Homem de 39 anos de idade com histórico de abuso de heroína evolui com quadro de três dias de mal-estar, febre e dor lombar intensa. Há algumas horas, apresenta parestesias em ambas as pernas. O exame físico revela um paciente emagrecido; temperatura: 39 ºC; há dor intensa à palpação da região espinhal lombar. Exames séricos: leucocitose acentuada e proteína C reativa muito elevada. Radiografias lombares são normais.O germe que, mais provavelmente, é responsável pela apresentação desse paciente é
AKlebsiella sp.
BMycobacterium tuberculosis.
CPseudomonas aeruginosa.
DStreptococcus pyogenes.
EStaphylococcus aureus.
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GabaritoE — Staphylococcus aureus.
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Espondilodiscite infecciosa: o agente etiológico
Gabarito: letra E. O quadro clínico — febre, dor lombar intensa, parestesias em membros inferiores, leucocitose e PCR elevada em usuário de droga intravenosa — é altamente sugestivo de espondilodiscite infecciosa, e o agente mais provável é o Staphylococcus aureus, o principal patógeno dessa condição, especialmente em usuários de drogas injetáveis. A apresentação clínica e os fatores de risco apontam diretamente para essa etiologia, que é a mais prevalente em infecções osteoarticulares e de disco intervertebral.
A espondilodiscite é uma infecção que acomete o disco intervertebral e os corpos vertebrais adjacentes, geralmente por disseminação hematogênica. O paciente em questão, com histórico de abuso de heroína, apresenta um quadro agudo de febre, dor lombar intensa e sinais de comprometimento neurológico (parestesias em ambas as pernas), o que sugere uma infecção vertebral com possível extensão para o canal medular. A radiografia normal no início do quadro é um achado clássico, pois as alterações ósseas demoram semanas para se manifestar; exames de imagem mais sensíveis, como a ressonância magnética, são os de escolha para o diagnóstico precoce.
O Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum da espondilodiscite, responsável por cerca de 50-60% dos casos. Em usuários de drogas intravenosas, a via de inoculação é direta, pela corrente sanguínea, e o S. aureus é o patógeno predominante nesse grupo, frequentemente associado a bacteremia e endocardite. A apresentação clínica com febre alta, dor lombar intensa e sinais de sepse, como leucocitose e PCR elevada, reforça a etiologia bacteriana aguda, em vez de causas crônicas como tuberculose ou infecções por germes oportunistas.
A distinção entre os agentes é crucial para a escolha da antibioticoterapia empírica. Enquanto o S. aureus é o principal agente em infecções agudas e em usuários de drogas, a tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) é uma causa crônica, com evolução insidiosa, e a Pseudomonas aeruginosa é mais comum em infecções nosocomiais ou em pacientes imunocomprometidos. A Klebsiella sp. e o Streptococcus pyogenes são menos frequentes nesse cenário. A apresentação aguda, com febre alta e sinais de sepse, aponta fortemente para o S. aureus.
A banca explora a associação entre o uso de drogas intravenosas e a endocardite, mas o quadro clínico descrito — dor lombar intensa, parestesias e radiografia normal — é mais característico de espondilodiscite, e o S. aureus é o agente mais provável nesse contexto. A febre alta, a leucocitose e a PCR muito elevada indicam uma infecção bacteriana aguda, e a dor lombar com sinais neurológicos sugere comprometimento vertebral. O diagnóstico diferencial com outras causas de dor lombar febril, como pielonefrite ou abscesso do psoas, também deve ser considerado, mas a apresentação é típica de espondilodiscite.
Guarde a associação: usuário de droga intravenosa + febre + dor lombar intensa + sinais neurológicos = espondilodiscite por Staphylococcus aureus. É esse o critério que separa a alternativa correta das demais, que representam agentes menos prováveis nesse cenário clínico.
1Disseminação hematogênica
2Infecção do disco vertebral
3Febre + dor lombar intensa
4Comprometimento neurológico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A Klebsiella sp. é um bacilo gram-negativo que pode causar infecções urinárias, pneumonias e infecções em pacientes imunocomprometidos, mas não é o agente mais comum de espondilodiscite, especialmente em usuários de drogas intravenosas. Embora possa causar infecções ósseas, sua prevalência é muito menor que a do S. aureus, e o quadro clínico descrito não apresenta características específicas que a sugiram.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A Mycobacterium tuberculosis é uma causa importante de espondilodiscite (mal de Pott), mas apresenta evolução crônica e insidiosa, com dor lombar de longa duração, febre baixa e sintomas constitucionais. O quadro agudo, com febre alta (39 ºC), leucocitose acentuada e PCR muito elevada, é mais compatível com infecção bacteriana aguda, não com tuberculose, que geralmente cursa com sintomas mais arrastados e menos sinais de sepse.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Pseudomonas aeruginosa é um bacilo gram-negativo frequentemente associado a infecções nosocomiais, em pacientes imunocomprometidos ou com dispositivos invasivos. Embora possa causar osteomielite vertebral, especialmente em usuários de drogas intravenosas, sua prevalência é menor que a do S. aureus, e o quadro clínico descrito não apresenta fatores de risco específicos para Pseudomonas, como internação recente ou uso de antibióticos de amplo espectro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A) é um coco gram-positivo que causa faringite, impetigo e febre reumática, mas raramente é agente de espondilodiscite. Embora possa causar infecções osteoarticulares, sua prevalência é muito baixa nesse cenário, e o quadro clínico descrito não apresenta características que o sugiram, como erupção cutânea ou faringite prévia.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum da espondilodiscite, responsável pela maioria dos casos, especialmente em usuários de drogas intravenosas. A apresentação aguda, com febre alta, dor lombar intensa, leucocitose e PCR elevada, é típica de infecção bacteriana por S. aureus, que pode se disseminar hematogenicamente para o disco intervertebral e os corpos vertebrais. A radiografia normal no início do quadro é compatível, pois as alterações ósseas demoram a aparecer, e a ressonância magnética é o exame de escolha para o diagnóstico precoce.