GIST gástrico: estratificação de risco e comportamento biológico
Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que tumores > 2 cm até 5 cm com taxa mitótica > 5/50 CGA têm maior risco metastático do que tumores > 10 cm com taxa mitótica ≤ 5/50 CGA — isso é confirmado pela Tabela 2 do material de apoio, que mostra sobrevida livre de progressão de 84% para o primeiro grupo versus 88% para o segundo, indicando maior agressividade no primeiro. A questão exige a leitura correta da tabela de risco, que combina tamanho e atividade mitótica.
O GIST (tumor estromal gastrointestinal) é a neoplasia mesenquimal mais comum do trato digestório, e seu comportamento clínico é extremamente variável — desde lesões indolentes até tumores altamente metastáticos. Para estratificar esse risco, o consenso estabelecido em 2002 definiu que tamanho do tumor, atividade mitótica e localização anatômica são os três principais fatores prognósticos. A atividade mitótica é medida em mitoses por 50 campos de grande aumento (CGA), e o ponto de corte que divide baixo e alto risco é 5 mitoses/50 CGA. A lógica é simples: quanto maior o tumor e maior o número de mitoses, maior o risco de recidiva e metástase. Porém, a combinação dos dois fatores é o que realmente importa — um tumor grande com poucas mitoses pode ter risco menor que um tumor pequeno com muitas mitoses.
A Tabela 2 do material traz dados concretos de sobrevida livre de progressão em longo prazo para GIST gástricos, e é exatamente essa tabela que a questão explora. Para o estômago, os valores são:
Tamanho (cm) | Mitoses/50 CGA | Sobrevida livre de progressão (estômago) |
|---|
≤ 2 | ≤ 5 | 100% |
2–5 | ≤ 5 | 98,1% |
5–10 | ≤ 5 | 96,4% |
> 10 | ≤ 5 | 88% |
≤ 2 | > 5 | 100% (n pequeno) |
2–5 | > 5 | 84% |
5–10 | > 5 | 45% |
> 10 | > 5 | 14% |
A pegadinha central está em comparar grupos com combinações diferentes de tamanho e mitose. A banca quer que o aluno perceba que a taxa mitótica elevada é um fator de risco tão ou mais importante que o tamanho isoladamente. Um tumor de 2–5 cm com > 5 mitoses tem sobrevida de 84%, enquanto um tumor > 10 cm com ≤ 5 mitoses tem sobrevida de 88% — ou seja, o primeiro é mais agressivo. Isso contraria a intuição de que "tumor maior é sempre pior", mostrando que a mitose é o fator dominante quando presente em alta contagem.
Guarde este critério: a combinação tamanho × mitose define o risco, e a taxa mitótica elevada confere agressividade mesmo em tumores menores. É exatamente nessa comparação que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que tumores ≤ 2 cm com ≤ 5 mitoses/50 CGA têm risco de metástase ou mortalidade inferior a 5%. Pela Tabela 2, esse grupo tem sobrevida livre de progressão de 100% — ou seja, risco praticamente nulo, não "inferior a 5%". O erro está em atribuir um risco residual que não existe na prática para esse grupo de muito baixo risco. O material de apoio classifica esses tumores como "risco muito baixo", com comportamento praticamente benigno.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que tumores > 10 cm com ≤ 5 mitoses têm maior risco que tumores 2–5 cm com > 5 mitoses. É exatamente o contrário: pela Tabela 2, o grupo > 10 cm com ≤ 5 mitoses tem sobrevida de 88%, enquanto o grupo 2–5 cm com > 5 mitoses tem sobrevida de 84%. O segundo é mais agressivo. A banca inverte a relação, fazendo o aluno acreditar que o tamanho isolado supera a mitose — o que não é verdade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que tumores > 5 cm até 10 cm com > 5 mitoses têm taxa de metástase/mortalidade de 16%. Pela Tabela 2, esse grupo tem sobrevida livre de progressão de 45% — ou seja, a taxa de progressão (metástase/mortalidade) seria de aproximadamente 55%, não 16%. O número 16% não corresponde a nenhum dado da tabela para esse grupo. Provavelmente a banca usou um valor aleatório ou de outro contexto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que tumores > 2 cm até 5 cm com > 5 mitoses têm maior risco metastático que tumores > 10 cm com ≤ 5 mitoses. Confirmado pela Tabela 2: o primeiro grupo tem sobrevida livre de progressão de 84% (risco de progressão ~16%), enquanto o segundo tem 88% (risco ~12%). O primeiro é, portanto, mais agressivo. A alternativa espelha exatamente a lógica de que a taxa mitótica elevada confere maior agressividade mesmo em tumores de tamanho intermediário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que tumores ≤ 2 cm apresentam risco significativo de comportamento maligno independentemente da mitose. Pela Tabela 2, tumores ≤ 2 cm com ≤ 5 mitoses têm sobrevida de 100%, e mesmo com > 5 mitoses a sobrevida é de 100% (embora com pequeno número de casos). Ou seja, tumores ≤ 2 cm têm risco muito baixo, não "significativo". A alternativa generaliza indevidamente, ignorando que o tamanho pequeno é um forte fator protetor.
A regra de ouro para a prova: a taxa mitótica > 5/50 CGA é o fator de agressividade dominante — ela supera o tamanho na comparação de risco. Tumores pequenos com mitose alta são mais perigosos que tumores grandes com mitose baixa. Memorize a tabela de sobrevida para o estômago e você resolve qualquer questão sobre estratificação de GIST.
Gabarito: letra D