Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu113091
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ecocardiografia
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre a doença sistêmica e possíveis achados ecocardiográficos.
ASíndrome hipereosinofílica – aumento da espessura miocárdica, poupando o ápice do VE.
BHipercortisolismo – dilatação e hipertrofia do ventrículo esquerdo; caracteristicamente a disfunção sistólica do VE está presente desde a fase inicial da doença.
CHiperaldosteronismo – hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica do VE, porém em graus menos acentuados que pacientes com mesmo nível de alteração da pressão arterial por hipertensão arterial primária.
DHipertireoidismo – TRIV aumentado e aumento da pressão sistólica pulmonar.
EAcromegalia – dilatação e hipertrofia do ventrículo esquerdo; função sistólica do VE normal.
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GabaritoE — Acromegalia – dilatação e hipertrofia do ventrículo esquerdo; função sistólica do VE normal.
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Doenças sistêmicas e achados ecocardiográficos
Gabarito: letra E. Na acromegalia, o excesso de hormônio do crescimento (GH) e de IGF-1 promove crescimento de órgãos e tecidos, incluindo o coração, resultando em dilatação e hipertrofia do ventrículo esquerdo, mas com função sistólica (fração de ejeção) tipicamente preservada nas fases iniciais — é exatamente essa associação que a alternativa E descreve corretamente. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou invertem características fisiopatológicas.
O coração é um órgão-alvo de diversas doenças sistêmicas, e o ecocardiograma é a ferramenta não invasiva de escolha para avaliar as repercussões cardíacas dessas condições. Cada doença endócrina, metabólica ou infiltrativa deixa uma "assinatura" ecocardiográfica característica, e a banca explora justamente o conhecimento dessas assinaturas. Vamos entender cada uma:
Acromegalia (alternativa E — correta): O excesso de GH e IGF-1 estimula o crescimento dos cardiomiócitos e a deposição de colágeno, levando a hipertrofia ventricular esquerda (frequentemente concêntrica) e dilatação das câmaras. Inicialmente, a função sistólica está preservada (fração de ejeção normal), podendo evoluir para disfunção diastólica e, em fases avançadas, para disfunção sistólica e insuficiência cardíaca. A alternativa E captura exatamente essa fase inicial: dilatação e hipertrofia com função sistólica normal.
Síndrome hipereosinofílica (alternativa A — incorreta): A infiltração eosinofílica do miocárdio causa uma miocardiopatia restritiva, com espessamento miocárdico e fibrose endomiocárdica. O achado clássico é o espessamento que acomete o ápice do ventrículo esquerdo (e frequentemente o ventrículo direito), podendo formar trombos apicais. A alternativa inverte o padrão ao dizer que "poupa o ápice" — na verdade, o ápice é a região mais caracteristicamente acometida.
Hipercortisolismo (síndrome de Cushing) (alternativa B — incorreta): O excesso de cortisol causa hipertensão arterial e, consequentemente, hipertrofia ventricular esquerda. No entanto, a disfunção sistólica não está presente desde a fase inicial — ela é uma complicação tardia, geralmente associada à hipertensão de longa duração e à doença coronariana acelerada. A alternativa erra ao afirmar que a disfunção sistólica é precoce.
Hiperaldosteronismo primário (alternativa C — incorreta): O excesso de aldosterona causa retenção de sódio e água, hipertensão arterial e fibrose miocárdica, levando a hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica. No entanto, a alternativa inverte a comparação: no hiperaldosteronismo, a hipertrofia e a disfunção diastólica são mais acentuadas do que em pacientes com hipertensão arterial primária de mesmo grau, devido ao efeito profibrótico direto da aldosterona no miocárdio. A alternativa diz o oposto ("graus menos acentuados").
Hipertireoidismo (alternativa D — incorreta): O excesso de hormônios tireoidianos aumenta o inotropismo e a cronotropismo cardíacos, resultando em alto débito cardíaco. O ecocardiograma pode mostrar aumento do TRIV (tempo de relaxamento isovolumétrico) diminuído (não aumentado), refletindo o relaxamento mais rápido, e a pressão sistólica pulmonar pode estar aumentada em casos de insuficiência cardíaca de alto débito ou hipertensão pulmonar associada. A alternativa erra ao afirmar que o TRIV está aumentado — na verdade, ele está diminuído.
