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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113132
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Digestiva
Sobre a aplicação da endoscopia digestiva na vigilância e no controle do esôfago de Barrett (EB), assinale a alternativa correta.
  1. AEm pacientes com EB em rotina de vigilância, recomenda-se realização de endomicroscopia confocal anual.
  2. BNão se recomenda a realização de ecoendoscopia de rotina para diferenciação de invasão submucosa em nódulos ou displasia de alto grau associados ao EB.
  3. CRecomenda-se a avaliação endoscópica com luz branca seguida de aplicação do protocolo de Seattle, como sendo o melhor método para a vigilância de pacientes com EB.
  4. DExistem evidências significativas da eficácia da rotina de vigilância para o EB devendo ser aplicada a todos os pacientes com confirmação histopatológica de EB em pelo menos dois exames consecutivos.
  5. ESão considerados fatores de risco para adenocarcinoma em pacientes com EB o histórico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), sexo feminino e afrodescendentes.
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GabaritoB — Não se recomenda a realização de ecoendoscopia de rotina para diferenciação de invasão submucosa em nódulos ou displasia de alto grau associados ao EB.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esôfago de Barrett: vigilância endoscópica e métodos diagnósticos

Gabarito: letra B. A ecoendoscopia (USE) não é recomendada de rotina na vigilância do esôfago de Barrett (EB) para diferenciar invasão submucosa em nódulos ou displasia de alto grau; seu papel é reservado para casos selecionados, como avaliação de profundidade de invasão quando há suspeita de adenocarcinoma. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre vigilância, métodos diagnósticos e fatores de risco.

O esôfago de Barrett é uma metaplasia intestinal do epitélio escamoso distal do esôfago, que se desenvolve como consequência da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) crônica. É uma condição pré-maligna, com risco de progressão para displasia e adenocarcinoma esofágico. A vigilância endoscópica é a principal estratégia para detectar displasia precocemente, e a técnica de biópsia é fundamental para o diagnóstico adequado.

O protocolo de Seattle é o padrão-ouro para a vigilância endoscópica do EB: consiste em biópsias seriadas de quatro quadrantes a cada 2 cm (ou 1 cm em casos de displasia prévia), associadas à amostragem de qualquer anormalidade visível. A endoscopia com luz branca de alta definição é o método inicial, e a cromoendoscopia virtual ou química pode aumentar o rendimento diagnóstico. A ecoendoscopia, por sua vez, não tem papel na vigilância de rotina, sendo reservada para avaliação de lesões suspeitas de invasão profunda.

Os fatores de risco para o desenvolvimento do EB incluem DRGE crônica (> 5 anos), idade superior a 50 anos, sexo masculino, tabagismo, obesidade central e raça branca. A progressão para adenocarcinoma é mais comum em homens, idosos, obesos e tabagistas. A vigilância endoscópica é recomendada para pacientes com EB confirmado, mas a evidência de que ela reduz a mortalidade por adenocarcinoma é limitada, e a decisão de vigiar deve ser individualizada.

A alternativa B está correta porque reflete a recomendação de não usar a ecoendoscopia de rotina na vigilância do EB. A USE é útil apenas em casos específicos, como na avaliação de nódulos ou lesões suspeitas de invasão submucosa, quando a ressecção endoscópica ou a terapia ablativa estão sendo consideradas. A diferenciação entre displasia de alto grau e adenocarcinoma invasor é feita principalmente pela histologia das biópsias, não pela ecoendoscopia.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre os métodos diagnósticos e seus papéis na vigilância do EB. A banca explora a ideia de que a ecoendoscopia seria útil para avaliar invasão submucosa, mas a recomendação atual é justamente o contrário: ela não é indicada de rotina. O candidato que conhece o protocolo de Seattle e as indicações precisas da USE acerta a questão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A endomicroscopia confocal não é recomendada como método de vigilância anual de rotina no EB. Ela é uma técnica avançada, ainda em estudo, que pode ser útil em casos selecionados para avaliação de lesões suspeitas, mas não substitui o protocolo de Seattle com biópsias seriadas. A vigilância padrão é feita com endoscopia de luz branca e biópsias conforme o protocolo de Seattle, com intervalos que variam de 3 a 5 anos (sem displasia) até 3 meses (displasia de alto grau).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ecoendoscopia (USE) não é recomendada de rotina para diferenciar invasão submucosa em nódulos ou displasia de alto grau associados ao EB. A avaliação inicial de nódulos é feita por ressecção endoscópica da mucosa (EMR), que serve tanto para diagnóstico quanto para tratamento. A USE pode ser útil em casos selecionados, como na avaliação de adenocarcinoma para estadiamento, mas não faz parte da vigilância de rotina. A alternativa está correta porque reflete a recomendação de não usar a USE rotineiramente nesse contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a avaliação com luz branca seguida do protocolo de Seattle é o melhor método para vigilância, o que está parcialmente correto, mas a redação é imprecisa. O protocolo de Seattle envolve biópsias seriadas de quatro quadrantes, mas a endoscopia de luz branca de alta definição é o método inicial, e a cromoendoscopia virtual ou química pode aumentar o rendimento. A alternativa não menciona a cromoendoscopia, que é uma recomendação importante, e a expressão "melhor método" é absoluta demais, pois a vigilância pode ser complementada por outras técnicas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não existem evidências significativas de que a rotina de vigilância para EB reduza a mortalidade por adenocarcinoma, e a recomendação não é aplicá-la a todos os pacientes com EB confirmado. A vigilância é recomendada para pacientes com EB, mas a decisão deve ser individualizada, considerando fatores de risco, idade e comorbidades. A maioria dos pacientes com EB não morre de adenocarcinoma, e a vigilância pode não ser benéfica em todos os casos. A alternativa superestima a eficácia da vigilância e generaliza sua aplicação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os fatores de risco para adenocarcinoma em pacientes com EB incluem idade avançada, obesidade central, tabagismo e sexo masculino. A alternativa erra ao citar sexo feminino e afrodescendentes como fatores de risco, quando na verdade o sexo masculino e a raça branca são os fatores de risco. A DRGE é um fator de risco para o desenvolvimento do EB, mas não é um fator de risco independente para adenocarcinoma em pacientes já com EB. A alternativa inverte os fatores de risco, trocando masculino por feminino e branca por afrodescendentes.

Gabarito: letra B

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