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Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2025

MedicinaPneumologia
Código
vu113138
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Respiratória
Paciente de 65 anos, ex-tabagista, com histórico de DPOC, é admitido no hospital com quadro de febre, tosse produtiva e dispneia progressiva há 10 dias. Inicialmente, foi tratado com antibioticoterapia empírica para pneumonia comunitária, sem melhora clínica significativa. A radiografia de tórax revela infiltrado pulmonar persistente, e a tomografia computadorizada mostra áreas de consolidação e vidro fosco em ambos os pulmões. A equipe médica discute a necessidade de uma investigação diagnóstica mais aprofundada.Diante desse caso, quando deve ser considerada a coleta de amostras de forma invasiva, com broncoscopia ou lavado broncoalveolar?
  1. AEm todos os pacientes com pneumonia por agentes infecciosos.
  2. BEm pacientes não respondedores à terapia empírica inicial ou com necessidade de diagnóstico diferencial com doenças pulmonares não infecciosas.
  3. CEm pacientes com derrame pleural compatível com derrame parapneumônico.
  4. DSomente em casos de tumores pulmonares confirmados por tomografia, devendo ser evitada na suspeita de doença benigna.
  5. EApenas para higiene brônquica em pacientes com doença intersticial pulmonar avançada.
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GabaritoB — Em pacientes não respondedores à terapia empírica inicial ou com necessidade de diagnóstico diferencial com doenças pulmonares não infecciosas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pneumonia com resposta inadequada: quando indicar broncoscopia e lavado broncoalveolar

Gabarito: letra B. A coleta invasiva de amostras com broncoscopia ou lavado broncoalveolar (LBA) está indicada em pacientes que não respondem à terapia empírica inicial ou quando há necessidade de diagnóstico diferencial com doenças pulmonares não infecciosas — exatamente o que a alternativa B descreve. Essa conduta é respaldada pelas diretrizes de manejo da pneumonia adquirida na comunidade (PAC), que reservam a investigação invasiva para os casos de falha terapêutica ou suspeita de diagnósticos alternativos.

O caso clínico apresentado é o exemplo clássico dessa situação: um paciente idoso, ex-tabagista, com DPOC, que não melhora após antibioticoterapia empírica para pneumonia comunitária e mantém infiltrado pulmonar persistente na tomografia. Nesse cenário, a equipe precisa ir além do tratamento empírico e buscar o diagnóstico etiológico ou descartar outras doenças que mimetizam pneumonia, como neoplasia pulmonar, vasculite, pneumonia organizada, pneumonite de hipersensibilidade, entre outras.

A pneumonia adquirida na comunidade é uma condição comum e potencialmente grave, sendo a única infecção respiratória aguda em que o atraso na antibioticoterapia está associado a aumento de mortalidade. Por isso, o diagnóstico rápido e correto é imprescindível. No entanto, a busca ativa pelo agente etiológico não é indicada para todos os pacientes: em casos ambulatoriais leves, a terapia empírica é tão eficaz que a investigação microbiológica se torna desnecessária. A procura pelo agente deve ser guiada pela gravidade clínica, fatores epidemiológicos de risco e resposta ao tratamento.

A falha terapêutica é um conceito central. Espera-se melhora clínica progressiva nas primeiras 24 a 72 horas de antibioticoterapia. A falência precoce (nas primeiras 72 horas) geralmente está relacionada à gravidade da infecção primária, como evolução para choque séptico. Já a falha tardia, que é o caso do paciente do enunciado (10 dias de sintomas sem melhora), sugere outras causas: agente etiológico resistente, complicações (derrame pleural, abscesso), ou diagnóstico alternativo não infeccioso. É nesse contexto que a tomografia de tórax está indicada, para melhor caracterização da lesão, pesquisa de complicações e diagnósticos diferenciais — e, principalmente em imunossuprimidos, a endoscopia respiratória com lavado broncoalveolar ganha extrema relevância.

A distinção que importa aqui é entre a investigação microbiológica de rotina (hemoculturas, escarro) e a coleta invasiva por broncoscopia/LBA. A primeira é indicada em casos graves, mas a segunda é reservada para situações selecionadas: falha terapêutica, imunossupressão, ou necessidade de diferenciar pneumonia de doenças não infecciosas. A broncoscopia com LBA permite não apenas a cultura de agentes infecciosos, mas também a análise citológica e histológica que pode diagnosticar neoplasias, pneumonias intersticiais, pneumonite de hipersensibilidade, entre outras condições. É uma ferramenta diagnóstica poderosa, mas invasiva, e por isso não deve ser usada indiscriminadamente.

