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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113130
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Digestiva
Sobre o manejo endoscópico de corpos estranhos e impactações no trato gastrointestinal superior, assinale a alternativa correta.
  1. AO risco de perfuração é maior no intestino delgado do que no esôfago durante o manejo endoscópico.
  2. BLacerações e perfurações atribuídas ao corpo estranho ingerido são menos comuns do que as complicações relacionadas ao procedimento endoscópico.
  3. CA utilização de instrumentos endoscópicos durante a retirada de corpos estranhos está associada a uma diminuição no risco de complicações, como sangramento.
  4. DA realização de endoscopia para tratar impactações esofágicas deve ser realizada dentro das primeiras 24 horas de admissão.
  5. EO uso de um overtube elimina o risco de perfuração em regiões como o esôfago e o cricofaríngeo.
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GabaritoD — A realização de endoscopia para tratar impactações esofágicas deve ser realizada dentro das primeiras 24 horas de admissão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo endoscópico de corpos estranhos e impactações no trato gastrointestinal superior

Gabarito: letra D. A endoscopia digestiva alta para tratar impactações esofágicas deve ser realizada dentro das primeiras 24 horas de admissão, conforme a recomendação de que corpos estranhos esofágicos sejam removidos nesse intervalo. As demais alternativas invertem ou distorcem os riscos e as medidas de segurança do procedimento, como a maior frequência de perfuração no esôfago e o papel protetor — mas não eliminador — do overtube.

O manejo endoscópico de corpos estranhos e impactações alimentares no trato gastrointestinal superior é uma emergência relativamente comum, e a conduta correta depende de entender onde está o objeto, qual o risco de complicação e qual o tempo seguro para a intervenção. A ingestão de corpos estranhos pode ser acidental ou intencional, e os sintomas variam conforme o tamanho, o formato, a consistência e a localização do objeto — alguns pacientes permanecem assintomáticos. A impactação de alimentos, por sua vez, resulta habitualmente de um processo patológico subjacente, como estenose péptica, anel de Schatzki, esofagite eosinofílica ou neoplasia maligna.

O ponto central que decide esta questão é o tempo para a endoscopia. A recomendação clássica é que corpos estranhos esofágicos sejam removidos em até 24 horas. Isso porque, quanto mais tempo o objeto permanece impactado, maior o risco de lesão da mucosa, ulceração, perfuração e mediastinite. A endoscopia de emergência (imediata) fica reservada para situações de alto risco: obstrução completa (paciente não consegue nem eliminar secreções), ingestão de pilhas ou baterias (risco de necrose por corrente elétrica e queimadura química) e ingestão de objetos pontiagudos (risco de perfuração).

Outro aspecto importante é a localização do risco de perfuração. O esôfago é o local mais comum de impactação e também o de maior risco de perfuração durante o manejo endoscópico, especialmente em regiões de estreitamento fisiológico: o esfíncter esofágico superior (cricofaríngeo), o cruzamento com o arco aórtico e o esfíncter esofágico inferior. O intestino delgado, embora possa ser sede de perfuração por corpos estranhos pontiagudos que conseguem passar pelo esôfago, não é o local de maior risco no contexto do manejo endoscópico do trato gastrointestinal superior. A alternativa A, portanto, inverte essa lógica.

Sobre as complicações, é preciso distinguir as lesões causadas pelo próprio corpo estranho das complicações do procedimento endoscópico. As lacerações e perfurações atribuídas ao corpo estranho ingerido são mais comuns do que as complicações relacionadas ao procedimento endoscópico em si. A endoscopia diagnóstica é um procedimento seguro, com taxas de perfuração em torno de 0,05% e de sangramento de 0,3 a 1% após polipectomia colonoscópica — mas, no contexto de remoção de corpos estranhos, o risco é maior justamente porque o objeto já lesou a mucosa e a manipulação com instrumentos pode agravar a lesão. A alternativa B inverte essa relação, e a alternativa C afirma o oposto do que ocorre: o uso de instrumentos endoscópicos (pinças, alças, redes, cestas) aumenta o risco de complicações como sangramento e perfuração, não o diminui.

