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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113122
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Digestiva
Com base nas recomendações da ASGE (American Society for Gastrointestinal Endoscopy), assinale a alternativa que apresenta a abordagem sugerida para a escolha entre dissecção endoscópica submucosa (ESD) e ressecção endoscópica de mucosa (EMR) em pacientes com adenocarcinoma gástrico precoce (GAC).
  1. AA ESD é recomendada para todas as lesões de GAC precoce, independentemente da diferenciação, morfologia ou tamanho.
  2. BA EMR é preferida para lesões não ulceradas, de tipo intestinal, bem ou moderadamente diferenciadas, com tamanho inferior a 20 mm.
  3. CA ASGE recomenda a EMR para todas as lesões bem diferenciadas, mesmo que maiores que 20 mm.
  4. DA ASGE sugere ESD em vez de EMR para lesões bem ou moderadamente diferenciadas, medindo entre 20 e 30 mm.
  5. EA ASGE indica a ESD para lesões ulceradas, independentemente do tamanho e do tipo histológico.
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GabaritoD — A ASGE sugere ESD em vez de EMR para lesões bem ou moderadamente diferenciadas, medindo entre 20 e 30 mm.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escolha entre ESD e EMR no adenocarcinoma gástrico precoce (ASGE)

Gabarito: letra D. A ASGE sugere a dissecção endoscópica submucosa (ESD) em vez da ressecção endoscópica de mucosa (EMR) para lesões bem ou moderadamente diferenciadas, medindo entre 20 e 30 mm, pois nessa faixa a EMR fragmentada (piecemeal) aumenta o risco de ressecção incompleta e recidiva local. As demais alternativas distorcem os critérios de tamanho, diferenciação e ulceração que orientam a escolha entre as duas técnicas.

A ressecção endoscópica é o tratamento de escolha para o adenocarcinoma gástrico precoce (GAC) sem risco significativo de linfonodos metastáticos. Duas técnicas dominam a prática: a EMR, que remove apenas a mucosa através de uma alça diatérmica após elevação da lesão, e a ESD, que permite a ressecção em bloco de lesões maiores, incluindo a submucosa superficial, através de um bisturi endoscópico que disseca o plano submucoso. A grande vantagem da ESD é a maior taxa de ressecção em bloco (R0), o que reduz drasticamente a recidiva local, especialmente em lesões maiores que 20 mm, ulceradas ou com fibrose submucosa.

A escolha entre EMR e ESD não é aleatória: ela segue critérios bem definidos de tamanho, morfologia, ulceração e diferenciação histológica. A EMR é adequada para lesões pequenas (≤ 20 mm), não ulceradas, bem ou moderadamente diferenciadas, do tipo intestinal, pois nessas condições a ressecção em bloco é factível e o risco de invasão submucosa profunda é baixo. Já a ESD é preferida quando a lesão é maior que 20 mm, ulcerada, ou indiferenciada, situações em que a EMR fragmentada comprometeria a análise histopatológica e aumentaria a chance de recidiva. Para lesões entre 20 e 30 mm, bem ou moderadamente diferenciadas, a ASGE reconhece que a ESD oferece vantagem sobre a EMR, pois permite ressecção em bloco com margens livres, mesmo em lesões que, por tamanho, seriam candidatas à EMR fragmentada.

A lógica por trás dessa recomendação é a segurança oncológica: a análise histopatológica completa da peça ressecada é essencial para decidir se há critérios de cura (ressecção R0, sem invasão linfovascular, com profundidade limitada à mucosa ou submucosa superficial). Quando a lesão é ressecada em fragmentos (EMR piecemeal), não é possível garantir margens laterais livres, e o risco de recidiva local aumenta. Por isso, a ASGE sugere ESD para lesões de 20 a 30 mm bem ou moderadamente diferenciadas, pois a técnica permite a remoção em bloco, com margens avaliáveis e menor recidiva.

A pegadinha desta questão está na inversão dos critérios: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a ESD é indicada para todas as lesões (alternativa A), que a EMR é preferida para lesões maiores que 20 mm (alternativa C), ou que a ESD é indicada para lesões ulceradas independentemente do tamanho e tipo histológico (alternativa E). A alternativa B, embora correta em parte, erra ao afirmar que a EMR é preferida para lesões não ulceradas de tipo intestinal com tamanho inferior a 20 mm — na verdade, essa é a indicação clássica da EMR, mas a alternativa B omite a diferenciação histológica e o limite de 20 mm, tornando-a incompleta e, portanto, incorreta. A alternativa D é a única que espelha fielmente a recomendação da ASGE: ESD em vez de EMR para lesões bem ou moderadamente diferenciadas entre 20 e 30 mm.

