptica, anel de Schatzki, EEo) ou motoras do esôfago, e não ao peso corporal. A obesidade é fator de risco para DRGE, que pode levar a estenose, mas não é um fator direto para obstrução aguda.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que ossos de peixe e galinha são facilmente visíveis em radiografias com duas incidências. Isso é incorreto: a maioria desses ossos é radiolucente, ou seja, não aparece na radiografia convencional. A tomografia computadorizada é o exame mais sensível para detectar esses corpos estranhos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a esofagite eosinofílica é responsável por até 50% dos casos de impactação de bolo alimentar. Isso está correto e é um dado bem estabelecido na literatura. A EEo é uma causa importante de impactação alimentar, especialmente em adultos jovens, e deve ser sempre considerada no diagnóstico diferencial. A endoscopia com biópsias é o método diagnóstico padrão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a abordagem endoscópica está indicada para retirada de cápsulas ou recipientes plásticos contendo drogas ilícitas. Isso é falso: a endoscopia está contraindicada nesses casos, pois a manipulação pode romper o pacote e liberar a droga, causando intoxicação aguda. O manejo é conservador ou cirúrgico.