Mulher de 45 anos, sem histórico de asma, procura atendimento médico por apresentar tosse crônica seca há, aproximadamente, quatro meses. Ela nega dispneia, sibilância ou outros sintomas respiratórios. O exame físico não revela sinais de broncoespasmo, e a ausculta pulmonar é normal. A radiografia de tórax não mostra alterações significativas. O médico solicita um exame do escarro induzido, que revela eosinofilia. Testes de função pulmonar, incluindo prova de broncoprovocação, não demonstram hiperresponsividade brônquica.Qual das alternativas a seguir descreve corretamente a patologia descrita no caso clínico?
ATrata-se de uma condição caracterizada por tosse crônica e hiperresponsividade das vias aéreas, frequentemente associada a broncoconstricção.
BEstá associada à presença de eosinofilia no escarro e sintomas clássicos de asma, como sibilância e dispneia.
CÉ uma condição fisiológica que sempre evolui para asma em longo prazo.
DÉ caracterizada pela ausência de eosinofilia no escarro e pela presença de hiperresponsividade brônquica.
EÉ definida pela presença de tosse crônica, associada à eosinofilia no escarro, sem evidência de broncoconstricção ou hiperresponsividade das vias aéreas.
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GabaritoE — É definida pela presença de tosse crônica, associada à eosinofilia no escarro, sem evidência de broncoconstricção ou hiperresponsividade das vias aéreas.
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Tosse crônica com eosinofilia: bronquite eosinofílica não asmática
Gabarito: letra E. O caso descreve uma paciente com tosse crônica seca, eosinofilia no escarro induzido e ausência de hiperresponsividade brônquica — o que caracteriza a bronquite eosinofílica não asmática, condição em que há inflamação eosinofílica das vias aéreas sem broncoconstrição nem hiperresponsividade, diferentemente da asma. A alternativa E espelha exatamente essa definição.
A bronquite eosinofílica é uma causa importante de tosse crônica, especialmente em não fumantes, e entra no diagnóstico diferencial da asma. A chave para diferenciá-la está na presença de eosinofilia no escarro (marcador de inflamação eosinofílica das vias aéreas) associada à ausência de hiperresponsividade brônquica — que é o achado funcional que define a asma. Na asma, a broncoprovocação é positiva; na bronquite eosinofílica, é negativa, mesmo havendo eosinofilia no escarro.
O quadro clínico típico é de tosse crônica (mais de 8 semanas), seca, sem sibilância, dispneia ou outros sintomas respiratórios, com exame físico e radiografia de tórax normais. A espirometria também costuma ser normal, e a prova de broncoprovocação não demonstra hiperresponsividade. O tratamento é feito com corticoides inalatórios, e a tosse costuma resolver em até 4 semanas. A história natural tende a ser autolimitada, e apenas uma minoria evolui para asma.
A distinção entre bronquite eosinofílica e asma é um ponto clássico de prova. Enquanto a asma é definida por sintomas respiratórios variáveis (sibilância, dispneia, aperto no peito) associados à hiperresponsividade brônquica e à obstrução reversível do fluxo aéreo, a bronquite eosinofílica apresenta apenas tosse, sem hiperresponsividade. A eosinofilia no escarro está presente em ambas, mas a broncoprovocação negativa é o divisor de águas.
A pegadinha da banca está em associar eosinofilia no escarro automaticamente à asma, ignorando que a bronquite eosinofílica é uma entidade distinta. O candidato que não conhece essa condição tende a marcar a alternativa que menciona asma, mas o enunciado foi construído justamente para excluir esse diagnóstico: ausência de sintomas clássicos, exame físico normal e broncoprovocação negativa.
Guarde o par eosinofilia no escarro + broncoprovocação negativa = bronquite eosinofílica não asmática; é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Tosse crônica com eosinofilia
1Bronquite eosinofílica não asmática
Tosse crônica seca
Eosinofilia no escarro
Sem hiperresponsividade brônquica
Sem broncoconstrição
2Asma (diagnóstico diferencial)
Hiperresponsividade brônquica
Sintomas clássicos (sibilância, dispneia)
Obstrução reversível
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a condição é caracterizada por tosse crônica e hiperresponsividade das vias aéreas, frequentemente associada a broncoconstrição. Isso descreve a asma, não a bronquite eosinofílica. No caso, a broncoprovocação foi negativa, excluindo hiperresponsividade. O erro está em atribuir à condição um achado funcional que está explicitamente ausente no enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que está associada à eosinofilia no escarro e a sintomas clássicos de asma, como sibilância e dispneia. A eosinofilia está presente, mas os sintomas clássicos de asma estão ausentes — a paciente nega dispneia e sibilância, e o exame físico não revela broncoespasmo. A alternativa mistura o marcador inflamatório correto com o quadro clínico errado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que é uma condição fisiológica que sempre evolui para asma em longo prazo. Não é fisiológica — é uma condição patológica com inflamação eosinofílica. Além disso, a evolução para asma não é a regra; a maioria dos casos é autolimitada, e apenas uma minoria evolui. O termo "sempre" torna a afirmação incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que é caracterizada pela ausência de eosinofilia no escarro e pela presença de hiperresponsividade brônquica. Inverte completamente os achados do caso: há eosinofilia no escarro e não há hiperresponsividade. Essa alternativa descreve o oposto da bronquite eosinofílica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Define corretamente a bronquite eosinofílica não asmática: tosse crônica, eosinofilia no escarro e ausência de broncoconstrição ou hiperresponsividade das vias aéreas. Todos os elementos do enunciado — tosse seca há 4 meses, eosinofilia no escarro induzido, broncoprovocação negativa — se encaixam nessa definição. É a única alternativa que descreve com precisão a patologia apresentada.