Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113117
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Digestiva
Com base no manejo endoscópico de suspeita de sangramento do intestino delgado (manifesta ou oculta), assinale a alternativa correta.
ATodos os pacientes com suspeita de sangramento do intestino delgado devem ser imediatamente submetidos à enteroscopia intraoperatória.
BA cápsula endoscópica é indicada como uma das primeiras etapas na avaliação de pacientes estáveis com sangramento do intestino delgado.
CA angiografia deve ser realizada rotineiramente em pacientes estáveis antes da cápsula endoscópica.
DPacientes com sangramento oculto e avaliação negativa por cápsula endoscópica e tomografia computadorizada devem ser tratados diretamente com transfusão de glóbulos vermelhos.
EA repetição de EDA ou colonoscopia é desnecessária após resultados negativos iniciais em pacientes com sangramento recorrente.
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GabaritoB — A cápsula endoscópica é indicada como uma das primeiras etapas na avaliação de pacientes estáveis com sangramento do intestino delgado.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Manejo endoscópico do sangramento do intestino delgado
Gabarito: letra B. A cápsula endoscópica é, de fato, uma das primeiras etapas na avaliação de pacientes estáveis com suspeita de sangramento do intestino delgado, sendo uma ferramenta valiosa para o diagnóstico, especialmente quando realizada precocemente após o episódio de sangramento. As demais alternativas propõem condutas inadequadas ou desnecessárias, como a enteroscopia intraoperatória imediata para todos, a angiografia rotineira antes da cápsula, o tratamento com transfusão após avaliação negativa e a não repetição de exames endoscópicos em casos de sangramento recorrente.
O sangramento do intestino delgado é um desafio diagnóstico, pois as fontes estão além do alcance da endoscopia digestiva alta (EDA) e da colonoscopia convencionais. A abordagem inicial depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Em pacientes estáveis, após a exclusão de fontes altas e baixas (com EDA e colonoscopia), a cápsula endoscópica (também chamada de endoscopia por videocápsula) é o exame de escolha para investigar o intestino delgado. Ela permite a visualização de toda a extensão do órgão, identificando lesões como angiodisplasias, tumores, úlceras e doença de Crohn. A realização precoce, nas primeiras 72 horas após o sangramento, aumenta o rendimento diagnóstico. A enteroscopia (por push, balão ou espiral) é utilizada como método terapêutico ou diagnóstico complementar, quando a cápsula identifica uma lesão que precisa de biópsia ou tratamento, e não como primeira etapa. A enteroscopia intraoperatória é uma técnica de resgate, reservada para casos selecionados em que outros métodos falharam e há sangramento grave e contínuo.
A angiografia, por sua vez, é um método invasivo que depende de sangramento ativo (detecta fluxos de aproximadamente 0,5 mL/minuto) e apresenta risco de complicações. Não é indicada rotineiramente em pacientes estáveis antes da cápsula endoscópica; ela é reservada para pacientes com sangramento franco e hemodinamicamente significativo, como técnica de resgate ou quando há necessidade de embolização terapêutica. Em pacientes com sangramento oculto e avaliação negativa por cápsula e tomografia, a conduta não é simplesmente transfundir; deve-se considerar a repetição da cápsula, a enteroscopia assistida por balão ou outros exames, dependendo da gravidade e da recorrência. A transfusão é um suporte, não um tratamento definitivo. Por fim, em pacientes com sangramento recorrente, a repetição de EDA e colonoscopia é recomendada, pois lesões podem ser pequenas e passar despercebidas no primeiro exame, ou novas lesões podem surgir.
