Em relação à atelectasia redonda, assinale a alternativa correta.
AÉ uma complicação de infecções bacterianas do parênquima pulmonar.
BÉ caracterizada pela fusão dos folhetos pleurais sem invaginação da pleura raramente resultando em aprisionamento pulmonar.
CAfeta principalmente os lobos superiores do pulmão, sem envolvimento pleural.
DApresenta-se como uma lesão única em radiografias ou tomografias.
EÉ uma complicação da doença pleural induzida por asbesto, resultando em formação de uma massa pseudotumoral.
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GabaritoE — É uma complicação da doença pleural induzida por asbesto, resultando em formação de uma massa pseudotumoral.
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Atelectasia redonda
Gabarito: letra E. A atelectasia redonda é uma complicação da doença pleural induzida por asbesto, caracterizada pela formação de uma massa pseudotumoral que resulta do aprisionamento de parênquima pulmonar por espessamento pleural. As demais alternativas apresentam erros conceituais: não é complicação de infecções bacterianas, não afeta preferencialmente os lobos superiores sem envolvimento pleural, e não se apresenta como lesão única em radiografias ou tomografias.
A atelectasia redonda, também conhecida como síndrome de Blesovsky, é uma forma peculiar de colapso pulmonar que ocorre em associação com espessamento pleural, mais comumente relacionado à exposição ao asbesto. O mecanismo fisiopatológico envolve a invaginação da pleura visceral sobre o parênquima pulmonar, criando uma "armadilha" que aprisiona o pulmão e impede sua reexpansão completa. Esse processo resulta em uma massa de contornos arredondados, que pode simular radiologicamente uma neoplasia pulmonar — daí o termo "pseudotumoral".
A doença pleural induzida por asbesto manifesta-se em um espectro que inclui placas pleurais, espessamento pleural difuso, derrame pleural benigno e mesotelioma maligno. A atelectasia redonda é uma das apresentações mais características, ocorrendo tipicamente em pacientes com história de exposição ocupacional ao amianto, com um período de latência que pode variar de 10 a 30 anos. O diagnóstico é fundamentalmente radiológico, e a tomografia computadorizada é o exame de escolha para demonstrar as características típicas da lesão.
Os achados tomográficos clássicos da atelectasia redonda incluem: massa parenquimatosa de contornos arredondados ou ovais, adjacente à pleura espessada; presença do sinal da "cauda de cometa" (curvatura de vasos e brônquios em direção à massa); e espessamento pleural associado. A lesão pode ser única ou múltipla, e sua localização mais frequente é nas regiões posteriores e inferiores dos pulmões, onde o espessamento pleural tende a ser mais pronunciado. É importante destacar que a atelectasia redonda pode ocorrer em outras condições que cursam com espessamento pleural, como tuberculose, hemotórax e empiema, mas a associação mais clássica é com a asbestose.
A distinção entre atelectasia redonda e neoplasia pulmonar é crucial, pois ambas podem apresentar-se como massas pulmonares. A presença do sinal da cauda de cometa, a ausência de broncograma aéreo, a localização periférica e a estabilidade radiológica ao longo do tempo favorecem o diagnóstico de atelectasia redonda. Em casos duvidosos, a biópsia pode ser necessária, mas o reconhecimento dos achados típicos evita procedimentos invasivos desnecessários. A banca explora exatamente essa confusão entre massa neoplásica e pseudotumoral, bem como a associação incorreta com processos infecciosos.
Guarde o critério decisivo: a atelectasia redonda é uma complicação da doença pleural induzida por asbesto, com formação de massa pseudotumoral por aprisionamento pulmonar — é nessa associação que as alternativas se dividem.
Atelectasia redonda: Etiologia (Doença pleural por asbesto, Outras causas (tuberculose, hemotórax, empiema)); Mecanismo (Invaginação da pleura visceral, Aprisionamento do parênquima, Massa pseudotumoral); Achados (Sinal da cauda de cometa, Espessamento pleural, Regiões posteriores e inferiores, Lesão única ou múltipla); Diagnóstico (TC de tórax, Estabilidade radiológica, Biópsia em casos duvidosos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a atelectasia redonda é complicação de infecções bacterianas do parênquima pulmonar. O erro está na etiologia: a atelectasia redonda está associada a doença pleural, especialmente a induzida por asbesto, e não a infecções bacterianas. Embora infecções possam causar espessamento pleural e, teoricamente, atelectasia redonda, a associação clássica e mais cobrada é com a asbestose. A alternativa confunde a causa mais característica com um mecanismo menos comum.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que é caracterizada pela fusão dos folhetos pleurais sem invaginação da pleura, raramente resultando em aprisionamento pulmonar. O erro é duplo: a atelectasia redonda envolve invaginação da pleura visceral sobre o parênquima, e o aprisionamento pulmonar é justamente o mecanismo central da doença, não uma raridade. A alternativa inverte o mecanismo fisiopatológico essencial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que afeta principalmente os lobos superiores do pulmão, sem envolvimento pleural. O erro está na localização e na ausência de envolvimento pleural: a atelectasia redonda ocorre tipicamente nas regiões posteriores e inferiores dos pulmões, e o espessamento pleural é um componente fundamental da doença. A alternativa contraria tanto a localização típica quanto a fisiopatologia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que se apresenta como lesão única em radiografias ou tomografias. O erro está na generalização: a atelectasia redonda pode ser única ou múltipla. Embora a apresentação como lesão única seja comum, a possibilidade de lesões múltiplas é reconhecida, tornando a afirmação categórica incorreta. A alternativa peca por afirmar de forma absoluta uma característica que admite variação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que é uma complicação da doença pleural induzida por asbesto, resultando em formação de uma massa pseudotumoral. Esta é a definição clássica e correta da atelectasia redonda. A doença pleural por asbesto causa espessamento pleural que, ao invaginar a pleura visceral, aprisiona o parênquima pulmonar, formando uma massa que simula neoplasia — daí o termo pseudotumoral. A alternativa espelha exatamente a fisiopatologia e a associação etiológica mais característica.