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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu113064
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Clínica Médica/Oncologia Clínica
Paciente de 70 anos de idade, do sexo masculino, sem comorbidades relevantes, apresenta, em exames de rotina, PSA de 50 ng/mL. Biópsia de próstata com Gleason igual a 9. Estadiamento clínico T3aN0M0.Nesse caso, está indicado o seguinte tratamento:
  1. Avigilância ativa.
  2. Bprostatectomia radical sem linfadenectomia.
  3. Cradioterapia externa exclusiva.
  4. Dradioterapia externa com análogo do LHRH concomitante e adjuvante e abiraterona.
  5. Eradioterapia externa e olaparibe.
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GabaritoD — radioterapia externa com análogo do LHRH concomitante e adjuvante e abiraterona.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de próstata de alto risco localmente avançado: tratamento

Gabarito: letra D. Para câncer de próstata localmente avançado (T3a) de alto risco (Gleason 9, PSA 50 ng/mL), o tratamento padrão é radioterapia externa associada a terapia de privação androgênica (análogo do LHRH) por tempo prolongado, com adição de abiraterona — exatamente o que a alternativa D descreve. Essa conduta é sustentada por ensaios clínicos randomizados que demonstraram ganho de sobrevida global com a combinação de radioterapia + ADT + abiraterona nesse cenário.

O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comum em homens no Brasil (exceto pele não melanoma) e o segundo em mortalidade. O caso apresentado reúne três marcadores de alto risco: PSA muito elevado (50 ng/mL), Gleason 9 (grupo de grau ISUP 5, o mais agressivo) e estadiamento clínico T3a (extensão além da cápsula prostática). Essa combinação define um paciente com doença localmente avançada de alto risco, para quem a vigilância ativa é absolutamente contraindicada e a prostatectomia radical isolada não é a primeira escolha — o risco de margens positivas e recidiva é alto, e a radioterapia com privação androgênica prolongada é o padrão.

A base do tratamento do câncer de próstata localizado de risco intermediário e alto é a radioterapia (externa ou braquiterapia) ou a prostatectomia radical, sempre considerando a expectativa de vida e as comorbidades. Para doença localmente avançada (T3-T4), a radioterapia externa combinada com terapia de privação androgênica (ADT) é a abordagem preferida, com ADT por 2 a 3 anos nos casos de alto risco. Mais recentemente, o estudo STAMPEDE e o ensaio LATITUDE (este para metastático) demonstraram que a adição de abiraterona à ADT melhora a sobrevida global em pacientes de alto risco, incluindo aqueles com doença localmente avançada. Por isso, a combinação radioterapia + análogo do LHRH + abiraterona é hoje o tratamento de escolha para esse perfil.

A alternativa D é a única que contempla a tríade completa: radioterapia externa (para tratar a doença local), análogo do LHRH (para privação androgênica, que potencializa o efeito da radioterapia e trata micrometástases) e abiraterona (que bloqueia a produção de andrógenos por outras vias, incluindo o tumor, e demonstrou benefício em sobrevida). As demais alternativas erram por omitir um componente essencial ou por indicar uma conduta inadequada para o risco do paciente.

A pegadinha central desta questão é a tentação de escolher uma opção "mais simples" (como radioterapia exclusiva ou prostatectomia radical) para um paciente de alto risco, quando a evidência atual exige a combinação de modalidades. O candidato que não conhece os estudos recentes pode achar que radioterapia + ADT é suficiente, mas a adição de abiraterona é o diferencial que define o gabarito.

1Marcadores de alto risco
PSA ≥ 20 ng/mL
Gleason ≥ 8 (ISUP 4-5)
Estádio clínico T3-T4
2Tratamento padrão
Radioterapia externa
Análogo do LHRH (ADT prolongada)
Abiraterona
3Condutas inadequadas
Vigilância ativa (só risco baixo)
Cirurgia isolada (alto risco de margem positiva)
Radioterapia exclusiva (sem ADT)
Olaparibe (só CPRCm com mutação BRCA)
Câncer de próstata localmente avançado de alto risco
LEVELsoulevel.com.br
Câncer de próstata localmente avançado de alto risco: Marcadores de alto risco (PSA ≥ 20 ng/mL, Gleason ≥ 8 (ISUP 4-5), Estádio clínico T3-T4); Tratamento padrão (Radioterapia externa, Análogo do LHRH (ADT prolongada), Abiraterona); Condutas inadequadas (Vigilância ativa (só risco baixo), Cirurgia isolada (alto risco de margem positiva), Radioterapia exclusiva (sem ADT), Olaparibe (só CPRCm com mutação BRCA))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A vigilância ativa é indicada apenas para câncer de próstata de risco muito baixo ou baixo (Gleason 6, PSA < 10 ng/mL, baixa carga tumoral). Este paciente tem Gleason 9, PSA 50 ng/mL e T3a — risco altíssimo, com doença localmente avançada. Vigilância ativa aqui seria conduta inadequada e perigosa, pois a doença tem alto potencial de progressão e metástase.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A prostatectomia radical sem linfadenectomia não é a primeira escolha para doença T3a de alto risco. Embora a cirurgia seja opção para doença localizada, em tumores localmente avançados (T3) o risco de margens positivas e recidiva bioquímica é alto, e a radioterapia com ADT é preferida. Além disso, a linfadenectomia pélvica é recomendada em pacientes de risco intermediário/alto para estadiamento, e omiti-la seria inadequado. A cirurgia isolada, sem terapia adjuvante, não é o padrão para esse perfil.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radioterapia externa exclusiva, sem terapia de privação androgênica, é insuficiente para câncer de próstata de alto risco. A ADT concomitante e adjuvante é obrigatória nesse cenário, pois melhora a sobrevida global e o controle local. A alternativa omite o análogo do LHRH e a abiraterona, que são parte essencial do tratamento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta: radioterapia externa + análogo do LHRH (concomitante e adjuvante) + abiraterona. A combinação de radioterapia com privação androgênica prolongada é o padrão para doença localmente avançada de alto risco, e a adição de abiraterona demonstrou ganho de sobrevida global em ensaios clínicos randomizados (como o STAMPEDE). A abiraterona é um inibidor de CYP17A1 que bloqueia a síntese de andrógenos em múltiplos níveis, potencializando o efeito da castração.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A associação de radioterapia com olaparibe não é o tratamento padrão para câncer de próstata localmente avançado. O olaparibe é um inibidor de PARP, indicado para pacientes com mutações em genes de reparo de DNA (como BRCA) e doença metastática resistente à castração (CPRCm), não para doença localizada de alto risco. Além disso, a alternativa omite a terapia de privação androgênica, que é fundamental nesse cenário.

Gabarito: letra D — radioterapia externa com análogo do LHRH concomitante e adjuvante e abiraterona.

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