Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
- Código
- vu113158
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Gastroenterologia
- Afenitoína.
- Bclorpromazina.
- Camoxicilina + clavulanato.
- Dparacetamol.
- Eestatinas.
GabaritoC — amoxicilina + clavulanato.
Gabarito: letra C. A amoxicilina + clavulanato é o fármaco que mais frequentemente causa lesão hepática mista, ou seja, com características simultâneas de hepatotoxicidade hepatocelular e colestática. Essa informação é amplamente descrita na literatura médica, incluindo o contexto de que "pode surgir o desenvolvimento de hepatite colestática ou mista relacionada com a amoxicilina-ácido clavulânico logo após a interrupção do medicamento".
A LHIF é uma reação adversa a medicamentos que pode se manifestar de diferentes formas, dependendo do mecanismo de lesão e do fármaco envolvido. A classificação mais utilizada divide a lesão em três padrões principais: hepatocelular, colestática e mista. O padrão hepatocelular é caracterizado por elevação predominante das aminotransferases (ALT), enquanto o padrão colestático apresenta elevação desproporcional da fosfatase alcalina (ALP). O padrão misto, como o nome sugere, combina características de ambos, com elevação tanto de ALT quanto de ALP.
A amoxicilina-clavulanato é um antibiótico amplamente utilizado e um dos principais causadores de LHIF no mundo. O ácido clavulânico é o componente mais frequentemente implicado na hepatotoxicidade, e o padrão de lesão mais característico é o misto, embora também possa causar lesão hepatocelular ou colestática pura. A lesão geralmente se manifesta semanas após o início do tratamento, e o risco aumenta com ciclos repetidos do medicamento.
É importante diferenciar a LHIF mista da hepatotoxicidade direta, como a causada pelo paracetamol em altas doses, que é dose-dependente e previsível, e da hepatotoxicidade idiossincrásica, que é imprevisível e não depende da dose. A amoxicilina-clavulanato se enquadra na categoria de hepatotoxicidade idiossincrásica, mas com um padrão de lesão caracteristicamente misto.
A banca explora a confusão entre os padrões de lesão hepática e os fármacos associados. O candidato pode lembrar que o paracetamol causa lesão hepatocelular direta, que a fenitoína e a clorpromazina podem causar lesão colestática ou mista, mas é a amoxicilina-clavulanato que é classicamente associada ao padrão misto. A chave para acertar a questão é conhecer o padrão de lesão mais característico de cada fármaco.
A fenitoína é um anticonvulsivante que pode causar LHIF, mas o padrão de lesão mais característico é o hepatocelular, frequentemente associado a reações de hipersensibilidade, como febre, exantema e eosinofilia. Embora possa ocorrer lesão mista, não é o fármaco mais frequentemente associado a esse padrão. A banca pode tentar confundir o candidato com a associação de anticonvulsivantes a reações de hipersensibilidade, mas o padrão misto é mais típico da amoxicilina-clavulanato.
A clorpromazina é um antipsicótico que pode causar colestase, mas o padrão de lesão mais característico é o colestático, com elevação predominante da fosfatase alcalina. Embora possa ocorrer lesão mista, não é o fármaco mais frequentemente associado a esse padrão. A banca pode tentar confundir o candidato com a associação de antipsicóticos a colestase, mas o padrão misto é mais típico da amoxicilina-clavulanato.
A amoxicilina + clavulanato é o fármaco que mais frequentemente apresenta toxicidade hepatocelular e canalicular (colestática) ao mesmo tempo, caracterizando o padrão de lesão hepática mista. Essa associação é amplamente reconhecida na literatura, e o contexto menciona que "pode surgir o desenvolvimento de hepatite colestática ou mista relacionada com a amoxicilina-ácido clavulânico". O ácido clavulânico é o principal responsável pela hepatotoxicidade, e o padrão misto é o mais característico.
O paracetamol é um exemplo clássico de hepatotoxicidade direta, dose-dependente e previsível, causando lesão hepatocelular aguda, com elevação predominante de ALT. Em altas doses, pode levar à insuficiência hepática aguda. Não é associado ao padrão misto, mas sim ao padrão hepatocelular. A banca pode tentar confundir o candidato com a associação do paracetamol à hepatotoxicidade, mas o padrão de lesão é diferente.
As estatinas podem causar elevação de transaminases, mas o padrão de lesão mais característico é o hepatocelular, geralmente assintomático e reversível com a suspensão do medicamento. Embora possam causar lesão hepática, não são associadas ao padrão misto. A banca pode tentar confundir o candidato com a associação de estatinas a alterações hepáticas, mas o padrão de lesão é diferente.
Gabarito: letra C
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