A pegadinha que a banca explora nesta questão é a generalização: o candidato pode ser tentado a marcar a alternativa A (todos os pacientes) ou a alternativa C (derrame pleural), mas a indicação de broncoscopia é muito mais restrita e específica. A alternativa B captura com precisão as duas grandes indicações: falha terapêutica e necessidade de diagnóstico diferencial com doenças não infecciosas. Guarde esse binômio — é exatamente ele que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a coleta invasiva deve ser considerada em todos os pacientes com pneumonia por agentes infecciosos. Isso é uma generalização indevida. A investigação microbiológica agressiva não é necessária em todos os casos: em pacientes ambulatoriais com PAC leve, a terapia empírica tem alta eficácia e baixa mortalidade, tornando a busca pelo agente desnecessária. A broncoscopia com LBA é um procedimento invasivo, com riscos e custos, reservado para casos selecionados — falha terapêutica, imunossupressão ou suspeita de diagnóstico alternativo. A banca troca a indicação seletiva por uma regra universal, o que contraria a prática clínica baseada em diretrizes.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa espelha com precisão as indicações de broncoscopia com LBA na PAC: pacientes não respondedores à terapia empírica inicial ou com necessidade de diagnóstico diferencial com doenças pulmonares não infecciosas. O caso do enunciado é o exemplo perfeito — paciente com 10 dias de sintomas, sem melhora com antibióticos, com infiltrado persistente. Nesse cenário, a broncoscopia permite tanto a identificação de agentes infecciosos resistentes quanto o diagnóstico de condições não infecciosas que mimetizam pneumonia (neoplasia, vasculite, pneumonia organizada, etc.). A alternativa está correta porque captura exatamente o binômio que define a indicação do procedimento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a broncoscopia está indicada em pacientes com derrame pleural compatível com derrame parapneumônico. Há uma confusão de procedimentos: no derrame pleural parapneumônico, o exame indicado é a toracocentese (punção do líquido pleural para análise), não a broncoscopia. A broncoscopia com LBA avalia o parênquima pulmonar e as vias aéreas, não o espaço pleural. O derrame pleural é uma complicação da pneumonia que deve ser investigada com ultrassom e toracocentese, e a presença de derrame não é, por si só, indicação de broncoscopia. A banca troca o procedimento correto para essa complicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a broncoscopia deve ser usada somente em casos de tumores pulmonares confirmados por tomografia, devendo ser evitada na suspeita de doença benigna. Isso é duplamente errado. Primeiro, a broncoscopia não é restrita a neoplasias — é amplamente utilizada para diagnóstico de doenças infecciosas (como tuberculose e pneumonias fúngicas) e doenças intersticiais. Segundo, a suspeita de doença benigna não contraindica o procedimento; pelo contrário, muitas doenças benignas (pneumonite de hipersensibilidade, pneumonia organizada, sarcoidose) só podem ser diagnosticadas com segurança através de biópsia ou LBA. A alternativa inverte completamente a lógica da indicação: a broncoscopia é uma ferramenta diagnóstica para situações de dúvida, não um procedimento restrito a malignidades confirmadas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a broncoscopia serve apenas para higiene brônquica em pacientes com doença intersticial pulmonar avançada. Há uma confusão entre o papel terapêutico e o papel diagnóstico do procedimento. A broncoscopia com LBA é, primariamente, uma ferramenta diagnóstica — permite a coleta de material para análise microbiológica, citológica e histológica. A "higiene brônquica" (aspiração de secreções) é um uso terapêutico paliativo, não a principal indicação do procedimento. Além disso, a broncoscopia é indicada em diversas doenças intersticiais para diagnóstico, não apenas em casos avançados, e também em pneumonias com falha terapêutica, como no caso do enunciado. A alternativa reduz o escopo do procedimento a uma função secundária e restringe sua aplicação a um grupo específico de pacientes.

Gabarito: letra B — a broncoscopia com LBA está indicada em pacientes não respondedores à terapia empírica inicial ou com necessidade de diagnóstico diferencial com doenças pulmonares não infecciosas.

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