A pegadinha central desta questão é a inversão de características: a banca troca o padrão de acometimento (ápice poupado vs. acometido), a temporalidade da disfunção (precoce vs. tardia), a magnitude da hipertrofia (mais vs. menos acentuada) e a direção do TRIV (aumentado vs. diminuído). O aluno que decora os achados sem entender a fisiopatologia cai facilmente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os achados ecocardiográficos. Veja as trocas: na síndrome hipereosinofílica, o ápice é acometido (não poupado); no hipercortisolismo, a disfunção sistólica é tardia (não precoce); no hiperaldosteronismo, a hipertrofia é mais acentuada (não menos); no hipertireoidismo, o TRIV está diminuído (não aumentado). Memorize o padrão correto de cada um e você elimina as quatro erradas rapidamente.
Doença Sistêmica
Achado Ecocardiográfico (Correto)
Achado na Alternativa (Erro)
Acromegalia (E – correta)
Dilatação e hipertrofia do VE; função sistólica preservada
—
Síndrome hipereosinofílica (A)
Espessamento miocárdico acometendo o ápice do VE
Inverte: "poupando o ápice"
Hipercortisolismo (B)
Hipertrofia do VE; disfunção sistólica tardia
Inverte: "disfunção sistólica desde a fase inicial"
Hiperaldosteronismo (C)
HVE e disfunção diastólica mais acentuadas que na HAS primária
Inverte: "graus menos acentuados"
Hipertireoidismo (D)
TRIV diminuído; possível aumento da pressão sistólica pulmonar
Inverte: "TRIV aumentado"
Doenças sistêmicas e achados ecocardiográficos: Acromegalia (Dilatação e hipertrofia do VE, Função sistólica preservada); Síndrome hipereosinofílica (Espessamento miocárdico, Acomete o ápice do VE); Hipercortisolismo (Hipertrofia do VE, Disfunção sistólica tardia); Hiperaldosteronismo (Hipertrofia e disfunção diastólica, Mais acentuadas que na HAS primária); Hipertireoidismo (TRIV diminuído, Aumento da pressão sistólica pulmonar)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A síndrome hipereosinofílica causa miocardiopatia restritiva com espessamento miocárdico, mas o acometimento é predominantemente apical — o ápice do VE é a região mais caracteristicamente envolvida, podendo haver trombos apicais. A alternativa inverte o padrão ao afirmar que o ápice é poupado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O hipercortisolismo (síndrome de Cushing) leva a hipertrofia ventricular esquerda por hipertensão arterial, mas a disfunção sistólica não é uma característica da fase inicial — ela surge tardiamente, como complicação da hipertensão crônica e da doença coronariana acelerada. A alternativa erra ao afirmar que a disfunção sistólica está presente desde o início.
Alternativa C — ❌ Incorreta
No hiperaldosteronismo primário, a hipertrofia ventricular esquerda e a disfunção diastólica são mais acentuadas do que na hipertensão arterial primária de mesmo grau, devido ao efeito profibrótico direto da aldosterona no miocárdio. A alternativa inverte a comparação ao dizer que são "menos acentuadas".
Alternativa D — ❌ Incorreta
No hipertireoidismo, o TRIV (tempo de relaxamento isovolumétrico) está diminuído, refletindo o relaxamento ventricular mais rápido pelo estado hiperdinâmico. A pressão sistólica pulmonar pode estar aumentada em casos de insuficiência cardíaca de alto débito, mas o TRIV aumentado é o erro da alternativa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Na acromegalia, o excesso de GH e IGF-1 causa hipertrofia ventricular esquerda (frequentemente concêntrica) e dilatação das câmaras, mas a função sistólica (fração de ejeção) está tipicamente preservada nas fases iniciais da doença. A alternativa descreve exatamente esse padrão: dilatação e hipertrofia do VE com função sistólica normal.