O overtube é um dispositivo que protege a via aérea e a mucosa esofágica durante a retirada de corpos estranhos, especialmente os pontiagudos, pois evita o contato direto do objeto com a parede do esôfago e do cricofaríngeo. No entanto, ele reduz — e não elimina — o risco de perfuração. A passagem do próprio overtube pode causar lesão, e a perfuração pode ocorrer em outras regiões não protegidas por ele, como o estômago e o duodeno. A alternativa E, portanto, é uma generalização indevida.

Guarde a fronteira entre tempo de intervenção (24 horas para impactação esofágica, emergência imediata para obstrução completa, pilhas e objetos pontiagudos) e risco de complicação (maior no esôfago, maior por lesão do próprio corpo estranho do que pelo procedimento, e o overtube como protetor, não como garantia). É exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.

Manejo endoscópico de corpos estranhos
  • 1Tempo de intervenção
    • Impactação esofágica
      • Endoscopia em até 24h
    • Emergência imediata
      • Obstrução completa
      • Pilhas/baterias
      • Objetos pontiagudos
  • 2Risco de complicação
    • Perfuração
      • Esôfago é o local de maior risco
      • Estreitamentos fisiológicos
    • Lesão pelo corpo estranho
      • Mais comum que complicação do procedimento
    • Instrumentação endoscópica
      • Aumenta risco de sangramento/perfuração
    • Overtube
      • Reduz risco
      • Não elimina perfuração
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o risco de perfuração é maior no intestino delgado do que no esôfago. É o contrário: o esôfago é o local de maior risco de perfuração durante o manejo endoscópico, por ser o ponto mais frequente de impactação e por apresentar estreitamentos fisiológicos (cricofaríngeo, arco aórtico, esfíncter esofágico inferior) que aumentam a chance de lesão. O intestino delgado é sede de perfuração por objetos pontiagudos que ultrapassam o esôfago, mas não é o local de maior risco no contexto do manejo endoscópico do trato gastrointestinal superior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que lacerações e perfurações atribuídas ao corpo estranho ingerido são menos comuns do que as complicações relacionadas ao procedimento endoscópico. É o oposto: as lesões causadas pelo próprio corpo estranho são mais comuns. O objeto impactado já lesa a mucosa por pressão, isquemia e ulceração, e a manipulação endoscópica pode agravar essa lesão — mas a causa primária de perfuração é o corpo estranho, não o endoscópio.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a utilização de instrumentos endoscópicos durante a retirada de corpos estranhos está associada a uma diminuição no risco de complicações, como sangramento. É o contrário: o uso de pinças, alças, redes e cestas aumenta o risco de complicações, pois a manipulação de um objeto pontiagudo ou impactado pode lacerar a mucosa, causar sangramento ou perfurar a parede. A instrumentação é necessária, mas é um fator de risco, não de proteção.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A endoscopia para tratar impactações esofágicas deve ser realizada dentro das primeiras 24 horas de admissão. Essa é a recomendação para corpos estranhos esofágicos: a remoção deve ocorrer em até 24 horas para evitar complicações como ulceração, perfuração e mediastinite. A endoscopia de emergência (imediata) é reservada para obstrução completa, ingestão de pilhas ou baterias e objetos pontiagudos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o uso de um overtube elimina o risco de perfuração em regiões como o esôfago e o cricofaríngeo. O overtube reduz o risco ao proteger a mucosa do contato direto com o objeto, mas não o elimina: a passagem do próprio overtube pode causar lesão, e a perfuração pode ocorrer em outras regiões não protegidas. É uma proteção adicional, não uma garantia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de conceitos: troca o local de maior risco de perfuração (esôfago pelo intestino delgado), inverte a frequência de complicações (corpo estranho pelo procedimento), nega o risco da instrumentação e transforma o overtube em solução absoluta. A única alternativa que traz um dado factual correto e diretamente aplicável é a D, com o prazo de 24 horas. Fique atento a essas inversões — elas são o padrão clássico da banca nesse tema.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um esquema mental com dois eixos: (1) tempo — impactação esofágica: endoscopia em até 24h; obstrução completa, pilhas e objetos pontiagudos: emergência imediata; (2) risco — perfuração mais comum no esôfago; lesão pelo corpo estranho mais comum que a complicação do procedimento; instrumentação aumenta o risco; overtube reduz, mas não elimina. Esses são os pontos que a banca cobra repetidamente.

Gabarito: letra D

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