Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113116
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Digestiva
Com base nas recomendações para o preparo intestinal necessário ao exame de colonoscopia, assinale a alternativa correta.
ANão há necessidade de personalização do preparo intestinal para pacientes idosos e pacientes com insuficiência renal, pois as formulações disponíveis no mercado são seguras para todos os grupos.
BA utilização de metoclopramida é fortemente recomendada como adjuvante na preparação intestinal oral.
CO regime de dose dividida ou a preparação no mesmo dia é recomendado para todos os pacientes, especialmente para colonoscopias realizadas à tarde.
DNão é necessário documentar a qualidade da preparação intestinal durante a colonoscopia, sendo a qualidade do preparo avaliada pela média da taxa de detecção de adenomas da unidade de endoscopia.
EPacientes com preparação intestinal inadequada devem esperar pelo menos dois anos antes de repetir a colonoscopia.
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GabaritoC — O regime de dose dividida ou a preparação no mesmo dia é recomendado para todos os pacientes, especialmente para colonoscopias realizadas à tarde.
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Preparo intestinal para colonoscopia: recomendações atuais
Gabarito: letra C. O regime de dose dividida (split-dose) ou a preparação no mesmo dia é recomendado para todos os pacientes, especialmente para colonoscopias realizadas à tarde, conforme as diretrizes de consenso sobre preparo intestinal. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou informações desatualizadas sobre a personalização do preparo, uso de adjuvantes, documentação da qualidade e intervalo para repetição do exame.
O preparo intestinal adequado é o fator mais importante para a qualidade da colonoscopia, pois determina a capacidade de visualização da mucosa e, consequentemente, a detecção de pólipos e adenomas. As diretrizes atuais (como as da Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal e da Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal) estabelecem recomendações claras sobre os regimes de preparo, a personalização para grupos especiais e a documentação da qualidade.
O regime de dose dividida consiste em administrar metade da solução de preparo no dia anterior e a outra metade no dia do exame, com intervalo de 3 a 5 horas entre a última dose e o procedimento. Esse esquema melhora significativamente a qualidade da limpeza colônica em comparação com a administração única no dia anterior, pois reduz o intervalo entre o final do preparo e o exame, diminuindo o acúmulo de secreções e fezes no cólon direito. Para exames realizados à tarde, a preparação no mesmo dia (manhã do exame) é uma alternativa igualmente eficaz, pois mantém o intervalo curto entre o preparo e a colonoscopia.
A personalização do preparo é essencial para pacientes idosos, com insuficiência renal, insuficiência cardíaca ou outras comorbidades. Por exemplo, soluções com fosfato de sódio são contraindicadas em pacientes com insuficiência renal, pois podem causar nefropatia por fosfato. Nesses casos, prefere-se o polietilenoglicol (PEG), que é mais seguro, embora exija maior volume de ingestão. A metoclopramida não é recomendada como adjuvante rotineiro no preparo intestinal, pois não há evidência de melhora na qualidade da limpeza e pode causar efeitos adversos. A documentação da qualidade do preparo é obrigatória, utilizando escalas validadas como a Boston Bowel Preparation Scale, e deve ser registrada no laudo do exame. Por fim, pacientes com preparo inadequado devem repetir a colonoscopia em intervalo mais curto, geralmente 1 ano, e não 2 anos, pois o risco de lesões perdidas é significativo.
A pegadinha desta questão está em apresentar informações aparentemente plausíveis, mas que contrariam as recomendações baseadas em evidências. A alternativa C é a única que reflete corretamente as diretrizes atuais, enquanto as demais contêm erros que podem induzir o candidato a erro.
Preparo intestinal (colonoscopia): Regime recomendado (Dose dividida (split-dose), Mesmo dia (exames à tarde)); Personalização (Idosos (risco de desidratação), Insuficiência renal (evitar fosfato de sódio), PEG mais seguro); Adjuvantes (Metoclopramida não recomendada); Qualidade do preparo (Documentação obrigatória (escala de Boston), Preparo inadequado → repetir em 1 ano)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não há necessidade de personalização do preparo para idosos e pacientes com insuficiência renal, pois as formulações são seguras para todos. Isso é falso: a personalização é essencial nesses grupos. Por exemplo, o fosfato de sódio é contraindicado na insuficiência renal pelo risco de nefropatia por fosfato, e idosos têm maior risco de desidratação e distúrbios eletrolíticos com soluções de alto volume. A recomendação é individualizar o preparo, escolhendo soluções mais seguras (como PEG) e ajustando o volume conforme a tolerância.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A metoclopramida não é fortemente recomendada como adjuvante no preparo intestinal. Embora seja um procinético, não há evidência de que melhore a qualidade da limpeza colônica, e seu uso pode causar efeitos extrapiramidais, especialmente em idosos. As diretrizes não recomendam seu uso rotineiro no preparo para colonoscopia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O regime de dose dividida ou a preparação no mesmo dia é recomendado para todos os pacientes, especialmente para colonoscopias realizadas à tarde. Essa é a recomendação central das diretrizes atuais, pois o intervalo curto entre o final do preparo e o exame melhora a qualidade da limpeza, especialmente no cólon direito. Para exames à tarde, a preparação no mesmo dia (manhã) é uma alternativa eficaz, evitando o jejum prolongado e a perda de eficácia do preparo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A documentação da qualidade do preparo é obrigatória e deve ser feita durante a colonoscopia, utilizando escalas validadas como a Boston Bowel Preparation Scale. A qualidade do preparo não é avaliada pela média da taxa de detecção de adenomas da unidade, mas sim individualmente, em cada exame, e deve ser registrada no laudo. A taxa de detecção de adenomas é um indicador de qualidade da unidade, mas não substitui a avaliação individual do preparo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Pacientes com preparo inadequado devem repetir a colonoscopia em intervalo mais curto, geralmente 1 ano, e não 2 anos. O preparo inadequado aumenta o risco de lesões perdidas, especialmente pólipos e adenomas, e a repetição precoce é recomendada para garantir a segurança do rastreamento. O intervalo de 2 anos é excessivo e pode comprometer o diagnóstico precoce de lesões significativas.