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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113129
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Digestiva
Com base nos guidelines disponíveis, qual é a justificativa para o início do rastreamento de câncer colorretal (CRC) em indivíduos de risco médio aos 45 anos?
  1. AHá evidências diretas que mostram redução da mortalidade por CRC em indivíduos abaixo de 50 anos devido ao rastreamento.
  2. BA incidência e a mortalidade por CRC em indivíduos de 45 a 49 anos são equivalentes às observadas em indivíduos de 50 anos na década de 1990, quando o rastreamento foi recomendado para essa faixa etária.
  3. CDados emergentes mostram que a taxa de neoplasias colorretais avançadas em indivíduos de 40 a 44 anos é maior do que a de indivíduos de 50 a 59 anos.
  4. DEstudos de modelagem indicam que o rastreamento aos 45 anos oferece benefícios, mas não é custo- -efetivo para essa população.
  5. EO rastreamento para CRC em indivíduos de 45 a 49 anos é recomendado apenas para grupos de alto risco, como americanos negros ou com histórico familiar significativo.
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GabaritoB — A incidência e a mortalidade por CRC em indivíduos de 45 a 49 anos são equivalentes às observadas em indivíduos de 50 anos na década de 1990, quando o rastreamento foi recomendado para essa faixa etária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer colorretal: por que iniciar aos 45 anos?

Gabarito: letra B. A justificativa para antecipar o rastreamento do câncer colorretal (CRC) para os 45 anos em indivíduos de risco médio é que a incidência e a mortalidade por CRC nessa faixa etária (45–49 anos) tornaram-se equivalentes às observadas em indivíduos de 50 anos na década de 1990, quando o rastreamento foi recomendado para essa idade. Essa mudança reflete o aumento da incidência de CRC em adultos mais jovens nas últimas décadas, um fenômeno epidemiológico que levou as principais diretrizes, como as da American Cancer Society (ACS) e da US Preventive Services Task Force (USPSTF), a atualizarem suas recomendações.

O câncer colorretal é uma das neoplasias mais comuns e uma das poucas em que o rastreamento populacional demonstrou reduzir a mortalidade de forma consistente. A lógica do rastreamento baseia-se na detecção e remoção de pólipos adenomatosos, lesões precursoras, antes que progridam para carcinoma invasivo. Historicamente, o rastreamento era iniciado aos 50 anos, idade em que a incidência da doença aumentava de forma acentuada. No entanto, estudos epidemiológicos recentes documentaram um aumento significativo na incidência de CRC em adultos com menos de 50 anos, especialmente na faixa de 40 a 49 anos. Esse aumento não é explicado apenas por melhorias diagnósticas, mas reflete uma mudança real na epidemiologia da doença, possivelmente relacionada a fatores de risco como obesidade, dieta e sedentarismo.

A decisão de antecipar o rastreamento para os 45 anos baseia-se em modelos de simulação e análises de custo-efetividade que comparam diferentes idades de início. Esses modelos demonstraram que iniciar o rastreamento aos 45 anos, em vez de 50, resulta em ganho adicional de anos de vida ajustados pela qualidade (QALYs), com uma relação custo-efetividade aceitável, comparável à de outras estratégias de rastreamento já estabelecidas. A justificativa central, porém, não é a existência de evidências diretas de redução de mortalidade em menores de 50 anos (que são limitadas), mas sim a constatação de que a carga da doença na faixa de 45–49 anos hoje é semelhante à que existia na faixa de 50 anos quando as recomendações originais foram formuladas. Em outras palavras, o limiar de risco que justificava iniciar aos 50 anos agora é atingido aos 45.

É importante distinguir essa recomendação para risco médio das orientações para grupos de alto risco. Indivíduos com histórico familiar significativo de CRC ou pólipos avançados, síndromes hereditárias (como síndrome de Lynch ou polipose adenomatosa familiar) ou doença inflamatória intestinal (retocolite ulcerativa, doença de Crohn) devem iniciar o rastreamento mais cedo, frequentemente antes dos 40 anos, e com intervalos mais curtos. A recomendação de iniciar aos 45 anos aplica-se à população geral, sem fatores de risco adicionais. A alternativa E, que restringe a recomendação aos 45 anos apenas para grupos de alto risco, confunde essas duas populações distintas.

