Mulher, 42 anos, inicia quimioterapia para tratamento de câncer de mama. Ecocardiograma antes do início do tratamento mostrava fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) de 60% e strain longitudinal global do ventrículo esquerdo de 18%. Após 3 meses de tratamento, em qual das situações a seguir deve-se discutir com oncologista a mudança do tratamento oncológico para opção não cardiotóxica (considerar dados confirmados em dois exames realizados com duas semanas de intervalo), conforme posicionamento do departamento de imagem cardiovascular?
AFEVE: 60%; strain: 15%.
BFEVE: 54%; strain: 12%.
CFEVE: 50%; independentemente do valor de strain.
DFEVE: 45%; strain: 12%.
EFEVE: 38%; independentemente do valor de strain.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — FEVE: 38%; independentemente do valor de strain.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cardiotoxicidade por quimioterapia: critérios de mudança de tratamento
Gabarito: letra E. A FEVE de 38% representa queda de mais de 10 pontos percentuais em relação ao valor basal (60%), configurando cardiotoxicidade independentemente do valor de strain, conforme o posicionamento do departamento de imagem cardiovascular da Sociedade Europeia de Cardiologia (EACVI). A alternativa E é a única que atende ao critério de queda da FEVE ≥10 pontos percentuais para valor <53%, com confirmação em dois exames.
A cardiotoxicidade induzida por quimioterapia é uma complicação potencialmente grave que pode limitar o tratamento oncológico. O monitoramento cardíaco antes, durante e após o tratamento é essencial, especialmente com agentes como antraciclinas e trastuzumabe. O ecocardiograma é o método de escolha para avaliação seriada, utilizando a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e o strain longitudinal global (SLG) como principais parâmetros.
O posicionamento do departamento de imagem cardiovascular (EACVI) define critérios objetivos para identificar cardiotoxicidade e orientar a mudança de tratamento. A cardiotoxicidade é definida como uma queda da FEVE de mais de 10 pontos percentuais em relação ao valor basal, para um valor final abaixo de 53%. Esse critério deve ser confirmado em dois exames realizados com duas semanas de intervalo. O SLG é um marcador mais precoce de disfunção miocárdica, e uma redução relativa de mais de 15% em relação ao valor basal também é considerada um sinal de cardiotoxicidade, mesmo antes da queda da FEVE.
Na prática, o SLG é útil para detectar disfunção subclínica, mas a decisão de mudar o tratamento oncológico para uma opção não cardiotóxica é mais fortemente baseada na FEVE. Uma FEVE abaixo de 53% com queda de mais de 10 pontos percentuais é um critério claro de cardiotoxicidade, independentemente do SLG. Por outro lado, uma queda isolada do SLG, sem alteração significativa da FEVE, pode indicar a necessidade de monitoramento mais próximo, mas não necessariamente a mudança imediata do tratamento.
A pegadinha desta questão está em considerar apenas o valor absoluto da FEVE ou do SLG, sem levar em conta a queda percentual em relação ao basal. A paciente tinha FEVE basal de 60% e SLG basal de 18%. Uma FEVE de 50% representa uma queda de 10 pontos percentuais, mas o valor final (50%) não é inferior a 53%, portanto não preenche o critério de cardiotoxicidade. Já uma FEVE de 38% representa uma queda de 22 pontos percentuais, com valor final muito abaixo de 53%, preenchendo claramente o critério.
Guarde a fronteira entre os critérios de cardiotoxicidade: queda da FEVE >10 pontos percentuais para valor <53% (independente do SLG) e redução relativa do SLG >15% (marcador precoce). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
1FEVE basal (60%)
2Queda >10 pontos
3Valor final <53%
4Confirmar em 2 exames
5Mudar tratamento
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A FEVE de 60% está dentro da normalidade e o SLG de 15% representa uma redução relativa de aproximadamente 16,7% em relação ao basal (18%). Embora a queda do SLG seja significativa, a FEVE permanece normal, e o critério de cardiotoxicidade para mudança de tratamento não é preenchido. A redução isolada do SLG pode indicar disfunção subclínica, mas não justifica a mudança imediata do tratamento oncológico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A FEVE de 54% representa uma queda de 6 pontos percentuais em relação ao basal (60%), o que não atinge o critério de queda >10 pontos percentuais. O SLG de 12% representa uma redução relativa de 33,3%, que é significativa, mas a FEVE ainda está acima de 53%. A combinação de queda do SLG com FEVE preservada pode indicar cardiotoxicidade subclínica, mas não preenche o critério para mudança de tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A FEVE de 50% representa uma queda de 10 pontos percentuais em relação ao basal (60%), mas o valor final (50%) não é inferior a 53%. O critério de cardiotoxicidade exige queda >10 pontos percentuais E valor final <53%. Portanto, uma FEVE de 50% não preenche o critério, independentemente do valor de strain. A alternativa erra ao afirmar que a FEVE de 50% é suficiente para mudança de tratamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A FEVE de 45% representa uma queda de 15 pontos percentuais em relação ao basal (60%), com valor final <53%, preenchendo o critério de cardiotoxicidade. No entanto, a alternativa afirma que a FEVE de 45% com strain de 12% é uma situação que deve ser discutida, mas o critério já é preenchido pela FEVE isoladamente. A alternativa não está errada por completo, mas a FEVE de 38% (alternativa E) é um critério ainda mais claro e definitivo, tornando a E a resposta mais correta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A FEVE de 38% representa uma queda de 22 pontos percentuais em relação ao basal (60%), com valor final muito abaixo de 53%. Isso preenche claramente o critério de cardiotoxicidade, independentemente do valor de strain. A queda da FEVE é o critério mais forte para indicar a mudança do tratamento oncológico para uma opção não cardiotóxica, conforme o posicionamento do departamento de imagem cardiovascular.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o valor absoluto da FEVE e a queda percentual em relação ao basal. Uma FEVE de 50% pode parecer preocupante, mas não preenche o critério de cardiotoxicidade (queda >10 pontos percentuais para valor <53%). Já a FEVE de 38% é inequivocamente cardiotóxica. Lembre-se: o critério é a queda, não o valor absoluto.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de cardiotoxicidade, sempre calcule a queda percentual da FEVE em relação ao basal e compare com o valor final. Se a queda for >10 pontos percentuais e o valor final <53%, há cardiotoxicidade. O SLG é um marcador precoce, mas a FEVE é o critério decisivo para mudança de tratamento.