Guarde o critério decisivo: tamanho ≤ 20 mm + não ulcerada + bem/moderadamente diferenciada → EMR; tamanho > 20 mm ou ulcerada ou indiferenciada → ESD. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

EMR (Ressecção Endoscópica de Mucosa)

ESD (Dissecção Endoscópica Submucosa)

Indicação principal (tamanho)

≤ 20 mm

> 20 mm (incluindo 20–30 mm)

Morfologia/Ulceração

Não ulcerada

Ulcerada ou com fibrose submucosa

Diferenciação histológica

Bem ou moderadamente diferenciada

Bem/moderadamente diferenciada (20–30 mm) ou indiferenciada

Tipo de ressecção

Fragmentada (piecemeal) em lesões maiores

Em bloco (R0)

Risco de recidiva local

Maior (se piecemeal)

Menor

Análise histopatológica da peça

Comprometida na ressecção fragmentada

Completa (margens avaliáveis)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a ESD é recomendada para todas as lesões de GAC precoce, independentemente da diferenciação, morfologia ou tamanho. Isso é falso: a ESD não é indicada para todas as lesões. Para lesões pequenas (≤ 20 mm), não ulceradas e bem diferenciadas, a EMR é a técnica preferida por ser menos invasiva, mais rápida e com menor risco de complicações (perfuração, sangramento). A ESD é reservada para lesões maiores, ulceradas ou com suspeita de invasão submucosa, onde a ressecção em bloco é crucial. A alternativa erra ao generalizar a indicação da ESD, ignorando os critérios de tamanho, morfologia e diferenciação que a ASGE estabelece.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a EMR é preferida para lesões não ulceradas, de tipo intestinal, bem ou moderadamente diferenciadas, com tamanho inferior a 20 mm. Essa é, na verdade, a indicação clássica da EMR, mas a alternativa está incorreta porque a ASGE não limita a EMR a lesões de tipo intestinal — a diferenciação histológica (bem/moderadamente diferenciada) e a ausência de ulceração são os critérios principais, independentemente da classificação de Lauren (intestinal ou difusa). Além disso, a alternativa B não menciona que a EMR é preferida apenas quando a ressecção em bloco é possível; para lesões entre 20 e 30 mm, a ESD é sugerida. A alternativa é incompleta e, portanto, incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a ASGE recomenda a EMR para todas as lesões bem diferenciadas, mesmo que maiores que 20 mm. Isso é falso: para lesões maiores que 20 mm, a EMR fragmentada (piecemeal) é associada a maior risco de recidiva local e ressecção incompleta. A ASGE sugere ESD para lesões entre 20 e 30 mm, mesmo bem diferenciadas, justamente para permitir ressecção em bloco com margens livres. A alternativa erra ao ignorar o limite de tamanho e ao generalizar a indicação da EMR para todas as lesões bem diferenciadas, independentemente do tamanho.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D espelha fielmente a recomendação da ASGE: sugere ESD em vez de EMR para lesões bem ou moderadamente diferenciadas, medindo entre 20 e 30 mm. Nessa faixa de tamanho, a EMR fragmentada comprometeria a análise histopatológica e aumentaria o risco de recidiva, enquanto a ESD permite ressecção em bloco com margens avaliáveis. A diferenciação bem ou moderada é um critério favorável, mas o tamanho entre 20 e 30 mm é o fator que inclina a balança para a ESD. A alternativa está correta porque reflete exatamente a recomendação da ASGE para esse subgrupo de lesões.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a ASGE indica a ESD para lesões ulceradas, independentemente do tamanho e do tipo histológico. Isso é falso: embora a ulceração seja um critério que favorece a ESD (pois a fibrose submucosa dificulta a EMR), a indicação não é independente do tamanho e do tipo histológico. Lesões ulceradas muito pequenas (≤ 20 mm) e bem diferenciadas podem ser tratadas com EMR, desde que a ressecção em bloco seja possível. Além disso, lesões indiferenciadas, mesmo pequenas, têm maior risco de invasão submucosa e podem exigir ESD ou até cirurgia. A alternativa erra ao generalizar a indicação da ESD para todas as lesões ulceradas, ignorando os demais critérios.

Gabarito: letra D — a ASGE sugere ESD em vez de EMR para lesões bem ou moderadamente diferenciadas entre 20 e 30 mm, pois a ressecção em bloco reduz a recidiva e permite análise histopatológica completa.

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