A distinção crucial é entre o papel da cápsula endoscópica (diagnóstico inicial do delgado) e o da enteroscopia (diagnóstico e tratamento dirigido após a cápsula). A banca explora essa confusão, apresentando a enteroscopia intraoperatória como primeira opção, quando ela é um último recurso. Outra pegadinha é a inversão da ordem dos exames: a angiografia não precede a cápsula em pacientes estáveis; ela é uma ferramenta para sangramento ativo e instabilidade. Guarde a sequência lógica: estabilizar → EDA/colonoscopia → cápsula endoscópica → enteroscopia dirigida → técnicas de resgate (angiografia, enteroscopia intraoperatória). É exatamente essa hierarquia que as alternativas tentam distorcer.
Conduta
Indicação correta
Situação em que é usada
Cápsula endoscópica
Primeira etapa na investigação do delgado em paciente estável
Após EDA/colonoscopia negativas, idealmente em até 72h do sangramento
Enteroscopia intraoperatória
Técnica de resgate, invasiva
Sangramento grave e contínuo, após falha de outros métodos
Paciente instável ou sangramento franco, para diagnóstico/embolização
Repetição de EDA/colonoscopia
Recomendada em sangramento recorrente
Lesões pequenas ou novas que passaram despercebidas no 1º exame
Transfusão de hemácias
Suporte, não tratamento definitivo
Anemia sintomática, nunca como conduta isolada após avaliação negativa
1Estabilizar o paciente
2EDA e colonoscopia
3Cápsula endoscópica
4Enteroscopia dirigida
5Técnicas de resgate
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que todos os pacientes devem ser imediatamente submetidos à enteroscopia intraoperatória. Isso é incorreto e perigoso. A enteroscopia intraoperatória é um procedimento invasivo, com morbidade significativa, reservado para casos de sangramento grave e contínuo, quando outros métodos diagnósticos falharam. A conduta inicial em pacientes estáveis é a investigação com cápsula endoscópica, não a cirurgia. A alternativa erra ao generalizar uma técnica de resgate para todos os pacientes, ignorando a necessidade de uma abordagem escalonada e menos invasiva.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cápsula endoscópica é, de fato, indicada como uma das primeiras etapas na avaliação de pacientes estáveis com suspeita de sangramento do intestino delgado. Após a exclusão de fontes altas e baixas com EDA e colonoscopia, a cápsula é o exame não invasivo de escolha para visualizar o delgado. O texto de apoio confirma: "A endoscopia por videocápsula (EVC) é uma valiosa ferramenta para diagnóstico de fonte de sangramento do intestino delgado, particularmente quando realizada nas primeiras 72 horas após o episódio de sangramento índice." A alternativa espelha exatamente essa recomendação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A angiografia não deve ser realizada rotineiramente em pacientes estáveis antes da cápsula endoscópica. A angiografia é um exame invasivo que requer sangramento ativo para ser positivo (detecta fluxos de cerca de 0,5 mL/minuto) e tem risco de complicações (2-5% de trombose ou sangramento). Ela é indicada em pacientes com sangramento franco e hemodinamicamente significativo, como técnica de resgate ou para embolização terapêutica, não como triagem inicial em pacientes estáveis. A alternativa inverte a lógica: a cápsula é o método inicial, e a angiografia é uma ferramenta para casos selecionados.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pacientes com sangramento oculto e avaliação negativa por cápsula e tomografia não devem ser tratados diretamente com transfusão de glóbulos vermelhos. A transfusão é um suporte para anemia aguda ou crônica sintomática, mas não é o tratamento definitivo do sangramento. A conduta correta é continuar a investigação, considerando a repetição da cápsula, a enteroscopia assistida por balão, ou outros exames, dependendo da gravidade e da recorrência do sangramento. A alternativa simplifica excessivamente o manejo, transformando um suporte em tratamento definitivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A repetição de EDA ou colonoscopia é necessária em pacientes com sangramento recorrente, mesmo após resultados negativos iniciais. Lesões podem ser pequenas e passar despercebidas, ou novas lesões podem surgir. A repetição dos exames é uma prática recomendada para aumentar o rendimento diagnóstico. A alternativa está incorreta ao afirmar que a repetição é desnecessária, contrariando a conduta clínica baseada em evidências.