Aneurisma de artéria poplítea: epidemiologia e conduta
Gabarito: letra C. Os aneurismas de artéria poplítea são muito mais frequentes no gênero masculino, com uma proporção que chega a cerca de 20:1 em relação às mulheres — essa é a característica epidemiológica mais marcante e a que a alternativa correta espelha. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou dados incorretos, como veremos a seguir.
O aneurisma de artéria poplítea é a localização mais comum dos aneurismas periféricos, sendo responsável por cerca de 70% deles. Trata-se de uma dilatação focal da artéria poplítea, geralmente de etiologia aterosclerótica, que acomete predominantemente homens idosos, frequentemente de forma bilateral (em até 50% dos casos). A importância clínica reside no alto risco de complicações tromboembólicas: a trombose aguda ou a embolização distal podem levar à isquemia aguda do membro, com risco de perda do membro. A rotura, ao contrário do que ocorre nos aneurismas de aorta, é uma complicação rara, justamente porque a artéria poplítea é um vaso muscular de menor calibre, contido em um compartimento anatômico relativamente fechado.
A indicação de tratamento cirúrgico ou endovascular baseia-se principalmente no tamanho do aneurisma (geralmente acima de 2 cm de diâmetro), na presença de sintomas (isquemia, dor, compressão de estruturas vizinhas) e na presença de trombo intraluminal. Em pacientes assintomáticos, aneurismas menores que 2 cm podem ser acompanhados clinicamente com vigilância por ultrassonografia Doppler, que é o exame de escolha para o diagnóstico e seguimento, pois a artéria poplítea é superficial e facilmente acessível ao exame.
As principais complicações dos aneurismas poplíteos são a trombose aguda, a embolização distal e a compressão de estruturas adjacentes (veia poplítea, nervo tibial), e não a rotura, que é rara. A compressão venosa extrínseca pode levar a trombose venosa profunda ou edema do membro, mas não é a complicação mais temida. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de isquemia aguda de membro, como a trombose arterial aguda, a embolia e o ateroembolismo, conforme descrito no material de apoio.
A pegadinha central desta questão está em inverter a epidemiologia e as complicações mais comuns: a banca troca a rotura (rara) pela trombose/embolização (frequentes) e inverte a frequência em relação aos aneurismas viscerais. Guarde a fronteira entre o que é frequente e o que é raro nessa doença: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os aneurismas poplíteos são menos comuns que os viscerais, especialmente o da artéria esplênica. Na verdade, o aneurisma de artéria poplítea é o aneurisma periférico mais comum, sendo muito mais frequente que os aneurismas viscerais, incluindo o da esplênica (que é o mais comum entre os viscerais, mas ainda assim menos frequente que o poplíteo). A banca inverte a ordem de frequência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que, em indivíduos assintomáticos, há indicação de tratamento independentemente do tamanho. Isso é falso: a conduta em pacientes assintomáticos depende do tamanho do aneurisma. Aneurismas pequenos (geralmente < 2 cm) podem ser acompanhados clinicamente com ultrassonografia seriada, enquanto aneurismas maiores ou com trombo intraluminal têm indicação de tratamento para prevenir complicações tromboembólicas. A banca generaliza a indicação de tratamento, ignorando o critério de tamanho.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que os aneurismas de artéria poplítea são muito mais frequentes no gênero masculino. Isso está correto: a doença acomete predominantemente homens, com uma proporção que pode chegar a 20:1 em relação às mulheres. Essa é uma característica epidemiológica clássica e bem estabelecida na literatura, e é o que torna esta alternativa a correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que as principais complicações incluem rotura e compressão venosa extrínseca. A rotura é uma complicação rara nos aneurismas poplíteos, ao contrário do que ocorre nos aneurismas de aorta. As complicações mais comuns são a trombose aguda e a embolização distal, que podem levar à isquemia aguda do membro. A compressão venosa extrínseca pode ocorrer, mas não é uma das principais complicações. A banca troca as complicações frequentes pelas raras.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que os aneurismas poplíteos não são acessíveis à ultrassonografia Doppler, especialmente devido à ocorrência maior no segmento P2 da artéria. Isso é falso: a artéria poplítea é superficial e facilmente acessível à ultrassonografia Doppler, que é o exame de escolha para o diagnóstico e seguimento desses aneurismas. A localização no segmento P2 não impede a avaliação ultrassonográfica. A banca apresenta uma informação incorreta sobre a acessibilidade do exame.
Gabarito: letra C