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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
vu113039
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Clínica Médica
Homem de 38 anos de idade com doença de Crohn ileocecal apresenta quadro de dor abdominal intensa e amilase sérica de 2.134 U/L. Ele iniciou recentemente o tratamento com azatioprina (250 mg, uma vez por dia).Em relação à pancreatite induzida por azatioprina na doença inflamatória intestinal, é correto afirmar:
  1. Aafeta < 1% dos pacientes.
  2. Bgeralmente se manifesta como pancreatite aguda grave.
  3. Cgeralmente ocorre após mais de três meses de tratamento.
  4. Dhá uma baixa taxa de recidiva da pancreatite na reexposição.
  5. Etrata-se de uma complicação independente da dose.
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GabaritoE — trata-se de uma complicação independente da dose.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pancreatite induzida por azatioprina na doença inflamatória intestinal

Gabarito: letra E. A pancreatite induzida por azatioprina é uma reação idiossincrática, ou seja, independente da dose do medicamento — não é um efeito tóxico dose-dependente. Essa é a característica central que a alternativa E corretamente afirma, e é o que a banca explora ao apresentar as demais opções com erros sobre frequência, gravidade, tempo de início e recidiva.

A azatioprina é um imunossupressor amplamente utilizado no tratamento da doença inflamatória intestinal (DII), especialmente na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa. Entre seus efeitos adversos, a pancreatite aguda é uma complicação bem documentada, mas relativamente rara. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas acredita-se que envolva uma reação de hipersensibilidade ou idiossincrasia metabólica, não uma toxicidade direta relacionada à dose. Isso significa que mesmo doses baixas podem desencadear o quadro, e doses altas não necessariamente aumentam o risco — o que diferencia essa reação de outros efeitos adversos da droga, como a mielossupressão, que é dose-dependente.

Na prática clínica, a pancreatite induzida por azatioprina costuma se manifestar nas primeiras semanas de tratamento, geralmente dentro dos primeiros 2 a 3 meses, com dor abdominal e elevação de amilase e lipase. O quadro clínico é semelhante ao de outras pancreatites agudas, mas tende a ser leve a moderado na maioria dos casos, embora casos graves possam ocorrer. O diagnóstico é essencialmente clínico e de exclusão, após afastar outras causas comuns, como litíase biliar e álcool. A confirmação definitiva muitas vezes vem da reexposição, que reproduz o quadro — e é justamente por isso que a reexposição é contraindicada, pois a recidiva é frequente e pode ser grave.

A conduta diante de suspeita de pancreatite induzida por azatioprina é a suspensão imediata da droga e o suporte clínico, com analgesia, hidratação e monitorização. A alternativa terapêutica na DII pode incluir outros imunossupressores, como o metotrexato, ou agentes biológicos, como os anti-TNF. É importante que o médico reconheça essa complicação precocemente, pois a continuação da droga pode levar a um quadro mais grave e a complicações locais ou sistêmicas.

A banca explora aqui um tema clássico de farmacologia clínica: a diferença entre reações adversas dose-dependentes (tipo A) e reações idiossincráticas (tipo B). A pancreatite por azatioprina é um exemplo de reação tipo B, imprevisível e independente da dose, enquanto a mielossupressão é um exemplo de reação tipo A. Guarde essa distinção: ela é o critério decisivo para separar as alternativas desta questão.

1Mecanismo
Reação idiossincrática (tipo B)
Independente da dose
2Epidemiologia
Incidência: 3% a 5%
3Quadro clínico
Início precoce (semanas a 2-3 meses)
Gravidade leve a moderada
4Reexposição
Contraindicada
Alta taxa de recidiva
Pancreatite por azatioprina
LEVELsoulevel.com.br
Pancreatite por azatioprina: Mecanismo (Reação idiossincrática (tipo B), Independente da dose); Epidemiologia (Incidência: 3% a 5%); Quadro clínico (Início precoce (semanas a 2-3 meses), Gravidade leve a moderada); Reexposição (Contraindicada, Alta taxa de recidiva)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a pancreatite afeta menos de 1% dos pacientes. Na verdade, a incidência relatada é de aproximadamente 3% a 5% dos pacientes em uso de azatioprina ou 6-mercaptopurina. O valor de 1% é um distrator numérico que subestima a frequência real, provavelmente para confundir o candidato que não conhece a epidemiologia exata.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que geralmente se manifesta como pancreatite aguda grave. Na maioria dos casos, a pancreatite induzida por azatioprina é leve a moderada, com boa evolução após a suspensão da droga. Embora casos graves possam ocorrer, a regra é um quadro autolimitado, sem necrose ou falência orgânica na maioria dos pacientes. A banca inverte a gravidade esperada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que geralmente ocorre após mais de três meses de tratamento. Na realidade, a pancreatite por azatioprina costuma se manifestar precocemente, geralmente nas primeiras semanas a até 2-3 meses de uso. O início tardio é incomum. A alternativa erra ao alongar o tempo de latência, o que levaria o médico a não suspeitar da droga em quadros precoces.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que há baixa taxa de recidiva na reexposição. Na verdade, a reexposição à azatioprina em pacientes que tiveram pancreatite induzida pela droga está associada a alta taxa de recidiva, frequentemente com quadro mais grave e de início mais rápido. Por isso, a reexposição é formalmente contraindicada. A alternativa inverte o risco de recidiva.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que se trata de uma complicação independente da dose. Essa é a característica definidora da reação idiossincrática: não há relação entre a dose do medicamento e a ocorrência ou gravidade da pancreatite. Mesmo doses baixas podem desencadear o quadro, e a suspensão da droga é a medida fundamental, independentemente da dose utilizada. Essa é a alternativa correta, pois reflete o mecanismo fisiopatológico da reação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre reações adversas dose-dependentes (tipo A) e idiossincráticas (tipo B). A pancreatite por azatioprina é um exemplo clássico de reação tipo B — imprevisível e independente da dose. Candidatos que não dominam essa distinção podem ser levados a escolher uma alternativa que descreve características de outras reações, como a mielossupressão, que é dose-dependente. Fique atento: quando a questão falar em "independente da dose", pense imediatamente em idiossincrasia.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as características da pancreatite induzida por azatioprina, lembre-se do mnemônico PIDA: Precoce (início em semanas a poucos meses), Idiossincrática (independente da dose), Dose não importa, Alta recidiva na reexposição. Essa combinação de características é única e facilmente distinguível das demais reações adversas da droga.

Gabarito: letra E

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