Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu113086
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ecocardiografia
Assinale a alternativa correta sobre o uso da ecocardiografia na miocardiopatia hipertrófica (MCH).
ACerca de um terço dos pacientes com MCH apresenta obstrução latente, observada apenas com manobras provocativas.
BRealizar a ecocardiograma após jejum prolongado aumenta a chance de observar uma obstrução latente.
CA presença de movimento anterior da valva mitral (SAM) é especifica para MCH; assim, na presença de SAM e ausência de hipertrofia significativa do septo, deve-se realizar ressonância magnética cardíaca.
DO agachamento, embora possa aumentar a obstrução e o sopro sistólico, não tem valia para o ecocardiograma devido à impossibilidade de obtenção das imagens enquanto o paciente está agachado.
EO gradiente obtido com a manobra de Valsalva bem realizada geralmente é semelhante ao obtido com a ecocardiografia sob esforço físico.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Cerca de um terço dos pacientes com MCH apresenta obstrução latente, observada apenas com manobras provocativas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Ecocardiografia na Miocardiopatia Hipertrófica (MCH)
Gabarito: letra A. A obstrução latente da via de saída do ventrículo esquerdo (VSVE) na MCH é observada em cerca de um terço dos pacientes e só se manifesta com manobras provocativas, como a manobra de Valsalva, o agachamento e o esforço físico. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a fisiopatologia e a técnica ecocardiográfica na MCH.
A miocardiopatia hipertrófica (MCH) é uma doença genética do sarcômero cardíaco, de herança autossômica dominante, caracterizada por hipertrofia ventricular esquerda sem causa aparente (como hipertensão ou estenose aórtica). A obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo (VSVE) é uma das principais anormalidades fisiopatológicas, ocorrendo em aproximadamente metade dos pacientes. Essa obstrução é dinâmica, ou seja, varia com as condições hemodinâmicas: diminui com o aumento da pré-carga e da pós-carga, e aumenta com a redução da pré-carga ou o aumento da contratilidade.
A obstrução pode ser classificada em três tipos: obstrutiva (gradiente > 30 mmHg em repouso), latente (gradiente normal em repouso, mas que se torna > 30 mmHg com manobras provocativas) e não obstrutiva (gradiente permanece < 30 mmHg mesmo com provocação). A obstrução latente é um achado importante, pois está associada a pior prognóstico e pode ser alvo de tratamento específico. Por isso, a ecocardiografia de rotina deve incluir manobras provocativas para não subestimar a gravidade da doença.
As manobras provocativas mais utilizadas são a manobra de Valsalva, o agachamento e o esforço físico. A manobra de Valsalva reduz a pré-carga, aumentando o gradiente e o sopro. O agachamento aumenta a pré-carga e a pós-carga, diminuindo o gradiente e o sopro. O esforço físico é a manobra mais fisiológica e pode ser realizado com ecocardiografia sob estresse. A escolha da manobra depende da disponibilidade e da condição clínica do paciente.
A alternativa A está correta porque reflete a definição de obstrução latente: cerca de um terço dos pacientes com MCH apresenta obstrução latente, observada apenas com manobras provocativas. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a alternativa B inverte o efeito do jejum (que reduz a pré-carga e aumenta a obstrução, mas não é uma manobra padronizada); a alternativa C afirma que o SAM é específico para MCH, o que não é verdade (pode ocorrer em outras condições); a alternativa D afirma que o agachamento não tem valia para o ecocardiograma, o que é falso (é uma manobra útil, apesar da dificuldade técnica); e a alternativa E afirma que o gradiente obtido com a manobra de Valsalva é semelhante ao obtido com o esforço físico, o que não é verdade (o esforço físico é mais fisiológico e pode revelar gradientes maiores).
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque descreve com precisão a obstrução latente na MCH. A obstrução latente é definida como um gradiente normal em repouso (< 30 mmHg) que se torna > 30 mmHg com manobras provocativas. Cerca de um terço dos pacientes com MCH apresenta esse padrão. As manobras provocativas incluem a manobra de Valsalva, o agachamento e o esforço físico. A ecocardiografia com manobras provocativas é essencial para identificar esses pacientes, pois a obstrução latente está associada a pior prognóstico e pode ser alvo de tratamento específico (como betabloqueadores ou miectomia).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B está incorreta porque o jejum prolongado não é uma manobra provocativa padronizada para avaliar obstrução latente na MCH. O jejum pode reduzir a pré-carga, o que poderia aumentar o gradiente, mas não é uma manobra confiável ou recomendada. As manobras provocativas padronizadas são a manobra de Valsalva, o agachamento e o esforço físico. O jejum prolongado pode até aumentar a chance de observar obstrução, mas não é uma prática clínica estabelecida e pode ser influenciado por outros fatores (como hipoglicemia).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C está incorreta porque o movimento anterior da valva mitral (SAM) não é específico para MCH. O SAM pode ocorrer em outras condições, como estenose aórtica, hipertensão arterial e até mesmo em corações normais sob certas condições hemodinâmicas. A presença de SAM com ausência de hipertrofia significativa do septo não é indicação automática de ressonância magnética cardíaca. A ressonância magnética pode ser útil em casos de suspeita de MCH com ecocardiograma inconclusivo, mas não é obrigatória na presença de SAM isolado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D está incorreta porque o agachamento é uma manobra provocativa útil na avaliação da obstrução na MCH, apesar da dificuldade técnica de obter imagens ecocardiográficas durante o agachamento. O agachamento aumenta a pré-carga e a pós-carga, o que diminui o gradiente e o sopro. Essa manobra pode ser usada para diferenciar a MCH de outras causas de sopro sistólico. Embora a obtenção de imagens durante o agachamento seja desafiadora, é possível realizar a manobra e obter imagens de qualidade adequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E está incorreta porque o gradiente obtido com a manobra de Valsalva geralmente não é semelhante ao obtido com a ecocardiografia sob esforço físico. A manobra de Valsalva reduz a pré-carga, aumentando o gradiente, mas o esforço físico é uma manobra mais fisiológica e pode revelar gradientes maiores e mais relevantes clinicamente. O esforço físico também pode desencadear sintomas (como dispneia, dor torácica ou síncope) que são importantes para a avaliação prognóstica. Portanto, o gradiente obtido com o esforço físico é geralmente maior e mais representativo da obstrução dinâmica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as manobras provocativas e seus efeitos hemodinâmicos. Lembre-se: a manobra de Valsalva e o agachamento são manobras fisiológicas que alteram a pré-carga e a pós-carga, mas o esforço físico é a manobra mais fisiológica e pode revelar gradientes maiores. Não confunda o efeito do jejum (que reduz a pré-carga) com uma manobra padronizada.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as manobras provocativas na MCH, lembre-se: Valsalva (reduz pré-carga, aumenta gradiente), agachamento (aumenta pré-carga e pós-carga, diminui gradiente), esforço físico (manobra mais fisiológica, pode revelar gradientes maiores). O jejum não é uma manobra padronizada.