A pegadinha central desta questão está em distinguir a base de evidências para a recomendação. Não há ensaios clínicos randomizados que demonstrem diretamente redução de mortalidade por CRC em indivíduos de 45–49 anos submetidos a rastreamento; a recomendação é fundamentada em dados epidemiológicos de incidência e em modelos de simulação. A alternativa A erra ao afirmar que existem evidências diretas de redução de mortalidade nessa faixa etária. A alternativa C erra ao comparar a taxa de neoplasias avançadas em indivíduos de 40–44 anos com a de 50–59 anos, pois a comparação relevante para a decisão é entre a faixa de 45–49 anos atual e a faixa de 50 anos da década de 1990. A alternativa D erra ao afirmar que o rastreamento aos 45 anos não é custo-efetivo, quando os modelos demonstram o contrário. A alternativa E erra ao restringir a recomendação a grupos de alto risco, quando ela se aplica à população de risco médio.

Guarde o critério decisivo: a recomendação de iniciar o rastreamento aos 45 anos baseia-se na equivalência epidemiológica entre a incidência/mortalidade atuais na faixa de 45–49 anos e as observadas na faixa de 50 anos na década de 1990. É essa equivalência que justifica a antecipação, e não evidências diretas de redução de mortalidade ou análises de custo-efetividade isoladas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que há evidências diretas de redução da mortalidade por CRC em indivíduos abaixo de 50 anos devido ao rastreamento. Isso é incorreto: não existem ensaios clínicos randomizados que demonstrem diretamente redução de mortalidade nessa faixa etária. A recomendação de iniciar aos 45 anos baseia-se em dados epidemiológicos de incidência crescente e em modelos de simulação, não em evidências diretas de desfecho. A banca explora aqui a confusão entre o tipo de evidência que sustenta a recomendação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa espelha exatamente a justificativa central das diretrizes atuais. A incidência e a mortalidade por CRC em indivíduos de 45 a 49 anos hoje são equivalentes às observadas em indivíduos de 50 anos na década de 1990, quando o rastreamento foi recomendado para essa faixa etária. Essa equivalência epidemiológica é o fundamento para antecipar o início do rastreamento para os 45 anos em indivíduos de risco médio. É a explicação mais precisa e alinhada com a literatura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a taxa de neoplasias colorretais avançadas em indivíduos de 40 a 44 anos é maior do que a de indivíduos de 50 a 59 anos. Isso é falso: a incidência de neoplasias avançadas aumenta com a idade, sendo maior na faixa de 50–59 anos do que na de 40–44 anos. A comparação relevante para justificar a antecipação do rastreamento é entre a faixa de 45–49 anos atual e a faixa de 50 anos da década de 1990, não entre 40–44 e 50–59. A alternativa apresenta uma comparação incorreta e sem fundamento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que estudos de modelagem indicam que o rastreamento aos 45 anos oferece benefícios, mas não é custo-efetivo. Isso é incorreto: os modelos de simulação demonstram que iniciar o rastreamento aos 45 anos é custo-efetivo, com uma relação custo-efetividade aceitável, comparável à de outras estratégias de rastreamento estabelecidas. A alternativa inverte a conclusão dos estudos de modelagem, que apoiam a antecipação do rastreamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o rastreamento para CRC em indivíduos de 45 a 49 anos é recomendado apenas para grupos de alto risco, como americanos negros ou com histórico familiar significativo. Isso é incorreto: a recomendação de iniciar aos 45 anos aplica-se à população de risco médio, sem fatores de risco adicionais. Grupos de alto risco, como aqueles com histórico familiar significativo ou síndromes hereditárias, devem iniciar o rastreamento ainda mais cedo, frequentemente antes dos 40 anos. A alternativa confunde as recomendações para risco médio e alto risco.

Gabarito: letra B

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