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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113114
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Digestiva
Com base nas diretrizes propostas para avaliação do potencial maligno de tumores estromais gástricos (GISTs), assinale a alternativa correta.
  1. ATumores com tamanho ≤ 2 cm e taxa mitótica ≤ 5/50 CGA (campo de grande aumento) possuem um comportamento biológico com risco de metástase ou mortalidade relacionada ao tumor inferior a 5%.
  2. BTumores com tamanho > 10 cm e taxa mitótica ≤ 5/50 CGA possuem maior risco de metástase em comparação aos tumores com tamanho entre 2 e 5 cm e taxa mitótica > 5/50 CGA.
  3. CTumores com tamanho > 5 cm até 10 cm e taxa mitótica > 5/50 CGA possuem uma taxa de metástase ou mortalidade relacionada ao tumor de 16%.
  4. DTumores com tamanho > 2 cm até 5 cm e taxa mitótica > 5/50 CGA possuem maior risco de comportamento metastático do que aqueles > 10 cm e taxa mitótica ≤ 5/50 CGA.
  5. ETumores com tamanho ≤ 2 cm apresentam risco significativo de comportamento maligno, independentemente da taxa mitótica.
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GabaritoD — Tumores com tamanho > 2 cm até 5 cm e taxa mitótica > 5/50 CGA possuem maior risco de comportamento metastático do que aqueles > 10 cm e taxa mitótica ≤ 5/50 CGA.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

GIST gástrico: estratificação de risco e comportamento biológico

Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que tumores > 2 cm até 5 cm com taxa mitótica > 5/50 CGA têm maior risco metastático do que tumores > 10 cm com taxa mitótica ≤ 5/50 CGA — isso é confirmado pela Tabela 2 do material de apoio, que mostra sobrevida livre de progressão de 84% para o primeiro grupo versus 88% para o segundo, indicando maior agressividade no primeiro. A questão exige a leitura correta da tabela de risco, que combina tamanho e atividade mitótica.

O GIST (tumor estromal gastrointestinal) é a neoplasia mesenquimal mais comum do trato digestório, e seu comportamento clínico é extremamente variável — desde lesões indolentes até tumores altamente metastáticos. Para estratificar esse risco, o consenso estabelecido em 2002 definiu que tamanho do tumor, atividade mitótica e localização anatômica são os três principais fatores prognósticos. A atividade mitótica é medida em mitoses por 50 campos de grande aumento (CGA), e o ponto de corte que divide baixo e alto risco é 5 mitoses/50 CGA. A lógica é simples: quanto maior o tumor e maior o número de mitoses, maior o risco de recidiva e metástase. Porém, a combinação dos dois fatores é o que realmente importa — um tumor grande com poucas mitoses pode ter risco menor que um tumor pequeno com muitas mitoses.

A Tabela 2 do material traz dados concretos de sobrevida livre de progressão em longo prazo para GIST gástricos, e é exatamente essa tabela que a questão explora. Para o estômago, os valores são:

Tamanho (cm)

Mitoses/50 CGA

Sobrevida livre de progressão (estômago)

≤ 2

≤ 5

100%

2–5

≤ 5

98,1%

5–10

≤ 5

96,4%

> 10

≤ 5

88%

≤ 2

> 5

100% (n pequeno)

2–5

> 5

84%

5–10

> 5

45%

> 10

> 5

14%

A pegadinha central está em comparar grupos com combinações diferentes de tamanho e mitose. A banca quer que o aluno perceba que a taxa mitótica elevada é um fator de risco tão ou mais importante que o tamanho isoladamente. Um tumor de 2–5 cm com > 5 mitoses tem sobrevida de 84%, enquanto um tumor > 10 cm com ≤ 5 mitoses tem sobrevida de 88% — ou seja, o primeiro é mais agressivo. Isso contraria a intuição de que "tumor maior é sempre pior", mostrando que a mitose é o fator dominante quando presente em alta contagem.

Guarde este critério: a combinação tamanho × mitose define o risco, e a taxa mitótica elevada confere agressividade mesmo em tumores menores. É exatamente nessa comparação que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que tumores ≤ 2 cm com ≤ 5 mitoses/50 CGA têm risco de metástase ou mortalidade inferior a 5%. Pela Tabela 2, esse grupo tem sobrevida livre de progressão de 100% — ou seja, risco praticamente nulo, não "inferior a 5%". O erro está em atribuir um risco residual que não existe na prática para esse grupo de muito baixo risco. O material de apoio classifica esses tumores como "risco muito baixo", com comportamento praticamente benigno.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que tumores > 10 cm com ≤ 5 mitoses têm maior risco que tumores 2–5 cm com > 5 mitoses. É exatamente o contrário: pela Tabela 2, o grupo > 10 cm com ≤ 5 mitoses tem sobrevida de 88%, enquanto o grupo 2–5 cm com > 5 mitoses tem sobrevida de 84%. O segundo é mais agressivo. A banca inverte a relação, fazendo o aluno acreditar que o tamanho isolado supera a mitose — o que não é verdade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que tumores > 5 cm até 10 cm com > 5 mitoses têm taxa de metástase/mortalidade de 16%. Pela Tabela 2, esse grupo tem sobrevida livre de progressão de 45% — ou seja, a taxa de progressão (metástase/mortalidade) seria de aproximadamente 55%, não 16%. O número 16% não corresponde a nenhum dado da tabela para esse grupo. Provavelmente a banca usou um valor aleatório ou de outro contexto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que tumores > 2 cm até 5 cm com > 5 mitoses têm maior risco metastático que tumores > 10 cm com ≤ 5 mitoses. Confirmado pela Tabela 2: o primeiro grupo tem sobrevida livre de progressão de 84% (risco de progressão ~16%), enquanto o segundo tem 88% (risco ~12%). O primeiro é, portanto, mais agressivo. A alternativa espelha exatamente a lógica de que a taxa mitótica elevada confere maior agressividade mesmo em tumores de tamanho intermediário.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que tumores ≤ 2 cm apresentam risco significativo de comportamento maligno independentemente da mitose. Pela Tabela 2, tumores ≤ 2 cm com ≤ 5 mitoses têm sobrevida de 100%, e mesmo com > 5 mitoses a sobrevida é de 100% (embora com pequeno número de casos). Ou seja, tumores ≤ 2 cm têm risco muito baixo, não "significativo". A alternativa generaliza indevidamente, ignorando que o tamanho pequeno é um forte fator protetor.

A regra de ouro para a prova: a taxa mitótica > 5/50 CGA é o fator de agressividade dominante — ela supera o tamanho na comparação de risco. Tumores pequenos com mitose alta são mais perigosos que tumores grandes com mitose baixa. Memorize a tabela de sobrevida para o estômago e você resolve qualquer questão sobre estratificação de GIST.

Gabarito: letra D

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