Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu113078
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ecocardiografia
Assinale a alternativa correta em relação à medida da função sistólica do ventrículo esquerdo.
  1. AA variabilidade do valor de strain obtida com softwares diferentes ainda existe, sendo indicado que um mesmo paciente faça sempre exame no mesmo aparelho/software.
  2. BSempre que possível, a imagem para avaliação do strain deve ser obtida durante apneia inspiratória.
  3. CO strain miocárdico apresenta como vantagem única não ser dependente das condições de carga.
  4. DA fração de ejeção é influenciada pelas condições de carga, de forma que, em pacientes hipovolêmicos, a fração de ejeção pode estar subestimada.
  5. EBradicardia tende a subestimar a fração de ejeção, enquanto a taquicardia pode superestimar a fração de ejeção.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — A variabilidade do valor de strain obtida com softwares diferentes ainda existe, sendo indicado que um mesmo paciente faça sempre exame no mesmo aparelho/software.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Medida da função sistólica do ventrículo esquerdo: strain e fração de ejeção

Gabarito: letra A. A afirmativa correta reconhece que a variabilidade do strain entre diferentes softwares ainda é uma limitação real, recomendando-se que o mesmo paciente seja avaliado no mesmo equipamento/software para permitir comparações fidedignas. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a aquisição da imagem, a dependência de carga do strain e os efeitos da volemia e da frequência cardíaca sobre a fração de ejeção.

O ecocardiograma é a principal ferramenta para avaliação da função sistólica do ventrículo esquerdo (VE), e dois parâmetros se destacam: a fração de ejeção (FE) e o strain miocárdico. A FE, medida clássica e amplamente utilizada, representa a porcentagem do volume diastólico final que é ejetada a cada sístole. O strain, por sua vez, é uma medida mais sofisticada da deformação miocárdica, capaz de detectar disfunção sutil antes mesmo da queda da FE. Compreender as limitações e particularidades de cada um desses métodos é essencial para a prática clínica e para responder questões de prova.

A fração de ejeção é um parâmetro dependente das condições de carga (pré-carga e pós-carga). Em situações de hipovolemia, por exemplo, há redução do retorno venoso e, consequentemente, do volume diastólico final. Como a FE é calculada pela razão entre o volume ejetado e o volume diastólico final, uma redução acentuada da pré-carga pode levar a uma FE falsamente normal ou até mesmo aumentada, e não subestimada. O oposto ocorre na sobrecarga de volume, que pode mascarar uma disfunção real. Já o strain, embora seja menos dependente das condições de carga do que a FE, não é totalmente independente delas — ele também sofre influência, ainda que em menor grau.

A frequência cardíaca também influencia a FE. Na taquicardia, o tempo de enchimento diastólico é reduzido, o que pode diminuir o volume diastólico final e, paradoxalmente, subestimar a FE, não superestimá-la. Na bradicardia, o maior tempo de enchimento aumenta o volume diastólico final, e o mecanismo de Frank-Starling tende a aumentar a FE, não subestimá-la. Essas relações são frequentemente invertidas em questões de prova.

Quanto à aquisição da imagem para o strain, a recomendação é que ela seja obtida com o paciente em apneia expiratória, e não inspiratória. A apneia inspiratória pode causar deslocamento do coração e alterar os planos de corte, comprometendo a qualidade da imagem e a reprodutibilidade da medida. A padronização da aquisição é fundamental para a acurácia do método.

A variabilidade do strain entre diferentes softwares é um problema conhecido e ainda não resolvido. Cada fabricante utiliza algoritmos e métodos de cálculo próprios, o que gera diferenças nos valores obtidos para um mesmo paciente. Por isso, a recomendação é que o acompanhamento seja feito no mesmo aparelho e com o mesmo software, garantindo que as variações observadas ao longo do tempo reflitam mudanças reais na função miocárdica e não artefatos técnicos. Essa é a única alternativa que apresenta uma afirmação correta e atual.

Guarde bem esses conceitos: a FE é dependente de carga e da frequência cardíaca, o strain é menos dependente, mas não imune, e a aquisição do strain deve ser padronizada. É exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Função sistólica do VE
  • 1Fração de ejeção (FE)
    • Depende de pré-carga e pós-carga
    • Hipovolemia → FE aumentada
    • Bradicardia → FE aumentada
    • Taquicardia → FE subestimada
  • 2Strain miocárdico
    • Menos dependente de carga (não imune)
    • Detecta disfunção subclínica
    • Aquisição em apneia expiratória
    • Variabilidade entre softwares
      • Mesmo aparelho/software p/ acompanhar
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta ao reconhecer que a variabilidade do strain entre softwares diferentes ainda é uma limitação real da técnica. Cada fabricante utiliza algoritmos próprios para o cálculo do strain, o que gera diferenças nos valores obtidos para um mesmo paciente. Por isso, a recomendação é que o acompanhamento seja feito no mesmo aparelho e com o mesmo software, garantindo que as variações observadas ao longo do tempo reflitam mudanças reais na função miocárdica e não artefatos técnicos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta ao afirmar que a imagem para avaliação do strain deve ser obtida durante apneia inspiratória. A recomendação é que a aquisição seja feita em apneia expiratória, pois a apneia inspiratória pode causar deslocamento do coração e alterar os planos de corte, comprometendo a qualidade da imagem e a reprodutibilidade da medida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta ao afirmar que o strain apresenta como vantagem única não ser dependente das condições de carga. Embora o strain seja menos dependente das condições de carga do que a fração de ejeção, ele não é totalmente independente delas. Além disso, o strain apresenta outras vantagens, como a capacidade de detectar disfunção miocárdica subclínica e a avaliação segmentar da função.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta ao afirmar que, em pacientes hipovolêmicos, a fração de ejeção pode estar subestimada. Na hipovolemia, há redução do retorno venoso e do volume diastólico final. Como a FE é calculada pela razão entre o volume ejetado e o volume diastólico final, uma redução acentuada da pré-carga pode levar a uma FE falsamente normal ou até mesmo aumentada, e não subestimada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta ao afirmar que a bradicardia tende a subestimar a fração de ejeção, enquanto a taquicardia pode superestimá-la. Na bradicardia, o maior tempo de enchimento diastólico aumenta o volume diastólico final, e o mecanismo de Frank-Starling tende a aumentar a FE. Na taquicardia, o tempo de enchimento diastólico é reduzido, o que pode diminuir o volume diastólico final e subestimar a FE.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte as relações fisiológicas: na hipovolemia, a FE tende a estar aumentada (e não subestimada); na bradicardia, a FE tende a estar aumentada (e não subestimada); e na taquicardia, a FE tende a estar subestimada (e não superestimada). Além disso, a aquisição do strain deve ser em apneia expiratória, não inspiratória. Fique atento a essas inversões clássicas!

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar, lembre-se: a FE é influenciada pela pré-carga (hipovolemia → FE aumentada) e pela frequência cardíaca (bradicardia → FE aumentada; taquicardia → FE subestimada). O strain é menos dependente de carga, mas não imune. E a aquisição do strain é em apneia expiratória. Esses são os pontos que a banca adora cobrar!

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/vu113078