Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2025

MedicinaPneumologia
Código
vu113147
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Endoscopia Respiratória
Na investigação funcional da tosse crônica, em qual das seguintes situações a broncoscopia está indicada?
  1. APaciente não tabagista, com sintomas de doença do refluxo gastroesofágico.
  2. BPaciente com espirometria normal e teste de provocação brônquica (TPB) negativo.
  3. CEm todos os pacientes com radiografia de tórax alterada.
  4. DAntes da realização do teste de provocação brônquica (TPB) em pacientes com espirometria normal.
  5. EComo exame inicial em pacientes com tosse crônica em uso de IECA.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Paciente com espirometria normal e teste de provocação brônquica (TPB) negativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tosse crônica: indicações de broncoscopia

Gabarito: letra B. Na investigação da tosse crônica, a broncoscopia está indicada quando há suspeita de doença estrutural das vias aéreas, como neoplasia, corpo estranho ou estenose — situação que se configura no paciente com espirometria normal e teste de provocação brônquica (TPB) negativo, pois as causas funcionais (asma, bronquite eosinofílica) já foram afastadas. As demais alternativas descrevem cenários em que a broncoscopia não é o passo inicial ou não está indicada, conforme o fluxograma de investigação da tosse crônica.

A tosse crônica é definida como aquela que persiste por mais de 8 semanas. A investigação segue uma abordagem sequencial e hierarquizada: primeiro, excluem-se causas comuns e tratáveis (síndrome da tosse das vias aéreas superiores, asma, DRGE, bronquite eosinofílica não asmática, uso de IECA, tabagismo); depois, se não houver resposta ao tratamento empírico ou se houver sinais de alerta, parte-se para exames complementares. A broncoscopia é um procedimento invasivo, reservado para situações específicas em que há suspeita de doença endobrônquica ou necessidade de coleta de material para diagnóstico — não é exame de rotina nem primeira linha.

O raciocínio clínico que sustenta a alternativa correta é o seguinte: em um paciente com tosse crônica, espirometria normal afasta obstrução ao fluxo aéreo fixa (como DPOC); TPB negativo afasta hiperresponsividade brônquica (asma). Se as duas causas funcionais mais comuns foram excluídas e a tosse persiste, a hipótese de doença estrutural — como neoplasia brônquica, corpo estranho, estenose ou bronquiectasia localizada — ganha força, e a broncoscopia torna-se o exame indicado para visualizar diretamente a árvore traqueobrônquica e, se necessário, biopsiar.

A banca explora exatamente a inversão da lógica: em vez de indicar a broncoscopia quando as causas funcionais foram afastadas (alternativa B), o candidato pode ser tentado a escolher opções que descrevem situações em que o exame não é necessário ou é prematuro. Por exemplo, na alternativa A, o paciente com sintomas de DRGE tem uma causa provável e tratável — a broncoscopia não é indicada nesse momento; na alternativa E, o uso de IECA é causa conhecida de tosse, e a conduta é suspender a medicação, não broncoscopiar. A alternativa C generaliza de forma incorreta: radiografia alterada não é indicação automática de broncoscopia — depende do achado. E a alternativa D inverte a ordem: o TPB é realizado antes da broncoscopia, não depois.

Guarde o critério decisivo: a broncoscopia entra quando há suspeita de doença estrutural das vias aéreas ou necessidade de diagnóstico histológico/microbiológico, e não como exame de triagem ou para causas funcionais. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.

  1. 1Excluir causas comuns (DRGE, asma, IECA)
  2. 2Espirometria + TPB
  3. 3TPB negativo e espirometria normal
  4. 4Suspeita de doença estrutural
  5. 5Broncoscopia indicada
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Paciente não tabagista com sintomas de DRGE tem uma causa provável e tratável para a tosse crônica. A conduta inicial é tratamento empírico para DRGE (mudanças de estilo de vida, dieta e inibidor de bomba de prótons), não broncoscopia. A broncoscopia só seria considerada se não houvesse resposta ao tratamento ou se surgissem sinais de alerta. A alternativa erra ao indicar exame invasivo antes da abordagem terapêutica adequada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a situação em que a broncoscopia está indicada. Espirometria normal afasta obstrução fixa (DPOC); TPB negativo afasta hiperresponsividade brônquica (asma). Com as causas funcionais excluídas, a tosse crônica persistente levanta a suspeita de doença estrutural — neoplasia, corpo estranho, estenose, bronquiectasia localizada — e a broncoscopia é o exame que permite visualizar diretamente as vias aéreas e, se necessário, realizar biópsia ou lavado broncoalveolar. É o cenário clássico de indicação do procedimento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação "em todos os pacientes com radiografia de tórax alterada" é uma generalização indevida. A radiografia alterada não é indicação automática de broncoscopia — depende do tipo de alteração. Por exemplo, um infiltrado intersticial pode ser investigado por TC de tórax e biópsia transbrônquica, mas nem todo achado radiológico exige broncoscopia. A decisão é individualizada, baseada na suspeita clínica e no padrão radiológico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Inverte a ordem da investigação. O TPB é realizado para diagnosticar hiperresponsividade brônquica (asma) e deve ser feito antes de se considerar a broncoscopia. A broncoscopia não é pré-requisito para o TPB; pelo contrário, é um exame posterior, indicado quando o TPB é negativo e persiste a suspeita de doença estrutural. A alternativa erra ao colocar a broncoscopia como etapa anterior ao TPB.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O uso de IECA é causa conhecida e comum de tosse crônica. A conduta inicial é suspender a medicação e observar a resolução da tosse (que pode levar até 4 semanas). A broncoscopia não é exame inicial nesse cenário — só seria considerada se a tosse persistisse após a suspensão do IECA e outras causas fossem investigadas. A alternativa erra ao indicar broncoscopia como primeiro passo em paciente com causa provável e reversível.

Gabarito: letra B — a broncoscopia está indicada no paciente com espirometria normal e TPB negativo, pois as causas funcionais foram afastadas e permanece a suspeita de doença estrutural das vias aéreas.

Link permanente: /questoes/vu113147