Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Angiologia — VUNESP 2025

MedicinaAngiologia
Código
vu113108
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ecografia Vascular com Doppler
Um paciente de 65 anos, portador de aneurisma de artéria poplítea de 2.5 cm com trombos, tem sua cirurgia agendada eletivamente. Seu exame físico demonstra presença de pulsos distais amplos 3+/3+, sem outros achados dignos de nota. No dia da cirurgia, o cirurgião responsável identifica presença de pulso amplo na artéria poplítea 4+/3+, contudo não é identificado pulso distal. O paciente encontra-se assintomático e o tempo de enchimento capilar é < 2.0 segundos. Qual a conduta adequada para o seguimento do caso?
  1. ARealizar a cirurgia o quanto antes, pois provavelmente está ocorrendo quadro de microembolização periférica.
  2. BRealizar exploração arterial de poplítea P1 com trombectomia a Fogarty, seguido de heparinização sistêmica e cirurgia em outro tempo.
  3. CConsiderar que, apesar do pulso, houve trombose do aneurisma, de modo que, se o paciente se encontra assintomático, não há indicação de tratamento.
  4. DConsiderar que apesar do pulso, houve trombose da poplítea P3; dessa forma, proceder exploração arterial de tibial anterior ou tibial posterior em terço médio, seguido de derivação arterial.
  5. EIndicar ultrassonografia Doppler ou angiografia complementar antes da realização da derivação arterial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Indicar ultrassonografia Doppler ou angiografia complementar antes da realização da derivação arterial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aneurisma de artéria poplítea: conduta na suspeita de trombose aguda

Gabarito: letra E. Diante de um aneurisma de artéria poplítea com trombos, em que há mudança no exame físico (pulso poplíteo amplo, mas ausência de pulso distal) e o paciente está assintomático, a conduta mais adequada é realizar exame de imagem complementar (ultrassonografia Doppler ou angiografia) antes da derivação arterial, para confirmar o diagnóstico e planejar a abordagem. A cirurgia imediata sem confirmação diagnóstica pode ser precipitada, e a simples observação não é segura, pois há risco de complicações.

O aneurisma de artéria poplítea é o aneurisma periférico mais comum, representando mais de 90% dos aneurismas não localizados na aorta. Diferentemente do aneurisma de aorta abdominal, cujo principal risco é a ruptura, o aneurisma poplíteo frequentemente se apresenta com isquemia aguda do membro, devido à trombose do aneurisma ou ao tromboembolismo distal. O tratamento é cirúrgico, e a indicação para pacientes assintomáticos é para aneurismas com diâmetro ≥ 2 cm, como é o caso do paciente em questão (2,5 cm).

No cenário descrito, o paciente tem um aneurisma conhecido, com trombos, e no dia da cirurgia apresenta um achado novo: pulso poplíteo amplo (4+/3+), mas ausência de pulso distal. Isso levanta a suspeita de trombose aguda do aneurisma ou embolização distal. No entanto, o paciente está assintomático e o tempo de enchimento capilar é normal (< 2 segundos), o que sugere que a perfusão distal ainda está preservada, possivelmente por circulação colateral.

A conduta mais prudente, nesse caso, é confirmar o diagnóstico por imagem antes de qualquer intervenção. A ultrassonografia Doppler ou a angiografia podem avaliar a extensão da trombose, a presença de fluxo distal e o leito arterial de saída (runoff), informações essenciais para planejar a derivação arterial. Realizar uma cirurgia imediata sem essa avaliação pode levar a uma abordagem inadequada, como uma trombectomia desnecessária ou uma derivação para um leito arterial inadequado.

A alternativa E é a mais correta porque reflete a necessidade de complementação diagnóstica antes da decisão terapêutica definitiva. As demais alternativas propõem condutas precipitadas (cirurgia imediata, exploração arterial) ou uma conduta conservadora inadequada (não tratar), sem considerar a necessidade de confirmar o diagnóstico e avaliar a anatomia vascular.

  1. 1Suspeita clínica (pulso distal ausente)
  2. 2Confirmar por imagem (Doppler/angiografia)
  3. 3Planejar derivação arterial
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Realizar a cirurgia o quanto antes, pois provavelmente está ocorrendo quadro de microembolização periférica. Embora a microembolização seja uma complicação possível do aneurisma poplíteo, a conduta não deve ser baseada apenas em suspeita clínica. A ausência de pulso distal pode indicar trombose ou embolização, mas o paciente está assintomático e com enchimento capilar normal. A cirurgia imediata, sem confirmação diagnóstica, pode ser precipitada e não permite planejar adequadamente a abordagem, como a necessidade de trombectomia ou o local da derivação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Realizar exploração arterial de poplítea P1 com trombectomia a Fogarty, seguido de heparinização sistêmica e cirurgia em outro tempo. Essa conduta é agressiva e não é a primeira escolha em um paciente assintomático, com enchimento capilar normal. A trombectomia a Fogarty pode ser necessária em casos de isquemia aguda grave, mas aqui não há sinais de isquemia crítica. Além disso, a exploração cirúrgica sem avaliação prévia por imagem pode ser inadequada, pois não se sabe a extensão exata da trombose ou o estado do leito arterial distal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Considerar que, apesar do pulso, houve trombose do aneurisma, de modo que, se o paciente se encontra assintomático, não há indicação de tratamento. Essa alternativa está incorreta porque, mesmo que o paciente esteja assintomático, a trombose de um aneurisma poplíteo é uma complicação grave que pode levar a isquemia aguda do membro. O tratamento é indicado para aneurismas ≥ 2 cm, e a presença de trombose aumenta o risco de embolização distal. A simples observação não é segura, pois o risco de complicações é alto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Considerar que apesar do pulso, houve trombose da poplítea P3; dessa forma, proceder exploração arterial de tibial anterior ou tibial posterior em terço médio, seguido de derivação arterial. Essa alternativa propõe uma conduta cirúrgica específica (exploração e derivação) sem confirmação diagnóstica prévia. A localização exata da trombose (P1, P2 ou P3) e o estado do leito arterial distal devem ser avaliados por imagem antes da cirurgia. A exploração arterial e a derivação são procedimentos complexos que devem ser planejados com base em dados objetivos, não apenas na suspeita clínica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Indicar ultrassonografia Doppler ou angiografia complementar antes da realização da derivação arterial. Essa é a conduta mais adequada, pois permite confirmar o diagnóstico de trombose ou embolização, avaliar a extensão da doença e o leito arterial distal (runoff), e planejar a melhor abordagem cirúrgica. A ultrassonografia Doppler é um exame não invasivo, acurado e confiável para avaliar aneurismas e o fluxo arterial. A angiografia, por sua vez, fornece uma visão detalhada da anatomia vascular, essencial para o planejamento da derivação. Em um paciente assintomático, com perfusão preservada, a realização de exames complementares antes da cirurgia é a conduta mais segura e racional.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/vu113108